Feminino: Paulistão vai arrancar com mudanças e introdução do VAR em todos os jogos

Paulistão F 2026 começa em 6 de maio
Paulistão F 2026 começa em 6 de maioDiego Soares/Ag Paulistão

A edição de 2026 do Campeonato Paulista Feminino, renomeado como Paulistão F, começa esta quarta-feira. A diretora executiva de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol (FPF), Kin Saito, detalhou os bastidores da competição, os critérios mais rigorosos para participação e as inovações que buscam elevar o nível do torneio.

Olhámos para competições, projetos, formação… Tudo que tem sobrenome futebol feminino, estamos envolvidos para fazer ser ainda maior”, explicou Saito em entrevista exclusiva ao Flashscore.

A dirigente destacou o momento de transformação estrutural da modalidade em São Paulo e reforçou o papel da federação como agente de desenvolvimento. Numa conversa com Elaine Trevisan e Fran Alberto, Kin Saito ressaltou outras novidades para 2026, como o formato de disputa.

VAR em todos os jogos: um marco no Brasil

A principal novidade desta edição é a implementação do árbitro de vídeo em todas as partidas, desde a primeira jornada até a final. Trata-se de algo inédito no futebol feminino brasileiro.

“Não foi simples colocar isso de pé. Existe um custo alto e uma exigência estrutural enorme. Não é só apertar um botão”, afirma Kin Saito.

Segundo a dirigente, a federação realizou vistorias detalhadas nos estádios indicados pelos clubes e exigiu adequações técnicas para efetivação da tecnologia. A FPF também consultou todas as equipes participantes e colocou o VAR como prioridade, após apontamento de atletas e clubes da competição.

“Perguntamos um por um: querem VAR? E todos disseram que sim.”

VAR na Neo Química Arena em jogo do Paulistão Feminino
VAR na Neo Química Arena em jogo do Paulistão FemininoJhony Inácio/Ag.Paulistão

A resposta unânime reforçou a demanda por mais justiça desportiva e um jogo melhor. A inovação chega como referência na modalidade no país e pode, mais uma vez, ser a pioneira no desenvolvimento do futebol feminino, a pouco mais de um ano do Mundial no Brasil. 

Ao falar sobre o momento atual, Saito mostrou convicção de que o futebol feminino paulista está num novo patamar.

“Esperamos que esse seja um daqueles passos em frente e não recuamos”, projeta a diretora.

Licenciamento? O termo que mudou o jogo

Entre os pontos de destaque para a evolução da competição, uma das mais tradicionais do país, está o licenciamento. O termo, incomum para alguns e que denota profissionalismo para outros, remete a critérios a serem cumpridos pelas equipes para estarem aptas a participar do campeonato. 

Ou de forma ainda mais direta, como define a diretora executiva de futebol feminino da FPF:

“O licenciamento é um regulamento que vai subindo o nível com o tempo. A ideia é melhorar a gestão dos clubes.”

Kin Saito em workshop de licenciamento do Paulistão F
Kin Saito em workshop de licenciamento do Paulistão FDiego Soares/Ag.Paulistão

Com foco na melhoria contínua, o licenciamento vai elevando suas exigências a cada ano para possibilitar um desenvolvimento constante e gradual das equipas paulistas de futebol feminino.

O processo envolve não apenas requisitos administrativos, mas também estruturais e técnicos, incluindo planejamento financeiro, metodologia de trabalho e suporte às atletas.

“Hoje, por exemplo, profissionais como psicólogo, nutricionista e analista de desempenho deixaram de ser recomendação e passaram a ser exigência”, conta Kin Saito. 

E o foco na modalidade acaba atingindo outros aspectos como um efeito cascata positivo para o esporte das mulheres, pois aumenta a competitividade, mesmo que inicialmente reduza o número de equipes participantes na elite do estadual.

“A gente precisou reduzir a quantidade de clubes para ofertar um Paulistão mais competitivo. Mas isso não significa abandonar quem ficou de fora, pelo contrário, a gente continua fomentando essas equipas”, esclarece.

Para as equipas que não atingem os critérios do licenciamento para o Paulistão F, a FPF oferece outras competições que também tem sistema de licenciamento, mas com outros critérios, como Taça  Paulista e Taça Paulistana. Há um acompanhamento constante dos clubes e observação financeiro devida com base nos critérios cumpridos por cada clube.

Workshop de licenciamento do Paulistão F
Workshop de licenciamento do Paulistão FDiego Soares/Ag.Paulistão

Mudança até no nome: Paulistão F

As inovações atingem até o nome da competição: o estadual agora será chamado de Paulistão F. O reposicionamento da marca também tem um objetivo que vai além das quatro linhas. A decisão, segundo Kin Saito, busca normalizar o espaço da modalidade.

“É um movimento de tratar o futebol feminino com a mesma naturalidade. O futebol não tem género.”

A mudança passou por pesquisas e estudos com marcas de competições da modalidade em outros países e também pela cultura do desporto no Brasil. Assim, também visa um posicionamento estratégico que aponta para uma nova forma de consumo e entendimento do futebol feminino pelo público que o consome.

“O Paulistão já é o das mulheres. Não dizemos ‘Paulistão masculino’, então por que reforçar no feminino? É um movimento de naturalização”, explica.

Calendário e desafios

A dirigente também reconheceu os desafios do calendário, especialmente a concorrência com outras competições, como o Brasileirão e a Libertadores, o que pode impactar a dinâmica dos plantéis dos clubes.

Apesar disso, reforçou a importância do Paulistão F dentro do cenário nacional e a preparação para uma edição competitiva e com grande destaque na modalidade. 

Tabela da 1ª rodada do Paulistão F
Tabela da 1ª rodada do Paulistão FFlashscore

Novo formato

Neste ano, o Paulistão F conta com a participação de oito clubes: Corinthians, São Paulo, Santos, Palmeiras, Ferroviária, Red Bull Bragantino, Mirassol e Taubaté. Eles disputam a primeira fase em turno único, com sete jornadas, de 6 de maio a 26 de agosto. 

Os dois primeiros colocados vão direto para as meias-finais. Quatro equipas, do 3.º ao 6.º lugar, disputam o “play-in”, a duas mãos, pelas duas vagas restantes nas meias-finais. Essa etapa ocorre entre 18 e 22 de novembro. 

Os clubes que não se apurarem para as meias-finais, assim como o 7.º e o 8.º colocados da primeira fase, são redirecionados para a Taça Paulista, possibilitando calendário até o fim do ano.

As meias-finais serão disputadas em dois jogos, em 9 e 13 de dezembro. E a grande final, fechando o calendário de competições das equipas paulistas, também ocorrerá em duas partidas, em 16 e 20 de dezembro.

A competição ainda segue pausas estratégicas para respeitar Datas FIFA, momentos decisivos de competições nacionais (Brasileirão e Taça do Brasil) e torneios continentais (Libertadores).

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