Varandas justifica rendimento na renovação Rui Borges: "Pagámos fatura do sucesso"

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Varandas, presidente do Sporting
Varandas, presidente do SportingANTÓNIO COTRIM/LUSA

As declarações do presidente do Sporting, Frederico Varandas, na cerimónia de renovação de contrato do treinador Rui Borges com o emblema de Alvalade, realizada esta sexta-feira.

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Renovação de Rui Borges: "Estamos hoje aqui para celebrar oficialmente a renovação de contrato de Rui Borges e da sua equipa técnica, prolongando o vínculo por mais uma temporada. Neste momento, importa recordar que Rui Borges e a sua equipa somam cerca de 16 meses de Sporting".

"Há quem valorize mais os resultados dos últimos 15 dias, há quem valorize os 15 meses e meio de trabalho. Há quem destaque o bicampeonato, a dobradinha, a melhor campanha europeia de sempre, o recorde de vitórias consecutivas em Alvalade, ou ainda as presenças em duas finais da Taça da Liga e na Supertaça. Percebo que, ao longo de 16 meses, existam diferentes formas de olhar para o percurso".

"Da parte da administração, valorizamos sobretudo o processo de trabalho, mais do que resultados pontuais ou finais perdidas. Este é um ato com o futuro do clube em mente. Continuamos a acreditar que o Sporting tem todas as condições para estar onde deve: na discussão dos títulos".

"Existe também uma dimensão comportamental e humana que valorizamos muito. Rui Borges é um homem sério, intelectualmente honesto, livre, que protege os seus, algo que aprecio particularmente. Comunica com autonomia, pela sua própria cabeça, e não condicionado pela estrutura ou pelo presidente. É e continuará a ser o nosso treinador".

Voto de confiança: "Não tomamos decisões ao sabor do momento. Não navegamos ao ritmo do que se diz ou do que se possa pensar. Tomamos decisões com base em convicções e no trabalho desenvolvido".

"Quanto ao timing, recordo que já renovei com um treinador que terminou a época em 4.º lugar e, no momento da decisão, nem sequer estávamos em 5.º. Não são 15 dias que determinam uma decisão desta natureza".

"Curiosamente, em setembro de 2025, depois de termos sido bicampeões, a primeira pergunta que me foi colocada pelos jornalistas foi sobre a renovação. Não respondi na altura, nem nas várias ocasiões seguintes em que fui confrontado com o tema. Percebi que a ausência de resposta gerava algum ruído".

"A explicação para o momento da decisão é simples. Do ponto de vista da gestão do grupo, o treinador tinha mais um ano de contrato, é o homem certo, e garantir estabilidade é importante. Do ponto de vista negocial, como se compreende, renovar no último ano de contrato torna o processo mais difícil. E também sei que, se não tivéssemos renovado agora, em setembro de 2026 estariam a perguntar exatamente o mesmo".

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Exemplo das renovações dos rivais: "Não temos nada a ver com os nossos rivais, com todo o respeito. São clubes diferentes, com estruturas e massas associativas distintas. Não existe qualquer paralelo a fazer".

Objetivos para a próxima época: "A expectativa é que Rui Borges e a sua equipa continuem a apresentar o nível competitivo que têm demonstrado, lutando pelos títulos e estando nas decisões. Umas vezes vamos ganhar, outras não. Quanto ao risco, desde que assumi estas funções nunca tive receio de perder. Estou tranquilo com as decisões que tomo".

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O ponto decisivo da época: "Talvez não tivesse feito essa escolha"

Os críticos da renovação: "Um presidente de um clube como o Sporting tem de perceber o adepto e eu percebo-o bem. Compreendo a importância da memória, o peso do presente, mas também sei que, enquanto aqui estiver, nunca decidirei como adepto".

Elogios ao grupo: "Este grupo elevou a fasquia. É o grupo mais vencedor dos últimos 70 anos do Sporting".

Erros no mercado: "Relativamente ao mercado, é um clássico: quando as coisas correm menos bem, aponta-se logo ao planeamento. Diz-se que o Sporting começou mal a época por causa do mercado de verão, que no ano passado foi desastroso, e que este ano o mercado de janeiro também foi insuficiente".

"Se quiserem a minha análise fria e racional do insucesso, digo-vos que ele é, em grande parte, consequência do próprio sucesso. O Sporting chegou aos oitavos de final da Liga dos Campeões e isso teve impacto".

"Se o Sporting não tivesse ultrapassado o Bodo/Glimt, provavelmente teria o tricampeonatona mão. Esse foi, aliás, um dos melhores jogos da equipa. Mas essa vitória acabou por trazer uma carga competitiva enorme que condicionou o rendimento no campeonato".

"Recordo o que disse ao treinador antes da deslocação ao Emirates: quarta-feira Arsenal, domingo Benfica e, depois, quarta-feira FC Porto. Estamos a falar de uma sequência de jogos de exigência máxima".

"Perante isto, coloco a questão: vou condenar o treinador e os jogadores por acreditarem que era possível chegar mais longe na Europa? Eu, no lugar deles, talvez não tivesse feito essa aposta. Mas vou criticá-los por isso? Não. A equipa lutou até ao último segundo. É injusto reduzir a época a isso. No fim, acabámos por pagar a fatura desse esforço".

"Se o nosso plantel é fraco, o dos nossos rivais é ainda mais fraco".

FC Porto campeão e vaga de lesões

FC Porto justo vencedor do campeonato? "É um líder justo. Mas coloquem esse plantel perante adversários como Juventus, Nápoles, Marselha, Athletic Bilbao, PSG, Bayern, duas eliminatórias com o Bodo/Glimt e ainda o Arsenal… a performance seria a mesma? Eu acredito que não".

"E aqui há mérito do nosso rival, que percebeu bem as suas competências e limitações e optou por focar-se num único objetivo. Chegou a rodar oito jogadores na Liga Europa, de forma inteligente, e acabou por ser eliminado por uma equipa que luta pela permanência. Apostou no campeonato e fê-lo bem".

"Agora, é a melhor equipa? O que é, afinal, ser a melhor equipa? Se não tem havido aquela remontada histórica, o tricampeonato seria nosso".

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Lesões: "É importante esclarecer este tema com base em factos e não em perceções. Sabem qual é o número médio de lesões em equipas que disputam competições europeias? Entre 40 e 50 por época. Ainda recentemente vi um estudo em Espanha sobre problemas clínicos nas equipas: o Real Madrid teve 118 lesões, o Barcelona 82 e o Atlético de Madrid 65. O Sporting está abaixo dessa média".

"O que existe é uma narrativa, um ruído constante em torno das lesões. Dou um exemplo claro: quando o Sporting foi ao Dragão, falou-se apenas das nossas lesões, quando o FC Porto até tinha mais jogadores indisponíveis. Tornou-se quase uma moda".

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"Importa também referir que a maioria das lesões são traumáticas e, nesses casos, não há prevenção possível. Não corresponde à verdade que o Sporting tenha mais lesões do que outras equipas que competem ao mais alto nível europeu".

"E há outro dado que demonstra a qualidade do nosso trabalho: o nosso diretor clínico e de performance foi convidado para assumir funções num clube do top 5 da Premier League, que nem sequer é o Manchester City, do nosso amigo Hugo Viana. O nosso head physio também recebeu um convite semelhante, tal como o coordenador da unidade de performance. Isto não é acaso, é competência reconhecida".