Reveja aqui as principais incidências da partida

É um daqueles termos já entranhados no léxico do futebol. A chicotada psicológica. A arma decisiva de que os presidentes dispõem para tentar inverter o rumo de uma equipa que por norma está a desiludir.
Uma palavra que não era estranha aos adeptos de SC Braga e Famalicão. Apontados a lugares europeus no arranque da temporada, começaram o campeonato aquém das expectativas e na mesma semana viram sair os respetivos treinadores – Carlos Vicens e Carlos Carvalhal – mas na hora de encontrar o substituto tiveram abordagens diferentes. Os arsenalistas encontraram Franclim Carvalho, os famalicenses apostaram em Ricardo Silva.
E este jogo da Taça da Liga demonstrou os dois lados do chicote. Motivado depois de uma goleada ao Rio Ave, o conjunto forasteiro soube aplacar uma melhor entrada do SC Braga e na primeira oportunidade desferiu um golpe mortal. Uma perda de bola de Arrey-Mbi – lateral improvisado num plantel onde não existem laterais-esquerdos de raiz – resultou na correria de Peña para assistir Koutsias na área (16’).
A festa foi de pouca dura, porque logo de seguida, o encontro complicou-se para o SC Braga com a lesão de Mathias de Amorim, após um lance infeliz com Barcia que caiu em cima do tornozelo do adversário. Levantado de maca, deixou a equipa um pouco abananada e com o estreante Gabriel Cabral a fazer de tudo para suster os remates de Ricardo Horta e Tiknaz.
Contudo, o herói passou a vilão. Na sequência de um canto, Koutsias desviou a bola com a mão e foi assinalado penálti. Chamado a converter, Ricardo Horta não desperdiçou e empatou a partida. Um calmante para o SC Braga? Longe disso.
As dificuldades defensivas continuam a ser uma evidência nos arsenalistas, sobretudo pelo lado esquerdo e a arrancada de Rodrigo Pinheiro terminou com Bernardo Fontes a atropelar autenticamente Koutsias para recuperar a bola. Assinalado penálti, o grego foi para a marca dos 11 metros redimir-se e devolver a vantagem ao Famalicão.
O segundo tempo trouxe, como se esperava, um SC Braga mais ofensivo. Se com Carlos Vicens a equipa parecia alérgica aos cruzamentos, com Franclim Carvalho foi a principal arma. Jonas Wind saltou do banco, Pau Víctor juntou-se a ele na frente, o jovem Flinto Costa tentou dar energia à equipa. Nada parecia funcionar, até que Gabriel Cabral estragou a pintura e aos 88 minutos, numa tentativa de sacudir uma bola socou Jonas Wind e foi assinalado o terceiro penálti do encontro. Responsabilidade máxima para Ricardo Horta que do alto da sua experiência não tremeu e empatou tudo (89’).
Sem tempo para muito mais, o bilhete para a final four ia ser decidido na marca de 11 metros. E aí, o futebol teve mais uma história de redenção. Se tinha falhado num dos últimos lances do jogo, Gabriel Cabral tornou-se herói ao defender os remates de Ricardo Horta, Jonas Wind e Dorgeles. Coube a Paulo Moreira bater o penálti que enviou o Famalicão para a final four da Taça da Liga.
Pela primeira vez nesta fase da prova, os famalicenses vão defrontar o Sporting nas meias-finais.

Homem do jogo Flashscore: Gabriel Cabral (Famalicão).

