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"Porque não?" Montse Tomé, ex-selecionadora de Espanha, vê-se a treinar em França

Montse Tomé, antiga selecionadora de Espanha
Montse Tomé, antiga selecionadora de EspanhaALEXANDER HASSENSTEIN / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

Selecionadora de Espanha durante dois anos, e adjunta de Jorge Vilda durante cinco, Montse Tomé nunca escondeu a sua atração pelo futebol francês. Numa entrevista concedida ao Flashscore, a técnica espanhola, atualmente sem clube, falou longamente sobre o seu olhar atento ao Hexágono, sobre o desenvolvimento da Liga francesa e sobre as suas ambições para o futuro.

"O futebol francês é um futebol para o qual sempre olhei, porque gosto, atrai-me", confessa de imediato Montse Tomé.

"Descobri-o porque defrontámos várias vezes a seleção francesa. Tem um potencial enorme e acredito que também tem um grande selecionador", acrescenta, referindo-se a Laurent Bonadei.

Um interesse que não se limitou à seleção nacional. Nos últimos meses, a antiga selecionadora de Espanha deslocou-se várias vezes para assistir a jogos da primeira divisão feminina francesa. 

"No último ano, desloquei-me para ver vários jogos da Liga francesa, porque acredito que é uma liga em pleno crescimento e que evoluiu bastante neste último ano", detalha: "Penso que também vai dar um passo importante em termos de jogo. Têm cada vez mais jogadoras de alto nível e vejo que há potencial."

"Acredito que o futebol francês tem um potencial enorme"

O Paris Saint-Germain, que foi ver na meia-final dos playoffs da Arkema Première Ligue, faz parte das equipas que mais a marcaram.

"É uma equipa que acompanhei bastante e que, creio, tem um plantel sólido, sobretudo com jogadoras jovens que podem fazer com que esta equipa tenha sucesso esta época", explica: "O Paris FC também é uma equipa que está sempre presente, que apresenta um futebol bastante interessante."

De forma mais abrangente, considera que o futebol francês dispõe de verdadeiras armas ofensivas: "Quando olhas para as equipas francesas, quando olhas para a seleção francesa, é uma seleção que tem jogadoras com grande capacidade para explorar o espaço, que tem boas laterais para progredir. Acredito que o futebol francês tem um potencial enorme."

No plano estrutural, a técnica espanhola faz uma comparação equilibrada entre os dois campeonatos.

"Acho que a Liga espanhola pratica um futebol diferente, um futebol distinto, talvez não tão vertical, nem tão rápido", analisa: "Sinto que, a nível estrutural, a Liga espanhola talvez tenha alguns anos de avanço em termos de estádios."

Ainda assim, elogia os progressos feitos do outro lado dos Pirenéus: "É verdade que este ano, na Liga francesa, conseguimos jogar em estádios importantes, e quase todos em relvado natural. É um passo importante."

E conclui este ponto com uma mensagem mais geral dirigida a todo o futebol feminino: "O que espero é que todas as etapas que cada liga tem de ultrapassar continuem a ser ultrapassadas. Que no futebol feminino se continue a apostar mais nos meios, a ter grandes profissionais à volta, para que as jogadoras estejam bem acompanhadas e bem orientadas. É nisso que temos de continuar a trabalhar."

Questionada sobre uma possível chegada a França, a ex-selecionadora de Espanha não fecha a porta, muito pelo contrário. 

"Porque não? Acho que, como digo, é uma liga que sempre observei, que sempre analisei muito, este futebol e estas jogadoras", responde.

"Aliás, a final da Liga das Nações que ganhámos foi contra a França. E bem, conheço muito bem o que é o futebol francês, a língua também, domino-a mais ou menos", acrescenta, resumindo a sua filosofia: "No fundo, estou aberta a bons projetos que queiram fazer as coisas bem, onde se seja competitivo e onde se possa ganhar."

"Quando chegar a nossa vez, vamos aproveitar a oportunidade"

Sobre a vontade de ter uma experiência no estrangeiro de forma mais alargada, mostra-se igualmente recetiva: "Coloco-me a questão de poder sair de Espanha, é evidente. Se surgir um projeto atrativo em Espanha, estamos atentos a tudo. E no estrangeiro também. Acho que depois da seleção, adquirimos uma bagagem importante de experiências com jogadoras do mais alto nível, as melhores do mundo, e isso, enquanto treinadora e equipa técnica, faz-nos continuar a evoluir."

Sem clube desde que saiu da seleção espanhola, Montse Tomé confirma que pondera seriamente uma nova experiência num banco: "Já tenho vontade de voltar a treinar. É aí que estamos, este ano chegaram-nos várias propostas, que estudámos e analisámos com atenção, e estamos num ponto em que em breve poderemos seguramente estar a treinar."

Ainda assim, modera as expectativas de uma mudança iminente para França, onde o mercado de treinadores já está praticamente fechado: "Acho que neste momento, na Liga francesa, quase tudo já está decidido, e em quase todas as ligas as coisas estão mais ou menos fechadas. Mas, claro, imprevistos podem sempre acontecer e estaremos preparados para tudo. No fim de contas, este mundo é um pouco assim: quando é a vez dos outros esperarem, espera-se, deseja-se o melhor aos treinadores, e quando chegar a nossa vez, vamos aproveitar a oportunidade."