Não é a primeira vez que Rodrigo Ramos conversa com o Flashscore. Há alguns meses, ainda na Geórgia, o jovem avançado português dava conta da felicidade por voltar a competir com regularidade depois de um percurso que, apesar da juventude, já conheceu diferentes realidades.
Agora, o cenário é outro. Terminada a experiência no Dinamo Tbilisi, Rodrigo Ramos está livre e mantém uma rotina diária de trabalho enquanto aguarda pelo projeto certo para prosseguir a carreira.
"Sim, estou um pouco ansioso, mas não posso deixar de fazer o meu trabalho, que é treinar todos os dias e esperar que apareça um projeto que me cative e que seja bom para mim, onde possa mostrar o meu valor e jogar com regularidade", explica.

"A minha primeira opção sempre foi regressar a Portugal"
O desejo de regressar ao futebol português não é novo. Rodrigo Ramos já o tinha assumido na primeira conversa com o Flashscore e mantém essa intenção, embora sem fechar a porta a uma terceira experiência além-fronteiras.
"A minha primeira opção sempre foi regressar a Portugal, seja para a Primeira ou para a Segunda Liga. Mas, claro, se não tiver essa oportunidade, estou de portas abertas para aquilo que possa surgir, seja onde for."
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A convicção de que pode competir no principal escalão português mantém-se intacta. Aos 22 anos, o avançado acredita que o trabalho realizado e as experiências acumuladas lhe permitem ambicionar esse patamar.
"Sei que estou preparado para jogar na nossa Liga. Conheço o trabalho que tenho feito, conheço o meu potencial e sei que tenho capacidade para jogar nesse nível. Sei que, neste momento, está um pouco difícil, mas nada é impossível."
Mais do que o nome do campeonato, porém, Rodrigo Ramos procura um contexto que lhe permita competir e encontrar a estabilidade necessária para continuar a crescer: "Espero poder abraçar um bom projeto em Portugal, que me permita valorizar-me, jogar com regularidade e mostrar aquilo que valho."

Dos 29 golos no Estoril às primeiras experiências no estrangeiro
Os números ajudam a perceber a confiança do avançado. Antes de chegar ao futebol profissional, Rodrigo Ramos foi uma das figuras do Estoril Praia na Liga Revelação, competição em que os canarinhos se sagraram bicampeões. Em 2023/24, assinou uma temporada particularmente produtiva, com 29 golos e sete assistências em 33 jogos.
Seguiu-se o salto para o futebol sénior, ao serviço do Tondela, numa temporada que terminaria com a subida dos beirões à Liga. Depois, ainda muito jovem, decidiu experimentar o futebol além-fronteiras, passando pela Arménia e pela Geórgia.
A última paragem foi precisamente o Dinamo Tbilisi. Uma experiência que considera positiva e que, acredita, acrescentou novas características ao seu futebol.
"Foi uma boa experiência, num campeonato totalmente diferente do nosso. É uma competição mais física e menos tática. Acho que o nosso campeonato é melhor nesse aspeto. Na Geórgia, sobretudo nas segundas partes, os jogos partiam-se muito. Em Portugal existe uma componente tática maior."
O contacto com uma realidade diferente obrigou-o também a adaptar-se: "Regresso como um jogador um pouco diferente, sobretudo em termos físicos. Sinto que estou mais preparado para ir ao duelo e para aguentar esse tipo de jogo."
"Tenho números, algo que hoje é muito importante no futebol"
Mas que jogador está, afinal, disponível no mercado? Convidado pelo Flashscore a apresentar-se a um treinador ou diretor desportivo que pudesse estar a ler a entrevista, Rodrigo Ramos aponta a capacidade ofensiva como principal cartão de visita, sem esquecer a evolução registada noutros momentos do jogo.
"Sinto que posso dar muitas coisas ao jogo, sobretudo em termos ofensivos. Defensivamente estou melhor e sei que ainda existem aspetos em que posso continuar a evoluir. Acho que sou um jogador que ataca bem a profundidade e consegue ler os diferentes momentos do jogo."
Depois, regressa a um argumento sustentado pelo percurso nas camadas jovens: a capacidade para chegar ao golo.
"Além disso, tenho números, algo que hoje é muito importante no futebol. Sinto-me capaz de ajudar uma equipa da forma que for necessária. Felizmente, sou um jogador que tem números, que aparece bem dentro da área e consegue fazer golos. Acho que são essas as principais características que posso oferecer."
Treinar sozinho enquanto os campeonatos já começaram
Estar livre em agosto tem, contudo, uma dificuldade acrescida. Enquanto as equipas já competem e os campeonatos avançam, Rodrigo Ramos procura reproduzir individualmente as exigências que encontraria se estivesse integrado num plantel.
"Tem sido um processo semelhante àquilo que qualquer jogador faz durante a pré-época, embora neste momento a situação seja um pouco diferente porque os campeonatos já começaram e eu continuo sem clube."
A espera não significa, por isso, uma paragem: "Tenho tentado aproximar todos os dias o meu trabalho daquilo que seria um treino normal se estivesse integrado numa equipa e em plena época."
O próximo destino continua por definir. Portugal é a prioridade, o estrangeiro permanece como possibilidade e nem a necessidade de descer momentaneamente um patamar é encarada como um obstáculo. Depois de duas experiências em primeiras divisões europeias, Rodrigo Ramos garante estar disponível para dar um passo atrás se esse for o caminho necessário para poder dar dois em frente.
"Sinto que, neste momento, o mais importante é afirmar-me no sítio para onde for, mostrar o meu valor e provar que sou capaz de dar muito à equipa que representar."
