É a tormenta que ameaça um arranque de temporada em que tudo parece de feição para o FC Porto. Vencedor da Supertaça diante do Torreense, duas vitórias no arranque da Liga Portugal e zero golos sofridos em três jogos oficiais.

Uma perfeição que Rodrigo Mora disturba. Com 19 anos, o médio é indubitavelmente um dos jogadores mais talentosos do FC Porto e do futebol português, mas não tem espaço nas escolhas de Farioli. A tendência de 2025/26 foi confirmada em 2026/27.
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Estrela com Anselmi, num FC Porto que não deixou saudades a ninguém, Mora gerava expectativa com Farioli, mas cedo se percebeu que o internacional sub-21 português não tinha um espaço definido no rígido 4x3x3 do treinador italiano, em que aos dois interiores é exigida uma rotatividade alta.
Partiu sempre como alternativa a Gabri Veiga, como interior esquerdo, e nunca conseguiu ganhar o lugar ao espanhol. Em 44 jogos que disputou foi titular em menos de metade (21). E esse sinal ficou muito claro no arranque de temporada, em que Mora somou 12 minutos nas primeiras duas jornadas.

Esta época, a ilusão não era tanta relativamente ao jovem jogador, mas a sensação de déjà vu criou mal-estar. Nas duas primeiras jornadas somou 15 minutos (no triunfo com o Alverca), um registo que se mantém se alargarmos aos três primeiros jogos oficiais, já que não foi utilizado na Supertaça.

Na época passada foi preterido por Eustaquio na hora de sair do banco diante do Vitória SC, esta temporada foi o reforço In-Beom que mereceu a confiança diante do Rio Ave.
Com a saída para a Roma a entrar num impasse e o natural descontentamento de quem já foi elevado a herói na Invicta e passou a figura secundária (ou terciária), a tormenta parece ganhar força e os sinais de desgaste de Farioli já foram evidentes.
"O Rodrigo Mora tem sido um tópico desde a época passada, especialmente na primeira parte. Há um desejo de criar uma narrativa e uma história. Estou aqui para escolher 11 para começar e alguns para entrar. Quando tens jogadores como o Gabri e o Rodrigo na mesma posição, é um privilégio, e tens de tomar decisões. O Rodrigo jogou quase 2000 minutos na última temporada e o Gabri perto disso. O que fizemos para eles, fizemos para outros e todos aceitaram. Neste clube e neste grupo em particular, o coletivo é a prioridade, porque acredito mesmo que não há nada maior do que o FC Porto", lamentou em conferência de imprensa.
Um déjà vu que ameaça o arranque perfeito.
