Quando começou a jogar futebol, não havia tantos clubes femininos como hoje, e a maioria das futebolistas começava nas categorias jovens de equipas locais de rapazes. Segundo Sue Smith, também as condições e os métodos de treino mudaram. "Quando comecei a jogar pelo Tranmere, treinávamos duas vezes por semana, numa altura em que o clube estava entre os melhores do futebol feminino. Agora tudo é diferente: as condições de treino melhoraram, as raparigas já podem jogar futebol na escola e tudo mudou drasticamente, o que é fantástico", considera.
A figura do treinador é, naturalmente, também importante para o desenvolvimento de jogadores e jogadoras. "Acho que não tive propriamente treino até jogar pela seleção inglesa. Tinha 17 anos nessa altura. Naquele tempo, não havia treinadores suficientes preparados para orientar uma equipa feminina", confessou a antiga extremo.
As treinadoras podem também servir de exemplo. "Há um esforço crescente para envolver mais treinadoras e as raparigas mais jovens podem seguir esse caminho. É importante que vejam que podem tornar-se futebolistas profissionais, mas também treinadoras."
Atualmente, Sue Smith trabalha como repórter e analista em várias plataformas. Também esse foi, de certa forma, um passo para o desconhecido, sobretudo porque, por exemplo, era frequentemente a única mulher na zona mista. "Gosto de desafios", começou por dizer, sorrindo. "Por vezes era um pouco intimidante, mas cresci num ambiente masculino e tenho vários amigos muito bons, por isso estava tranquila. Para outras comentadoras ou co-comentadoras com quem falei, porém, foi difícil ultrapassar essa barreira", explicou, referindo-se à sua experiência de trabalho num ambiente predominantemente masculino.
"Todos foram incríveis e ajudaram-me imenso", recordou também ao falar dos seus primeiros tempos diante das câmaras. A maior parte das críticas vinha — e continua a vir — sobretudo do exterior. "As redes sociais são o pior. Hoje ignoro-as, mas antes consultava-as quase constantemente e perguntava-me por que razão as pessoas escreviam aquelas coisas sobre mim. Agora isso já não é importante para mim. Enquanto as pessoas de quem gosto acharem que faço um bom trabalho, isso é a única coisa que realmente me interessa", concluiu.
