A comoção da época levou 30 mil pessoas ao velório dos atletas, no Parque São Jorge — sede, até hoje, do Alvinegro.
O Palmeiras foi o único clube a dizer "não". Na época, um jornalista chamou o então diretor de futebol palmeirense de “porco”, termo pejorativo também associado aos fascistas durante a Segunda Guerra Mundial.
Corta para os anos 1980.

Em 1983, o gerente de marketing do Palmeiras, João Roberto Gobbato, lançou internamente a ideia de adotar o porco como mascote oficial do Verdão, que até então tinha o periquito como símbolo. A ala mais antiga dos cartolas rejeitou a proposta, mas as claques organizadas do clube abraçaram a causa.
Embora haja divergências sobre quando o grito “E dá-lhe porco! E dá-lhe porco!” ecoou pela primeira vez nas bancadas alviverdes, um clássico contra o Santos, vencido pelo Verdão por 1-0, com golo de Mirandinha, em 29 de outubro de 1986, tornou-se o grande marco do nascimento do novo mascote.
Porquinhos de porcelana começaram a ser vendidos na época e, rapidamente, o apelido pegou.
Expansão
Para os jovens palmeirenses, segundo o site oficial do clube, a adoção representava um golpe no conservadorismo e um passo rumo à modernidade. Do Pacaembu, palco daquele jogo contra o Santos, o grito chegou ao Morumbi e espalhou-se.
A nova alcunha, que ganhou projeção com uma capa da revista Placar na qual o médio Jorginho, líder da equipa, aparecia com um leitão no colo, surgiu num período que hoje parece inimaginável para palmeirenses com menos de 40 anos.

O Palmeiras estava na fila desde 1976, ano em que havia conquistado o seu último Campeonato Paulista até então.
Disputado em pontos corridos, o título foi garantido no Parque Antarctica, antigo estádio do Verdão no mesmo local do atual, com uma vitória por 1-0 sobre o XV de Piracicaba, golo de Jorge Mendonça.
Naquele mesmo ano de 1986, pouco mais de um mês antes de o grito de “porco” ganhar força, veio outro choque. Com o Morumbi lotado, o Palmeiras perdeu o Campeonato Paulista frente ao Inter de Limeira.

A fila só terminaria em 1993. Em 12 de junho daquele ano, o Verdão goleou o Corinthians por 4-0 no Morumbi e conquistou o Paulista, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo e impulsionado pela parceria com a empresa italiana Parmalat. Foram longos 16 anos, 9 meses e 25 dias entre um título e outro.
O mascote hoje adorado, que chegou a virar um dirigível durante a gestão do presidente Paulo Nobre, em 2015, nasceu numa das piores fases da história do clube: a década falhada de 1980.
