Este foi verdadeiramente um jogo de proporções sísmicas.
A preparação para este dérbi entre o Galatasaray e o Fenerbahçe foi marcada por grande intensidade e barulho, enquanto os adeptos neutros estavam completamente fascinados com o que poderia acontecer. Este jogo tinha todos os ingredientes de uma verdadeira decisão de título – quase como uma final da Superliga – entre dois clubes com enorme animosidade entre si.
Também se falou muito sobre a nomeação do árbitro antes do encontro, com ambos os clubes a trocarem provocações, e o Galatasaray especialmente descontente com a escolha de Yasin Kol.
O Fenerbahçe chegou ao jogo a saber que precisava de vencer no Rams Park. Com quatro pontos de desvantagem e apenas quatro jornadas por disputar, um empate não lhes servia. Tinham de surpreender o rival em casa e reduzir a diferença para apenas um ponto.
O Galatasaray tinha alguma margem de manobra, mas não estava disposto a jogar para o empate. Queria vencer o Fenerbahçe, eliminar de vez as hipóteses do adversário conquistar o título e proporcionar semanas de festa aos seus adeptos.
Os tricampeões em título foram reforçados pelo regresso de Victor Osimhen ao onze inicial, mas Marco Asensio só estava apto para o banco dos visitantes.
O avançado do Fener, Kerem Akturkoglu, também regressava ao estádio que já foi a sua casa, depois de cinco anos no Gala antes de se transferir para o Benfica. Como seria de esperar, não teve uma receção calorosa antes nem durante o jogo.
O encontro começou e, curiosamente, o Fener foi claramente superior nos primeiros 15 minutos. A pressão alta estava a causar muitos problemas ao Galatasaray, que tinha dificuldades em sair a jogar e em ligar passes.
Foram recompensados pelo arranque fulgurante quando Davinson Sánchez cometeu falta sobre Sidiki Cherif na área, originando um penálti para o Fenerbahçe. Um cenário de sonho para a equipa visitante: oportunidade de silenciar o público da casa e ganhar embalo logo no início.
Anderson Talisca assumiu a marcação... e atirou ao lado do poste. O rugido das bancadas foi ensurdecedor e Talisca mal acreditava no que tinha feito.

Na verdade, esse foi o momento decisivo do encontro. O Fenerbahçe ficou abatido e o ímpeto mudou completamente.
O Galatasaray começou a acelerar o ritmo e a jogar com mais confiança, enquanto o Fenerbahçe parecia apático e desanimado. Terá a grande penalidade falhada afetado tanto a equipa?
A pressão aumentava e o Gala deveria ter beneficiado de um penálti quando Leroy Sané foi claramente derrubado na área.
Contudo, finalmente, a equipa da casa adiantou-se cinco minutos antes do intervalo. Ismail Jakobs lançou longo para a área, Mario Lemina desviou de cabeça e Osimhen controlou de forma brilhante antes de introduzir a bola na baliza com o joelho.
Foi o 13.º golo do nigeriano nesta edição da Superliga, marcada por lesões e pela Taça das Nações Africanas, tendo voltado a mostrar o seu valor nos grandes jogos. É por isso que investiram tanto nele.
Chegou o intervalo, mas nada mudou após o reatamento. O Galatasaray procurava fechar o jogo de vez.
Lucas Torreira ainda pensou ter feito o segundo, mas o lance foi anulado por fora de jogo.
Ederson expulso
Mas, à passagem da hora de jogo, o destino do Fenerbahçe ficou selado.
Yunus Akgun foi derrubado na área e foi assinalada nova grande penalidade. O guarda-redes Ederson, já amarelado, começou a protestar de forma agressiva com o árbitro e recusou-se a afastar-se da marca de penálti, mesmo após vários avisos.
Depois de várias oportunidades para regressar à baliza, acabou por ver o segundo amarelo devido à sua atitude e foi expulso.
Um momento muito negativo para o antigo jogador do Manchester City. Desde que chegou ao Fenerbahçe, o ex-Benfica tem passado por grandes dificuldades, cometendo erros e prejudicando a sua equipa.
Mas este comportamento do brasileiro foi irresponsável e pouco profissional, deixando os colegas em maus lençóis, quase como se estivesse a pedir para ser expulso.
Baris Alper Yilmaz converteu então o penálti, celebrando à imagem de Cristiano Ronaldo, exibindo-se para as câmaras. O jogo ficou praticamente decidido.
A partir daí, o Fenerbahçe limitou-se a cumprir calendário, enquanto jogadores e adeptos do Galatasaray desfrutavam do momento. Estavam a humilhar o rival.
Torreira – que fez uma exibição fantástica – colocou a cereja no topo do bolo a cerca de 10 minutos do fim, aproveitando um erro do guarda-redes suplente Mert Gunok para fechar o 3-0, colocando a equipa sete pontos à frente e praticamente a garantir o título para o Galatasaray.
Excluindo os primeiros 15 minutos, foi uma vitória categórica e sensacional do Gala, a mostrar porque tem dominado o futebol turco nos últimos anos e a distância que existe para qualquer outro clube do país.
Sané fez uma das suas melhores exibições com a camisola do Galatasaray e jogadores como Lemina, Torreira e Sánchez, que tiveram épocas irregulares, elevaram o nível e estiveram em grande plano.
O treinador Okan Buruk é muitas vezes criticado pelo seu estilo de jogo, considerado algo previsível e dependente do talento individual dos jogadores. Mas está prestes a tornar-se apenas o segundo treinador da história da Superliga turca a conquistar quatro títulos consecutivos, depois de Fatih Terim ter alcançado esse feito entre 1996 e 2000 com o Galatasaray.
Será também o 26.º título da Superliga turca, ampliando o recorde do clube.
Fracasso do Fenerbahçe
Para o Fener, trata-se de um resultado desastroso numa época de novo fracasso.
Tal como o Gala, investiram fortemente, com o único objetivo de conquistar a Liga pela primeira vez em 12 anos. Uma seca destas é inaceitável para um clube como este, que fez tudo para acabar com o jejum e conquistar o 20.º título.
No entanto, falharam sistematicamente nos momentos decisivos e o empenho e comportamento de alguns jogadores neste jogo foram preocupantes e reveladores.
As consequências da derrota foram enormes.
O treinador principal Domenico Tedesco e o Diretor Desportivo Devin Ozek foram despedidos no dia seguinte, mas os problemas vão muito além deles. Os treinadores sucedem-se, mas a equipa continua a falhar da mesma forma.
A cultura do clube está completamente errada, desde a direção até à base. Existe uma mentalidade de vítima enraizada, como se todos estivessem contra eles e lutassem contra o sistema.
Nunca assumem a responsabilidade, apesar de tomarem decisões estranhas no mercado de transferências e de cederem nos jogos sempre da mesma maneira.
N'Golo Kanté foi um espectador no meio-campo frente ao Galatasaray, completamente perdido. Mas o que esperavam?
Tem 35 anos, vinha de jogar na Arábia Saudita e é apenas uma sombra do jogador que já foi. Porque insistiram tanto nele em janeiro e pagaram valores tão elevados para o contratar?
Dispensaram Jhon Duran e Youssef En-Nesyri no inverno e ficaram apenas com o jovem Cherif, de 19 anos, como única opção para avançado. Como é possível ficarem tão curtos numa posição tão importante?
O Fenerbahçe já anunciou um congresso geral extraordinário para junho, no qual haverá eleições para um novo Presidente do Clube.
O atual presidente, Sadettin Saran, que sucedeu a Ali Koc no ano passado, vai abandonar o cargo, enquanto procuram alguém para liderar o clube.
Precisam de alguém que mude a mentalidade do clube de futebol, contrate pessoas dispostas a assumir responsabilidades e tomar decisões sensatas, e mantenha o foco interno em vez de criar ruído externo.
Vão atravessar meses de incerteza e sofrimento, dentro e fora do relvado.
Ainda assim, podia ter sido pior.
O Trabzonspor perdeu 1-2 no terreno do Konyaspor na segunda-feira à noite, graças a um bis do antigo jogador do Galatasaray Berkan Kutlu, o que significa que somou apenas dois pontos nos últimos nove possíveis.
Poderão ter desperdiçado o segundo lugar sendo que, se tivessem vencido esses três jogos, estariam a apenas dois pontos do Galatasaray no topo.
Desvaneceram-se e perderam uma oportunidade enorme. Ainda assim, estão apenas a dois pontos do Fenerbahçe e esperam ultrapassá-los e terminar em segundo, o que seria um desastre ainda maior para o emblema de Istambul.

Equipa da Semana

Umut Bozok é o Jogador da Semana Flashscore, segundo o nosso sistema interno de avaliações, depois de ter marcado um golo e feito duas assistências na vitória crucial do Eyupspor por 3-0 frente ao Gaziantep, que permitiu à equipa sair da zona de despromoção.
Berkan, do Konya, também integra a equipa, juntamente com o duo do Galatasaray, Torreira e Osimhen, enquanto Emmanuel Agbadou, do Besiktas, surge na defesa.
