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Jean-Michel Aulas, antigo presidente do Lyon, fala de Paulo Fonseca: "Aceitaram a sua saída por um punhado de figos ou cerejas"

Jean-Michel Aulas, antigo presidente do Lyon
Jean-Michel Aulas, antigo presidente do LyonAnne-Sophie Guebey / Bestimage / Profimedia

Jean-Michel Aulas, que foi presidente do Lyon durante 36 anos, entre 1987 e 2023, falou ao "L'Équipe" sobre a saída do treinador Paulo Fonseca para o Sporting.

"Quando vejo hoje o treinador do Lyon, que está a ter um desempenho bastante razoável, a sair de um dia para o outro, e os presidentes e dirigentes do Lyon aceitam a sua saída por um punhado de figos ou cerejas, fico a pensar que as coisas mudaram mesmo. Quer dizer, hoje em dia tudo é possível no futebol", começou por referir Jean-Michel Aulas.

"É algo que me incomoda, porque incomoda todos os adeptos que amam o seu clube. E é verdade que a saída não só muito rápida, mas diria sem justificação verdadeira por parte de Fonseca, levanta várias questões. Espero de todo o coração que isto não afete o espírito de equipa e a dinâmica que tinha sido criada pelo Olympique Lyon. Mas é verdade que, quando estamos verdadeiramente obrigados, conseguimos encontrar certas soluções", acrescentou o antigo presidente do clube francês.

"Tenho a sensação de que nem sequer fomos até ao fim do interesse do Lyon a nível financeiro, porque se o Sporting precisasse mesmo dele, creio que os montantes teriam sido provavelmente superiores. Portanto, se calhar não sabemos tudo. Mas, dito isto, estou desiludido e realmente muito preocupado, porque não era o momento certo para o treinador, que estava a ter um desempenho bastante razoável naquele momento, ir embora. (…) Eu não o teria deixado sair. Não conheço os detalhes das questões financeiras, claro, mas bom, quando estamos praticamente nos três primeiros do campeonato de França e também potencialmente apurados para a Liga Europa, isso representa muito mais dinheiro do que os 5 milhões de que se fala. Como vos disse, não tenho certezas sobre os montante", referiu Jean-Michael Aulas.

"Em todo o caso, pessoalmente, teria tomado primeiro uma posição intransigente sobre o princípio de não aceitar este tipo de coisa, porque isto cria jurisprudência. Ou seja, se é possível um dia com um, pode sê-lo noutro dia com outro. Portanto, é isso, parece-me um pouco difícil deixar partir o treinador que está a ter sucesso no início da época de um clube que está apurado para as competições europeias e que luta pelos primeiros lugares no campeonato de França", concluiu.

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