Enquanto Cristian Chivu, recém-coroado campeão de Itália, reúne-se com a direção do Inter de Milão para planear o futuro nerazzurro entre renovação de contrato, novo cargo diretivo e estratégias de mercado para consolidar o domínio nacional e crescer ainda mais na Europa, o resto dos grandes da Serie A continuam a viver semanas de grande incerteza no plano desportivo e, consequentemente, no banco.
Paradoxalmente, são precisamente as equipas que perseguem os nerazzurri na classificação que têm mais dúvidas. Atualmente, entre as equipas do topo da tabela, apenas Gian Piero Gasperini, na Roma, e Cesc Fàbregas, no Como, parecem realmente certos da sua continuidade para a próxima época.
Para quase todo o resto do grupo, porém, os últimos noventa minutos do campeonato podem pesar muito nas decisões futuras.
Efeito dominó
No que diz respeito ao Nápoles, a situação mantém-se escaldante, mas por outros motivos. Apesar de a qualificação para a próxima Liga dos Campeões já estar garantida, a saída de Antonio Conte – um dos principais candidatos a substituir Gennaro Gattuso no banco da seleção italiana – parece cada vez mais provável. E para o pós-Conte, ganha força um regresso surpreendente: o de Maurizio Sarri.
O técnico toscano, também seguido pela Atalanta, pode assim deixar a Lazio após meses complicados e marcados por constantes desentendimentos com Claudio Lotito. Uma relação que nunca chegou verdadeiramente a arrancar e que pode chegar ao fim já no próximo fim de semana. Em caso de separação, a primeira peça do dominó cairia, levando o presidente dos biancocelesti a escolher, entre vários perfis avaliados, Raffaele Palladino.
O atual treinador da Atalanta, de facto, não terá convencido totalmente o ambiente de Bérgamo e, nas últimas semanas, terão surgido algumas divergências internas que podem levar a uma separação antecipada logo após a última jornada. Palladino continua, no entanto, a ser um dos nomes seguidos pela Juventus caso Luciano Spalletti não continue a sua experiência em Turim.
As dúvidas de Spalletti
E é precisamente a situação da Juventus uma das mais delicadas de toda a Serie A. E pode tornar-se ainda mais complicada caso falhe – e, neste momento, parece pouco provável – a qualificação para a Liga dos Campeões.
Apesar da recente renovação assinada com o clube de Turim, a pesada derrota frente à Fiorentina reabriu questões importantes sobre o futuro do antigo selecionador italiano. Spalletti já terá dado a entender que pretende reunir-se com John Elkann no final da época para discutir o projeto futuro da Juventus.
De momento, contudo, parece mais provável uma revolução na direção do que propriamente no comando técnico, mas a continuidade do treinador toscano não pode ser dada como garantida, pois Spalletti encararia a exclusão da próxima edição da principal competição europeia como um fracasso pessoal.
A noventa minutos do fim do campeonato italiano, os bianconeri encontram-se, de facto, a dois pontos de AC Milan e Roma e empatados com o Como, tornando a última jornada decisiva não só para o apuramento europeu, mas também para a estabilidade do projeto técnico.
Allegri entre Milão e Coverciano
O mesmo se aplica a Massimiliano Allegri. O treinador do AC Milan, tal como Antonio Conte, terá entrado na órbita da seleção italiana como possível candidato para iniciar um novo ciclo azzurro após o terceiro fracasso consecutivo no Mundial. Mas antes de qualquer conversa sobre o futuro, também neste caso, é fundamental perceber se o AC Milan conseguirá ou não garantir a presença na Liga dos Campeões.

Sem o quarto lugar, de facto, é difícil imaginar uma confirmação automática de Massimiliano Allegri no banco rossonero. Nos últimos dias, além disso, o seu nome foi também associado ao Nápoles, embora neste momento a hipótese Sarri seja claramente mais concreta e avançada do que qualquer outra solução.
O que é certo é que as peças Spalletti e Allegri são as mais importantes: se caírem, o vaivém de treinadores no verão será muito, mas mesmo muito, frenético.
