Análise: Por que razão os problemas ofensivos do Chelsea persistiram frente ao Nottingham Forest

João Pedro, do Chelsea, marcou de pontapé de bicicleta frente ao Nottingham Forest
João Pedro, do Chelsea, marcou de pontapé de bicicleta frente ao Nottingham ForestJavier Garcia / Shutterstock Editorial / Profimedia

O Chelsea recebeu o Nottingham Forest, ameaçado pela despromoção, na segunda-feira e, ao ver o onze dos Tricky Trees, com oito alterações em relação ao jogo anterior, os londrinos do oeste poderiam já ter-se convencido de que iriam conquistar três pontos tão necessários, além de uma tarde de trabalho aparentemente fácil.

Recorde as incidências da partida

O Notingham Forest vai defrontar o Aston Villa na segunda mão das meias-finais da Liga Europa na quinta-feira, algo que influenciou claramente a escolha de Vitor Pereira para o onze inicial.

Série desastrosa do Chelsea

Os Blues caíram para a nona posição da tabela da Premier League após uma série desastrosa, em que não só perderam cinco jogos consecutivos no principal escalão inglês, como também não marcaram qualquer golo nesses encontros – algo que não acontecia no clube desde 1912.

Durante esse período, apenas os jogos da Taça de Inglaterra foram ganhos, o que acabou por levar a direção a dispensar Liam Rosenior e a substituí-lo até ao final da época por Calum McFarlane.

O Forest de Vítor Pereira vinha a atravessar uma fase mais positiva e, antes do início do jogo, somava seis partidas sem perder, incluindo uma vitória por 0-5, fora decasa, frente ao Sunderland, no Stadium of Light. Ainda assim, continuava apenas três pontos acima da zona de despromoção.

Com o Chelsea invicto frente ao adversário desde setembro de 2023, exigia-se uma grande exibição à formação das Midlands para conseguir sair vitoriosa.

Arranque fulgurante do Forest

Apenas um minuto e 23 segundos após o apito inicial, o Forest entrou da melhor forma possível, com Taiwo Awoniyi a aproveitar a liberdade na área do Chelsea para cabecear para o fundo das redes.

O lance veio acentuar ainda mais as dificuldades dos anfitriões, já que foi o nono golo concedido nos primeiros 15 minutos da primeira parte dos jogos; apenas o Burnley (13) e o West Ham (10) concederam mais na Premier League esta época.

O golo mais rápido do Forest na época 2025/26 foi também importante porque os visitantes ainda não tinham perdido esta temporada sempre que marcaram primeiro, enquanto o Chelsea não conseguiu vencer nos últimos cinco jogos em que esteve em desvantagem.

O remate de Enzo Fernández ao ferro foi o primeiro sinal de perigo dos Blues, ao minuto 10, e apenas cinco minutos depois, uma falta sobre Awoniyi cometida por Malo Gusto deu origem a um penálti para o Forest, que Igor Jesus converteu com frieza.

Os assobios dos adeptos do Chelsea à direção foram imediatos, intensos e prolongados.

O choque de estar a perder por dois golos acabou por provocar uma reação dos jogadores da casa, mas apesar de terem somado três remates coletivos e 76% de posse de bola, não estavam a criar dificuldades a Matz Sels na baliza do Forest.

Palmer falha da marca dos onze metros

Os quatro desarmes de Luca Netz foram determinantes para que jogadores como Enzo Fernández e Cole Palmer não conseguissem furar, a par do trabalho de Dilane Bakwa (seis duelos ganhos em oito) e James McAtee (10 duelos individuais tentados).

O Chelsea ainda conquistou uma falta mesmo em cima do intervalo, quando Jesse Derry foi derrubado no ar, numa colisão que obrigou o estreante na Premier League a sair de maca e a ser transportado para o hospital.

Quando Palmer finalmente se preparou para bater o penálti, Sels adivinhou o lado certo e a busca dos londrinos por um golo continuou.

Uma tripla substituição ao intervalo por parte dos visitantes fez entrar Morgan Gibbs-White, que viria a assistir Awoniyi para o terceiro golo do Forest, quando ainda faltavam 40 minutos para jogar.

Foi um dos apenas quatro remates enquadrados, uma eficácia que contrastou com a do Chelsea, para quem marcar golos tornou-se um verdadeiro peso coletivo.

Dos 21 remates do Chelsea ao longo do jogo, apenas cinco foram à baliza.

Blues apáticos

Foi um problema que Liam Rosenior não conseguiu resolver e, a julgar pelo que se viu neste encontro, McFarlane dificilmente conseguirá dar a volta à situação nas poucas partidas que restam da época.

Com 20 minutos ainda por disputar, o Chelsea já tinha tentado 19 cruzamentos e procurava manter-se no ataque; no entanto, os seus jogadores mais adiantados, de forma geral, mostraram-se por vezes apáticos e com uma atitude algo displicente.

De facto, os dois remates desenquadrados de Liam Delap foram sintomáticos das dificuldades da equipa, embora, curiosamente, o jogo de passes do Chelsea tenha sido de grande nível, com a maioria dos jogadores a apresentar percentagens de acerto superiores a 90%.

No entanto, trocas de bola bonitas sem resultado prático não servem de muito.

Golo da época de João Pedro

Uma pressão final dos anfitriões permitiu a João Pedro marcar de forma acrobática, com um pontapé de bicicleta aos 90+2 minutos, o seu 15.º golo na Liga esta época e o primeiro do Chelsea ao fim de 634 minutos sem marcar na competição.

Nessa altura, porém, a maioria dos adeptos da casa já tinha abandonado Stamford Bridge, perdendo assim aquele que terá sido, provavelmente, o golo da época da sua equipa.

Com toda a defesa da casa a somar apenas um desarme bem-sucedido durante toda a tarde, é evidente que McFarlane tem muito trabalho pela frente se quiser levar o Chelsea à Europa na próxima época, algo que é, quase de certeza, o mínimo exigido pelos proprietários do clube.

O Nottingham Forest pode agora considerar-se fora de perigo, mesmo que matematicamente ainda possa ser apanhado, e pode concentrar-se em garantir a presença na final da Liga Europa.

Jason Pettigrove
Jason PettigroveFlashscore
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