Ir para o conteúdo principal

Premier League: Ex-responsável da arbitragem analisa alterações às regras da época 2026/27

O árbitro Michael Oliver lidera a entrada dos seus assistentes antes do jogo entre o Everton e o Manchester City
O árbitro Michael Oliver lidera a entrada dos seus assistentes antes do jogo entre o Everton e o Manchester CityCOLORSPORT/Alan Martin / Shutterstock Editorial / Profimedia

Keith Hackett é um antigo árbitro da Premier League e ex-chefe da entidade responsável pela arbitragem inglesa (PGMOL). Agora, será o especialista de arbitragem do Flashscore ao longo da época 2026/27, oferecendo observações e opiniões sobre as atuações dos árbitros do principal escalão inglês, as decisões e outros temas relevantes.

Mudanças na arbitragem 

"Todas as semanas, ao longo dos últimos sete anos desde a introdução do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) na Premier League, assisti à mudança na forma de arbitrar. Isto gerou dúvidas e, com elas, hesitação no processo de decisão do árbitro.

No estádio, os adeptos ficam sentados à espera, por vezes durante vários minutos, para ver se um golo vai ser validado, e a falta de consistência na aplicação do VAR, e certamente o critério de 'claro e óbvio' a ser relegado para segundo plano por operadores excessivamente interventivos em Stockley Park, deixa um sabor amargo para muitos. Em tantas ocasiões comentei a falta de transparência e responsabilidade, porque, para além de uma mensagem no grande ecrã, o adepto que está no estádio fica completamente às escuras e algo afastado do jogo.

Assim, uma nova época aproxima-se e, mais uma vez, são prometidas mudanças. No entanto, e isto é importante, algumas das alterações que vimos implementadas no Mundial ainda não vão ser utilizadas na Premier League".

VAR - novas regras para cartões amarelos

"A partir desta época, quando um jogador for expulso por acumulação do segundo cartão amarelo, o lance pode ser revisto pelo VAR. No entanto, o VAR pode apenas intervir para determinar se houve um erro claro na atribuição da falta. Julgamentos subjetivos quanto à cor do cartão a mostrar não estarão sob a alçada do VAR".

Teste ao VAR

"Foi aprovado um teste para revisões de faltas ofensivas antes de a bola estar em jogo. Na prática, o VAR pode intervir se se considerar que houve falta da equipa atacante antes de uma bola parada ser executada, caso isso conduza diretamente a um golo, penálti ou potencial cartão vermelho.

Se a revisão for validada, o jogo será retomado com a repetição da bola parada em questão, já que não podem ser assinalados livres antes de a bola estar em jogo. Assim, o VAR não irá rever faltas defensivas antes de as bolas paradas serem executadas, pois também não podem ser assinalados penáltis.

Tal como no Mundial, o VAR será igualmente utilizado para rever potenciais casos de identidade trocada. Contudo, haverá alterações na aplicação da lei a partir do torneio deste verão. O VAR não será utilizado para penalizar simulação em casos de identidade trocada, embora ocorram revisões quando o árbitro penalizou a equipa errada. Por exemplo, se uma decisão for tomada contra a equipa da casa quando foi a equipa visitante a cometer a infração.

Em que situações o VAR não intervém? Continuam a existir duas áreas em que o VAR não poderá intervir, apesar de o poder fazer durante o Mundial.

O VAR pode anular golos em bolas paradas se for cometida uma falta antes de a bola estar em jogo, mas não irá reverter cantos mal assinalados na Premier League esta época. As revisões também não serão usadas para mostrar cartão vermelho a um jogador por tapar a boca em situações de confronto. Ambas as situações permitiram intervenções do VAR na América do Norte no início deste verão.

Howard Webb, Diretor de Arbitragem da PROREF (antiga PGMOL), afirmou ainda que partes da conversa entre árbitros e jogadores serão disponibilizadas à comunicação social".

Agarrões dentro da área

"Mais uma vez é prometido que os árbitros vão apertar o controlo sobre os disparates que acontecem dentro da área nos pontapés de canto. Esta promessa foi feita antes do início da época passada, mas não vi quaisquer sinais visuais de melhoria nesta área da arbitragem.

Os agarrões, puxões e bloqueios prejudicam a imagem do nosso grande desporto, e espero que Webb e o seu grupo de árbitros cumpram o que prometem. As alterações às leis para ajudar o ritmo do jogo funcionaram bem no Mundial. Webb tem de garantir que os seus árbitros cumprem o prometido no combate aos agarrões dentro da área. Palavras para captar a atenção dos media e ajudar a criar manchetes são fáceis de proferir, mas não significam nada se não forem postas em prática.

O árbitro parar a marcação do canto e ser visto a avisar os jogadores que se agarram tornou-se, francamente, uma anedota. Queremos ver futebol, não râguebi. Tornem os árbitros responsáveis e, quando não cumprirem, penalizem-nos informando-os de que perdem uma nomeação.

Já agora, Sr. Webb, está satisfeito com a cronometragem dos jogos?"

Lançamentos laterais

"A utilização da contagem decrescente visual de cinco segundos quando um jogador/equipa atrasa a reposição fará com que o lançamento lateral seja atribuído à equipa adversária se o tempo for ultrapassado".

Pontapés de baliza

"A contagem decrescente visual de cinco segundos quando um jogador/equipa atrasa o pontapé de baliza fará com que seja atribuído um canto à equipa adversária se o limite de tempo for ultrapassado".

Cantos

"O árbitro pode assinalar um canto se o guarda-redes for penalizado por agarrar".

Futebol