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Há 40 anos, Palmeiras abraçou o porco, antes pejorativo, como mascote oficial

Adepto do Palmeiras com máscara de porco, no Allianz Parque
Adepto do Palmeiras com máscara de porco, no Allianz ParqueProfimedia

Um acidente de carro em 28 de abril de 1969, na Marginal Tietê, em São Paulo, matou dois jogadores importantes do Corinthians: o extremo Lidu, de 24 anos, e o lateral Eduardo, de 21. As inscrições para o Campeonato Paulista já estavam encerradas e o Timão solicitou aos demais clubes autorização para usar dois substitutos.

A comoção da época levou 30 mil pessoas ao velório dos atletas, no Parque São Jorge — sede, até hoje, do Alvinegro.

O Palmeiras foi o único clube a dizer "não". Na época, um jornalista chamou o então diretor de futebol palmeirense de “porco”, termo pejorativo também associado aos fascistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Corta para os anos 1980.

Dirigível em formato de porco no Allianz Parque, em 2016
Dirigível em formato de porco no Allianz Parque, em 2016LEVI BIANCO / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

Em 1983, o gerente de marketing do Palmeiras, João Roberto Gobbato, lançou internamente a ideia de adotar o porco como mascote oficial do Verdão, que até então tinha o periquito como símbolo. A ala mais antiga dos cartolas rejeitou a proposta, mas as claques organizadas do clube abraçaram a causa.

Embora haja divergências sobre quando o grito “E dá-lhe porco! E dá-lhe porco!” ecoou pela primeira vez nas bancadas alviverdes, um clássico contra o Santos, vencido pelo Verdão por 1-0, com golo de Mirandinha, em 29 de outubro de 1986, tornou-se o grande marco do nascimento do novo mascote.

Porquinhos de porcelana começaram a ser vendidos na época e, rapidamente, o apelido pegou.

Expansão

Para os jovens palmeirenses, segundo o site oficial do clube, a adoção representava um golpe no conservadorismo e um passo rumo à modernidade. Do Pacaembu, palco daquele jogo contra o Santos, o grito chegou ao Morumbi e espalhou-se.

A nova alcunha, que ganhou projeção com uma capa da revista Placar na qual o médio Jorginho, líder da equipa, aparecia com um leitão no colo, surgiu num período que hoje parece inimaginável para palmeirenses com menos de 40 anos.

Capa da revista Placar de 1986 com o jogador Jorginho
Capa da revista Placar de 1986 com o jogador JorginhoReprodução

O Palmeiras estava na fila desde 1976, ano em que havia conquistado o seu último Campeonato Paulista até então.

Disputado em pontos corridos, o título foi garantido no Parque Antarctica, antigo estádio do Verdão no mesmo local do atual, com uma vitória por 1-0 sobre o XV de Piracicaba, golo de Jorge Mendonça.

Naquele mesmo ano de 1986, pouco mais de um mês antes de o grito de “porco” ganhar força, veio outro choque. Com o Morumbi lotado, o Palmeiras perdeu o Campeonato Paulista frente ao Inter de Limeira.

Heróis de 1993 são homenageados em 2016
Heróis de 1993 são homenageados em 2016DANIEL VORLEY / AGIF VIA AFP

A fila só terminaria em 1993. Em 12 de junho daquele ano, o Verdão goleou o Corinthians por 4-0 no Morumbi e conquistou o Paulista, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo e impulsionado pela parceria com a empresa italiana Parmalat. Foram longos 16 anos, 9 meses e 25 dias entre um título e outro. 

O mascote hoje adorado, que chegou a virar um dirigível durante a gestão do presidente Paulo Nobre, em 2015, nasceu numa das piores fases da história do clube: a década falhada de 1980. 

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