Após a forte repercussão e reação negativa de parte dos adeptos vascaínos após o acordo com o Santos, o jogador quebrou o silêncio sobre a rescisão ocorrida em fevereiro deste ano.
"Muitos dizem que 'foram algumas vaias' nos meus últimos jogos, mas quem estava lá sabe. O estádio inteiro gritava o meu nome, insultava-me e pedia a minha saída. Aquilo foi muito duro, apesar de saber que isso acontece no futebol. Em nenhum momento abandonei o Vasco. Apenas estava no meu limite e, daquela forma, não conseguiria contribuir com nada", revelou.
"Fico triste, mas tenho espaço para falar. O Vasco, para mim, sempre foi a minha casa. Fui criado no Vasco, fiz a formação toda, cheguei a profissional. Sempre deixei clara a gratidão ao clube. Lá atrás, quando surgiu a possibilidade de ir, tinha um ano de contrato no Catar onde ganharia 10 milhões de dólares limpos. É a única vez que vou falar sobre isso. E ainda tinha um ano de contrato no Aston Villa", contou.
"Sempre deixei claro que não queria que o Vasco gastasse nada para o meu regresso. A única forma era abrir mão disso tudo. O meu salário de um ano e dos valores a receber do Aston Villa. Deixei tudo para vir ao Vasco pelo carinho", declarou.
A insistência de Neymar
O regresso ao ambiente profissional só se tornou realidade graças à insistência de Neymar, amigo de longa data com quem dividiu balneário desde os sub-16 da seleção brasileira até ao Campeonato do Mundo de 2022.
Coutinho revelou que o avançado santista foi a primeira pessoa do meio do futebol a procurá-lo no dia seguinte à sua saída do clube carioca e que recusou os dois primeiros convites antes de aceitar a proposta na terceira investida, há duas semanas.
"Com certeza o Neymar teve papel importante. Um jogador que dispensa comentários, um amigo que tenho desde criança. Foi a primeira pessoa no futebol que mandou mensagem quando saí do Vasco. Mandou no dia seguinte. Disse que seria um prazer jogar com ele, mas que naquele momento não dava, não estava bem", detalhou.
"Ele falou comigo depois de alguns meses, a minha resposta foi a mesma. E o tempo passou. Há duas semanas ele mandou outra mensagem, eu repensei. Tinha vontade de voltar a jogar. Por que não? Seria injusto eu não poder voltar a trabalhar", disse o reforço.
Apesar de ainda não ter alinhado detalhes táticos com a equipa técnica ou com o próprio camisola 10 sobre o posicionamento em campo, Coutinho garantiu que o foco principal nesta nova etapa é recuperar o prazer em atuar ao alto nível.
"O futebol sempre foi minha paixão. Por um tempo perdi isso. Qualquer pessoa que trabalha precisa de ter um propósito. Ter sentido. Durante um tempo perdi isso. Quando estive fora reconectei-me com coisas simples que me fizeram tomar a decisão de vir", admitiu.
"O que me motiva é voltar a ser alegre. Sempre joguei porque é algo que sempre fui apaixonado. Hoje jogar ao lado de grandes craques numa instituição gigante. É isso que me motiva", completou o novo reforço alvinegro.
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