“Atendendo ao teor da participação, em reunião realizada em 01 de julho, o CJ da FPF deliberou instaurar um processo de inquérito, com correspondência material ao processo de averiguações, para apuramento de eventual prática de infração disciplinar por parte de Luciano Gonçalves”, informou o órgão presidido por Luís Verde Sousa, em comunicado.
O líder do CA enviou ao homólogo do CJ uma participação disciplinar sobre os motivos alegados por Duarte Gomes para a demissão do cargo de diretor técnico de arbitragem, enquanto a FPF remeteu a situação para o Ministério Público (MP), no âmbito do Regime Jurídico da Integridade do Desporto.
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“Compete ao CJ da FPF o exercício do poder disciplinar sobre os titulares dos órgãos sociais da FPF, pelos atos praticados no exercício da sua função de dirigentes”, acrescentou.
Na sexta-feira, Duarte Gomes renunciou ao cargo de diretor técnico da arbitragem da FPF, tendo o organismo remetido agora a situação para o MP, na sequência dos motivos alegados em participação formal pelo ex-árbitro internacional, que estava em funções há um ano e já disse estar disponível para prestar todos os esclarecimentos
Duarte Gomes ainda não revelou publicamente os motivos da demissão, mas a decisão da FPF em remeter a situação para o MP no âmbito da Regime Jurídico da Integridade do Desporto levanta suspeição no setor da arbitragem a pouco mais de um mês do início das provas profissionais.
O primeiro ponto do sexto artigo desse conjunto de normas menciona a denúncia obrigatória “sempre que os agentes desportivos tenham conhecimento ou suspeitem de comportamentos antidesportivos contrários aos valores da verdade, da lealdade e da correção e suscetíveis de alterar de forma fraudulenta uma competição desportiva ou o respetivo resultado”.
Em comunicado, Duarte Gomes não detalhou a situação nem os agentes envolvidos, revelando apenas que, no final da época 2025/26, um árbitro profissional partilhou consigo “um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade”, suscitaram-lhe “preocupações institucionais muito relevantes”.
Duarte Gomes afirmou ter conduzido o assunto “com reserva, neutralidade e transparência”, mas, no decurso das diligências que fez, considerou que “não era possível restaurar o grau de confiança institucional que considerava essencial ao desempenho” das suas funções.
Esta polémica no setor da arbitragem da FPF, que regula as nomeações para os jogos da Liga Portugal e Liga 2, levou o Benfica a pedir uma reunião de urgência com a direção do organismo presidido por Pedro Proença, enquanto o campeão nacional FC Porto solicitou esclarecimentos a Luciano Gonçalves.
Em ofício enviado a Pedro Proença, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) pediu esclarecimentos adicionais sobre a denúncia recebida pelo MP, salientando que o serviço de arbitragem prestado pela FPF “é vital para a estabilidade das competições profissionais e fundamental para a credibilidade de todo o universo do futebol português”.
