Depois de conquistar o título da Premier League na época anterior sem grandes dificuldades, cedo se percebeu em 2025/2026 que algo não estava bem.
Toque de Midas de Slot abandonou-o
Uma defesa que tinha sido praticamente intransponível durante a época de estreia de Arne Slot começou a conceder golos por todo o lado, especialmente na parte final dos jogos.
Longe de conseguir inverter a tendência, o toque de Midas do treinador neerlandês desapareceu e os Reds pareciam vaguear de uma exibição e resultado desastrosos para os seguintes.

No final da época, apesar de garantir a presença na Liga dos Campeões mesmo ao cair do pano, 12 derrotas, 53 golos concedidos e apenas 60 pontos conquistados – o terceiro pior registo de um campeão em título da Premier League – diziam tudo.
Isso, aliado ao extraordinário desabafo de Mo Salah a meio da época, em que criticou abertamente o seu treinador, acabou por estragar o que poderia ter sido mais uma temporada de consolidação dos sucessos anteriores do clube.
Curtis Jones no Inter?
Demasiados jogadores não estiveram ao seu melhor nível e vários elementos do plantel de Anfield nem sequer tiveram oportunidade de ganhar ritmo e lutar por um lugar no onze inicial.
Um desses casos foi o de Curtis Jones, de 25 anos.
Apesar dos registos indicarem que realizou 48 jogos em todas as competições em 25/26, apenas 17 desses foram a titular durante os 90 minutos.

Em alguns dos jogos mais importantes da época, Jones teve direito a poucos minutos em campo, incluindo apenas 11 minutos frente ao Real Madrid e só cinco minutos diante do Manchester City.
Talvez por isso, surgem notícias em Itália de que o diretor desportivo do Liverpool, Richard Hughes, está a negociar com o seu homólogo do Inter, Piero Ausilio, a transferência do médio combativo para os nerazzurri.
Vermelho de gema
Tendo em conta a ligação de Jones aos Reds e à região, tendo nascido em Liverpool e permanecido no clube durante toda a sua formação e carreira profissional, parece uma decisão estranha de Slot e da direção ponderar deixá-lo sair.
Por exemplo, apesar de ter jogado muito menos minutos do que vários colegas, apenas Ryan Gravenberch e Virgil van Dijk recuperaram mais bolas do que as 187 do médio.
Com 281 duelos individuais disputados, ficou mesmo à porta do top 10 dos jogadores dos Reds neste parâmetro, sendo que a sua taxa de sucesso de 52,67% é perfeitamente aceitável quando comparada com a dos colegas, poucos dos quais apresentaram melhor registo.
Entre os jogadores de campo que realizaram pelo menos 50 desarmes ao longo da época 25/26, só Florian Wirtz e Milos Kerkez tiveram uma percentagem superior à taxa de sucesso de 59,62% de Jones.
Líder no capítulo do passe
Mesmo os 37 alívios e 24 interceções de Jones colocam-no entre os melhores do plantel do Liverpool nestes dois aspetos, o que demonstra a sua clara vontade de vencer e o desejo de dar sempre tudo em campo.
Tendo em conta o seu perfil combativo e a intensidade física do seu jogo, apenas quatro cartões amarelos em todas as competições mostram alguma contenção e revelam um jogador que sabe jogar no limite, mas não precisa de recorrer ao jogo sujo para ganhar vantagem.

Os seus 762 passes que terminaram no último terço foram o quinto melhor registo do Liverpool em 25/26, enquanto a sua taxa de sucesso global de 92,73% foi a melhor de todo o plantel principal dos reds.
Considerando que os 2.366 passes de Jones (2.194 deles bem-sucedidos) só foram superados por cinco jogadores (Wirtz, Gravenberch, Van Dijk, Ibrahima Konaté e Dominik Szoboszlai), todos eles com mais minutos do que o médio de 25 anos, o desempenho de Jones torna-se ainda mais meritório.
Jones quer sair ou está a ser empurrado?
Tudo isto levanta a questão sobre por que razão o clube de Merseyside pondera sequer deixar sair o jogador, a não ser que este tenha manifestado vontade clara de sair devido à falta de oportunidades na equipa principal.
Custa a acreditar que seja esse o caso, tendo em conta que a sua ligação ao clube nunca esteve em causa.
Mesmo que se considere que, talvez, alguns colegas tenham mais qualidade natural, os factos e números não sustentam essa ideia.
Assim, a única conclusão possível é que simplesmente não é do agrado de Arne Slot, o que, naturalmente, é uma prerrogativa do treinador.
Numa altura em que a aprovação do técnico neerlandês parece estar no ponto mais baixo entre os adeptos do clube, deixar sair um dos seus, como Jones, será certamente mais uma decisão muito impopular e pode ser a gota de água para os fiéis de Anfield.

