Mega-investigação em Nápoles: um milhão de dados roubados e revendidos, 10 detenções já efetuadas

Nicola Gratteri, procurador de Nápoles
Nicola Gratteri, procurador de NápolesRoberto Brancolini / Zuma Press / Profimedia

Foram violados arquivos da polícia, da Segurança Social e da Autoridade Tributária Italiana, para obter informações sobre figuras públicas, empresários e desportistas. Preços entre 6 e 25 euros. Estão envolvidas várias cidades italianas.

Um sistema organizado, capaz de aceder ilegalmente às principais bases de dados públicas e rentabilizar informações confidenciais sobre figuras conhecidas, empresários e cidadãos comuns. Este é o cenário traçado pela mega investigação coordenada pelo Ministério Público de Nápoles, que resultou em 4 detenções em prisão preventiva, 6 em prisão domiciliária e várias outras medidas cautelares de menor gravidade. 

De acordo com os investigadores, terão sido realizados mais de um milhão de acessos não autorizados aos arquivos das forças policiais, da Segurança Social e da Autoridade Tributária. Os dados obtidos eram depois vendidos no mercado clandestino com tabelas de preços detalhadas: entre 6 e 11 euros por consultas relacionadas com a Segurança Social, Correios ou Fisco, até 25 euros por informações provenientes dos sistemas das forças de segurança.

As vítimas

A investigação foi desenvolvida pelo grupo cibernético da Procuradoria napolitana, liderado pelo procurador-adjunto Vincenzo Piscitelli, com o apoio da Polícia Judiciária e da Esquadra Móvel. O procurador Nicola Gratteri explicou que a investigação beneficiou também da colaboração da Direção Nacional Antimáfia e da articulação com outros ministérios públicos, incluindo Milão.

Entre os lesados encontram-se futebolistas, antigos atletas, artistas e cantores de renome nacional.

"Conseguimos apreender um servidor no norte de Itália que centralizava estes dados", declarou Gratteri, acrescentando que o material subtraído e posteriormente comercializado seria enorme: "O volume de vendas era florescente".

Os crimes

Os crimes imputados incluem acesso abusivo a sistemas informáticos, corrupção e violação de segredo de justiça. Segundo as autoridades, a rede teria ramificações na Campânia, Roma, Ferrara, Belluno e Bolzano.

O procurador-adjunto Piscitelli salientou que foram identificados elementos das forças de segurança que terão contornado os protocolos internos: "Existem ainda organizações e agências que transmitem estas informações a terceiros. O elemento novo é o valor das informações confidenciais, que têm um mercado muito ativo".

Os acessos

O chefe da Esquadra Móvel, Mario Grassia, reconstituiu um dos pontos-chave da investigação: "Detetámos um número anómalo de acessos por parte de dois agentes da polícia. Em dois anos, um deles violou o acesso mais de 600 mil vezes, o outro 130 mil, sem qualquer justificação de serviço".

Após as primeiras buscas, terão sido identificadas também as empresas destinatárias dos dados, com tabelas de preços guardadas em ficheiros Excel.

A concluir, o responsável do Centro Operacional para a Segurança Cibernética, Dario Mongiovì: "Com os conhecimentos informáticos adequados, conseguimos, em conjunto com a esquadra móvel, realizar operações técnicas e chegar ao fio da meada".

Uma investigação que, segundo o Ministério Público, poderá representar apenas uma parte de um fenómeno muito mais vasto a nível nacional.