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Sul-Americana: Cienciano quer fazer história diante do Botafogo

Cienciano goleou o Botafogo por 6-1 em Cusco
Cienciano goleou o Botafogo por 6-1 em CuscoJOSÉ ANGULO/AFP

O emblema do Peru goleou o Botafogo por 6-1 em Cusco e vai tentar carimbar o apuramento para os quartos de final da Sul-Americana no Brasil, onde defenderá uma vantagem histórica.

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Cienciano está a um passo dos quartos de final da Sul-Americana. O Papá protagonizou uma das exibições mais contundentes da história internacional ao golear o Botafogo por 6-1 no Estádio Inca Garcilaso de la Vega, em Cusco, na primeira mão dos oitavos de final. Agora terá de defender essa enorme vantagem no Brasil.

O resultado deixou a equipa cusquenha com cinco golos de vantagem para a segunda mão. Matías Succar foi a grande figura da noite ao apontar um hat-trick, enquanto Neri Bandiera bisou e Marcos Martinich fechou a goleada. Matheus Martins reduziu para o conjunto brasileiro.

A segunda mão será disputada esta quinta-feira, 20 de agosto, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. O Botafogo precisa de vencer por cinco golos para igualar o resultado agregado e forçar o desempate por penáltis, enquanto uma diferença maior permitir-lhe-ia consumar uma reviravolta que, depois do que aconteceu em Cusco, parece uma tarefa hercúlea.

Mas o Cienciano não viaja ao Brasil apenas com o 6-1 como trunfo. O Papá pode também olhar para trás e encontrar vários antecedentes que explicam porque é que as equipas brasileiras têm sentido dificuldades quando defrontam a formação cusquenha.

Cienciano e uma história especial frente aos brasileiros

A relação do Cienciano com os clubes do Brasil tem um dos seus primeiros grandes capítulos na Libertadores de 2002. Nessa edição, o conjunto imperial recebeu o Grémio em Cusco e conseguiu uma vitória por 2-1. Foi um dos resultados que começaram a construir a reputação internacional da equipa.

Um ano depois chegaria o capítulo mais importante. O Cienciano defrontou o Santos nos quartos de final da Sul-Americana de 2003, competição que acabaria por vencer. Na primeira mão, disputada no Brasil, conseguiu um empate 1-1. Depois, em Cusco, venceu por 2-1 e eliminou o histórico conjunto brasileiro.

Esse triunfo frente ao Santos tem um valor especial porque aconteceu durante a campanha que transformou o Papá no único clube peruano a conquistar um troféu internacional oficial de clubes. Essa equipa, orientada por Freddy Ternero, acabaria por levantar a Sul-Americana e, posteriormente, a Recopa Sul-Americana.

Depois desses episódios, o Cienciano voltou a cruzar-se com representantes brasileiros em várias competições. Na Libertadores defrontou o São Paulo e o Flamengo, enquanto na Sul-Americana teve como adversário o Atlético Mineiro. Os resultados nem sempre foram favoráveis, mas a equipa cusquenha conseguiu construir um registo respeitável frente aos clubes do gigante sul-americano.

O fator casa em Cusco surge como um dos principais trunfos. O Estádio Inca Garcilaso de la Vega tem sido palco de triunfos importantes para o Papá e a altitude torna-se num elemento que os visitantes têm de suportar. O recente 6-1 frente ao Botafogo é o exemplo mais claro disso.

Botafogo já sentiu na pele 

Apesar do historial entre Cienciano e Botafogo ser recente, o conjunto carioca já faz parte da história internacional do Papá. O jogo da primeira mão em Cusco foi o primeiro confronto oficial entre ambos os clubes e terminou com uma goleada que dificilmente será esquecida.

Por isso, o último antecedente não é apenas mais um para o Cienciano. O 6-1 permite-lhe chegar ao Rio de Janeiro com uma vantagem que nenhuma equipa peruana tinha conseguido frente ao Botafogo numa fase a eliminar de uma competição continental.

O panorama, além disso, mudou no conjunto brasileiro. O Botafogo decidiu afastar o treinador Franclim Carvalho após a derrota frente ao Cienciano e Rodrigo Bellão assumirá interinamente para a segunda mão. O conjunto carioca chega obrigado a procurar uma reviravolta histórica no seu próprio estádio.

O Cienciano, por sua vez, sabe que não precisa de repetir a exibição de Cusco. O seu objetivo será gerir a vantagem, evitar erros e jogar com a pressão que o adversário sentirá desde o primeiro minuto.

Papá já deu o golpe. Agora resta-lhe completar a missão no Brasil. E se conseguir fazê-lo, voltará a escrever uma página importante da sua história internacional, precisamente frente a mais um adversário brasileiro.

O registo do Rojo Imperial frente a representantes do Brasil é especialmente impressionante: Sete jogos, três vitórias, três empates e uma derrota