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Rebelião na Colômbia: A batalha pelos direitos televisivos que promete mudar o futebol no país

Millonarios é um dos clubes que exige melhorias
Millonarios é um dos clubes que exige melhoriasLUIS ACOSTA / AFP

A poucos dias do arranque da Liga BetPlay II-2026, oito dos clubes com mais peso do país impulsionam uma transformação no modelo de distribuição dos direitos televisivos. O debate vai além da Win Sports e coloca em cima da mesa uma questão fundamental: como repartir um negócio que movimenta grande parte da economia do futebol colombiano?

A calma antes do início da Liga BetPlay II-2026 foi quebrada por uma rebelião sem precedentes. Oito dos clubes mais importantes do futebol colombiano decidiram questionar o atual modelo de exploração e repartição dos direitos televisivos, considerando que o sistema vigente já não corresponde à realidade económica do campeonato. Embora a Win Sports tenha ficado no centro da discussão pública, o conflito incide realmente sobre o esquema de distribuição das receitas geridas pela Dimayor.

O descontentamento não surgiu de um dia para o outro. Há já vários anos que algumas equipas vêm manifestando que as instituições com maior capacidade de mobilização, audiência e geração de receitas deveriam receber uma fatia superior dos recursos provenientes dos direitos audiovisuais. O principal argumento é que nem todos os clubes acrescentam o mesmo valor comercial ao produto e, por isso, consideram que a repartição igualitária precisa de ser revista.

Equilíbrio na distribuição dos direitos

Nesse contexto surge a Win Sports, parceira estratégica da Dimayor e detentora dos direitos de transmissão do campeonato. No entanto, o canal não é a origem do conflito. A discussão gira em torno do contrato existente e, sobretudo, da forma como os recursos chegam posteriormente aos clubes. Por isso, mais do que um confronto direto com a estação televisiva, o debate opõe dois modelos de negócio distintos dentro do futebol colombiano.

As equipas que lideram esta iniciativa defendem que ligas como a Premier League, LaLiga ou a Serie A encontraram fórmulas que combinam uma parte fixa para todos os participantes com incentivos ligados à audiência, ao desempenho desportivo e ao impacto comercial. Com base nessa lógica, consideram que um esquema mais flexível permitiria reforçar financeiramente as instituições que geram maior interesse, sem deixar de garantir a sustentabilidade dos clubes com menor capacidade económica.

No lado oposto estão aqueles que defendem o sistema atual. Para estes clubes, manter uma distribuição relativamente equitativa evita alargar o fosso económico entre os grandes e os pequenos. Temem que uma redistribuição baseada sobretudo na popularidade acabe por concentrar ainda mais os recursos e reduza a competitividade de um campeonato que historicamente se tem caracterizado pela paridade entre os seus participantes.

O momento da disputa também não é casual. O futebol colombiano atravessa uma fase de mudanças estruturais, com um mercado cada vez mais competitivo no que toca a conteúdos desportivos e plataformas digitais. A forma como forem negociados os futuros direitos audiovisuais poderá definir grande parte da estabilidade financeira dos clubes na próxima década, num cenário em que as fontes tradicionais de receita se revelam insuficientes para sustentar plantéis competitivos.

Para além das diferenças económicas, a crise coloca também à prova a governabilidade da Dimayor. Alcançar um consenso entre instituições com interesses tão distintos será um dos maiores desafios para a direção. Se não houver um ponto de entendimento, o conflito poderá prolongar-se e influenciar futuras negociações comerciais, afetando a imagem do campeonato e gerando incerteza entre patrocinadores, operadores e adeptos.

O que hoje parece uma discussão sobre direitos televisivos acabará por definir o modelo de negócio do futebol colombiano. A decisão não determinará apenas quanto dinheiro recebe cada clube, mas também que tipo de liga o país pretende construir: uma em que prevaleça a redistribuição para manter o equilíbrio competitivo ou uma que premie com mais força o peso desportivo e comercial das suas instituições mais poderosas. O desfecho marcará o rumo do campeonato nos próximos anos.