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Faturas mostram que antigo presidente do São Paulo gastou mais de 150 mil euros do clube

Julio Casares liderou o São Paulo durante cerca de cinco anos
Julio Casares liderou o São Paulo durante cerca de cinco anosEduardo Carmim/Zuma Press/Profimedia

Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, gastou mais de R$ 1 milhão (157 mil euros) em cartão corporativo do clube ao longo dos cinco anos em que esteve no comando da instituição. Os dados constam de faturas entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025.

De acordo com informações reveladas pelo ge, o ex-dirigente devolveu R$ 560.401,74 (96.557 euros) ao São Paulo, referentes a despesas de caráter pessoal.

A devolução, no entanto, só ocorreu em novembro do ano passado. Por causa do episódio, Julio Casares agora pode ser expulso do clube, sob acusação de gestão temerária ou irregular.

Os documentos revelam também um crescimento expressivo no uso do cartão ao longo da gestão. Em 2021, ano em que assumiu o cargo, Casares gastou cerca de R$ 20 mil (3400 euros). Em 2024, o valor somado chegou a R$ 428.568,52 (73.842 euros) e em 2025 — o seu último ano à frente do clube — as faturas, de janeiro a novembro, totalizaram R$ 342.352,43 (58.986 euros).

As faturas mostram que o cartão corporativo foi usado 71 vezes na casa de charutos Esch Café e 53 vezes no restaurante Gero, um dos mais concorridos de São Paulo, além de compras em lojas como a Prada, e gastos durante uma viagem com a seleção brasileira aos Estados Unidos. Há ainda registos de despesas pessoais, como consultas a um endocrinologista e idas a um salão de beleza.

Parte desses valores corresponde a despesas ligadas à função exercida por Julio Casares, como os R$ 70.376,42 (12.125 euros) gastos no hotel em que a equipa se hospedou para enfrentar o Cuiabá, em julho de 2023, além de outras ocasiões em que o dirigente estava ao serviço do clube, em reuniões e encontros com empresários. Por esse motivo, não precisou de devolver o valor total gasto no cartão.

Julio Casares sofreu um impeachment no início de 2026
Julio Casares sofreu um impeachment no início de 2026ČTK/imago sportfotodienst/Rodilei Morais

Até dezembro do ano passado, o São Paulo não tinha uma política formal de uso do cartão corporativo — regra que só foi criada ainda durante a gestão de Julio Casares. Um documento distribuído aos funcionários no fim de 2025 estabelece que "o cartão corporativo é de uso exclusivamente institucional, sendo vedada qualquer utilização para fins pessoais".

O ex-dirigente do São Paulo manifestou-se através do seu advogado, Bruno Borragine. Segundo essa fonte, o ex-presidente já restituiu o clube nos valores referentes aos gastos pessoais e os outros foram feitos no exercício da função.

"Os valores por ele restituído são aqueles suscetíveis a interpretação do uso do cartão de forma particular, em que pese o cartão corporativo tenha sido utilizado, única e exclusivamente, no exercício inerente à função de Julio Casares, enquanto Presidente do São Paulo Futebol Clube", iniciou.

"Quanto aos demais valores, tratam-se de gastos operacionais, do dia-a-dia, que o setor financeiro tem os registros. Considerando que não existia, no âmbito do São Paulo Futebol Clube, normas referentes ao uso do cartão corporativo, Julio Casares propôs norma ao Compliance, que fora aprovada no Conselho de Administração sobre o uso do cartão corporativo e o eventual reembolso", disse a defesa do ex-presidente do clube brasileiro.

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