Acompanhe a final da Libertadores feminina no Flashscore
A número 10 das Cabulosas raramente passa despercebida em campo. As suas tranças, adornadas com fitas azuis e brancas, as cores do clube de Belo Horizonte, contrastam com o verde do relvado sempre que entra em contacto com a bola.
Mas o look é apenas uma anedota para a goleadora. A sua ameaça na área é levada muito a sério pela rival do Cruzeiro na luta pela coroa em Quito, o Corinthians de São Paulo, campeão das três últimas Libertadores.
"É uma líder nata, muito profissional e muito divertida (...), está num momento de pura sinergia com toda a equipa e isso coloca-a no seu melhor futebol", disse à AFP o seu treinador, Jonas Urias.
Ao contrário de algumas companheiras, que disputam a sua primeira Libertadores, a avançada carioca já sabe o que é conquistar a América do Sul. Com dois títulos continentais ao serviço do Corinthians e do Palmeiras, Byanca lidera a tabela das melhores marcadoras da prova em 2026, com cinco golos em igual número de jogos.
Além disso, alcançou feitos históricos na capital do Equador pelo seu clube, estreante na competição: marcou o primeiro golo das Cabulosas numa Libertadores e assinou o memorável hat-trick na vitória por 3-0 frente ao Bolívar, na fase de grupos.
O troféu mais importante
Na primeira final de uma competição sul-americana do Cruzeiro, terá uma última oportunidade para aumentar a vantagem sobre as outras duas candidatas ao título de melhor marcadora, as corintianas Vic Albuquerque e Duda Sampaio, que têm quatro golos.
"Tudo o que vivi até aqui faz parte da minha história e chegar a uma final, com a possibilidade de conquistar este título, representa muito para mim", afirmou em declarações escritas enviadas à AFP pela assessoria de imprensa do Cruzeiro.
Dona de um chapéu que se tornou a sua imagem de marca dentro de campo, a avançada concilia as exigências da alta competição com a fragilidade humana.
A avançada nascida no Rio de Janeiro teve uma temporada extraordinária em 2025, na qual marcou 14 golos e fez quatro assistências em 26 jogos.

Mas, enquanto acumulava distinções, Byanca Brasil, que não tem tido muitas oportunidades na seleção brasileira, atravessava a fase mais difícil da sua vida.
Quando foi distinguida como uma das melhores avançadas do Brasileirão de 2025, a jogadora revelou que uma depressão profunda a levou a pensar em deixar o futebol devido à pressão e ao assédio nas redes sociais.
"Estou muito grata à minha psicóloga, à minha mulher, ao Cruzeiro e a todas as pessoas que estiveram ao meu lado nos momentos mais difíceis. Hoje sinto-me muito feliz por estar a viver tudo isto e quero aproveitar cada segundo desta oportunidade", acrescentou.
Assumir uma posição política
Depois da sua experiência, Byanca considera fundamental que as desportistas falem sobre saúde mental.
"É um tema muito importante que tem impacto em todos, não apenas nos desportistas. Nós, enquanto figuras públicas e pessoas com algum tipo de influência, devemos sempre assumir uma posição relativamente a estes temas", garantiu à AFP.
Essa coragem para se mostrar vulnerável é a mesma que a leva a quebrar a neutralidade dos desportistas em temas sensíveis.
O seu quinto golo na Libertadores, nos quartos de final frente ao Libertad do Paraguai, chegou no mesmo dia das eleições presidenciais no Brasil.
Depois de converter uma grande penalidade frente às paraguaias, em Quito, Byanca celebrou formando um L com os dedos da mão direita, um símbolo de apoio àquele que venceria as eleições, o presidente esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva.
O mandatário brasileiro, que em janeiro iniciará o seu quarto mandato não consecutivo, promulgou este ano uma lei para tornar o futebol feminino uma "prioridade" nas políticas públicas do país.
"Escolho sempre falar, assumir uma posição e dar um bom exemplo, porque acredito que, mais tarde, isso fará com que outras atletas também assumam uma posição", afirmou depois de se qualificar para as meias-finais.
