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Vindo da Liga Europa após a eliminação frente ao Ferencvaros (0-1 e 1-1), o Górnik Zabrze não é um completo desconhecido para o Mónaco. Filipe Luis dedicou tempo a estudar o adversário antes deste encontro, explicando que viu muitos jogos dos polacos, tanto na época passada como nesta, nomeadamente os duelos frente ao Fenerbahçe e ao Ferencvaros, dois encontros disputados num ambiente fervoroso em casa. O treinador monegasco destaca sobretudo um estilo de jogo bem definido, assente maioritariamente em transições rápidas, com jogadores perigosos nas alas mas também capazes de segurar a bola com qualidade. "Será um adversário difícil de contrariar", resume.
Um desafio institucional para o clube do Principado
Para além do aspeto desportivo, Filipe Luis sublinha a importância institucional deste duplo confronto: "É uma competição muito importante para o clube porque o Mónaco tem de estar na Europa todas as épocas". O técnico vê aqui uma oportunidade essencial para dar minutos e concorrência a todo o seu plantel, desde que ultrapasse esta eliminatória. Não ignora, aliás, o percurso atípico do adversário desta noite, que começou a campanha europeia na Liga dos Campeões antes de cair para a Liga Europa e depois para a Liga Conferência: "Não é um adversário fácil, temos-lhes enorme respeito."
No que toca à preparação, o técnico monegasco retira lições da derrota sofrida frente ao Coventry (0-2) no último particular, um jogo considerado difícil frente a uma equipa recém-promovida à Premier League e que manteve a base do plantel. Este desaire evidenciou áreas de trabalho específicas, nomeadamente no pressing e na tomada de risco com bola: "Temos também de ser mais perigosos quando temos a bola, mas isso também vem da confiança e da qualidade. Só há uma coisa a fazer: continuar a trabalhar, mas estou certo de que a equipa vai evoluir neste aspeto."
Questionado sobre a gestão da pressão e do ambiente hostil que espera os seus jovens jogadores em Zabrze, Filipe Luis preferiu deixar a experiência falar mais alto do que os conselhos, considerando que cada jogador vive e sente estes momentos à sua maneira. Para ele, o verdadeiro talento não se resume à técnica: "Não é só uma questão de técnica, mas de mentalidade. Cada pessoa é diferente."

Abline, Golovin e Coulibaly ausentes na deslocação
Esta estreia europeia será, no entanto, feita com um plantel reduzido. Lesionado no pé na derrota frente ao Coventry, o avançado Matthis Abline não viaja com a equipa. "No último jogo contra o Coventry (0-2), teve um problema num pé após um remate", explicou Filipe Luis, referindo que a dor não lhe permitiu integrar o grupo. Situação idêntica para Ansu Fati, ainda em recuperação, e para Folarin Balogun, que regressou recentemente de férias após o Mundial. O norte-americano, cujo futuro pode passar por uma saída em breve, só deverá voltar ao grupo na próxima semana. A isto juntam-se as ausências por castigo de Aleksandr Golovin e Mamadou Coulibaly, ambos expulsos nos play-offs da Liga dos Campeões frente ao PSG na época passada (2-3, 2-2).
Para este primeiro jogo oficial da época, Filipe Luis convocou 23 jogadores, incluindo três guarda-redes, e confirmou Denis Zakaria como capitão. Quatro reforços integram o grupo: os defesas Sadibou Sané e Flavio Nazinho, o médio Aymen Assab e o avançado Mathys Detourbet.
Górnik Zabrze, um percurso caótico até à Europa
Do outro lado, o Górnik Zabrze chega a este encontro com uma história pouco comum. Questionado sobre esta presença surpreendente nas competições europeias, Michał Karaś, jornalista do Flashscore, traça um percurso durante muito tempo caótico: "É uma história particular porque, nos últimos anos, o Górnik viveu uma agitação constante, tendo sido durante anos um clube público fortemente subfinanciado. A cidade pagou uma quantia enorme pelo estádio, depois teve problemas para o concluir, e Zabrze não é uma cidade rica, por isso o financiamento das operações do clube ficou realmente comprometido."
A privatização prometida correu tão mal que dois presidentes de câmara perderam sucessivamente o cargo, um derrotado nas eleições, outro destituído por referendo. "No fim, um grupo de proprietários liderado por Lukas Podolski foi a única entidade interessada em assumir o clube, e o processo ficou concluído literalmente três meses antes do jogo com o Monaco, a 21 de maio", explica Michał Karaś. "A marca e a dedicação de Podolski ao Górnik tornaram-se uma parte fundamental da identidade do clube."
Apesar deste contexto instável, o clube da Silésia manteve-se nos lugares cimeiros do campeonato polaco: "Apesar do caos que os rodeia, o Górnik contrariou os prognósticos nas últimas cinco épocas, terminando sempre na primeira metade da tabela." O jornalista polaco vê aqui o resultado de um apoio popular considerável: "Têm uma comunidade enorme, provavelmente das maiores da Polónia, sendo catorze vezes campeões com um apoio cultivado ao longo de várias gerações. As receitas dos dias de jogo mantiveram-se sólidas, os patrocinadores nunca lhes viram as costas."
Uma equipa intensa, estruturada por Gašparík
No plano desportivo, Michał Karaś fala de uma equipa transformada com a chegada do treinador Michal Gašparík, responsável pelas boas épocas do Spartak Trnava na Eslováquia: "Apesar de alguns, eu incluído, terem sido cépticos no início, revelou-se magistral a tirar o melhor partido da equipa que tinha à disposição." Dá como exemplo uma exibição recente que o marcou: "No domingo passado, o Górnik jogou quase 40 minutos em inferioridade numérica contra um Wisła Kraków muito ofensivo e, por mais que me custe como adepto do Wisła, estiveram brilhantes. As equipas de Gasparik são muito bem trabalhadas taticamente, funcionam como um organismo unificado e ele conseguiu criar uma equipa madura que não perde a cabeça nos momentos de crise."
O jornalista polaco descreve uma equipa difícil de decifrar em fase ofensiva: "Quando atacam, o Górnik não é fácil de ler, as posições são fluidas e consigo apontar pelo menos 3-4 jogadores cujos remates de longe podem ser devastadores." Destaca ainda uma intensidade que pode beneficiar o Monaco: "O futebol do Górnik é intenso do início ao fim, o que pode favorecer o Monaco, pois os seus jogadores vêm de dois jogos muito exigentes numa semana e o banco não é propriamente longo."
Michał Karaś avisa, no entanto, que o Górnik não se vai deixar impressionar pelo adversário desta noite: "Uma coisa que não espero é que o Górnik tenha medo do Monaco. Mostraram frente ao Fenerbahçe que não precisam de muito tempo para assimilar as táticas do adversário e que conseguem assumir o controlo de uma equipa teoricamente muito acima do seu nível." Fala ainda do ambiente esperado no estádio: "A Torcida, os adeptos, vão fazer tudo para intimidar os jogadores do Monaco, e a equipa já mostrou várias vezes que recebe um verdadeiro impulso a jogar em casa."
Federico, Janza, Khlan, Urbański: os homens a seguir
No que toca a nomes a seguir, Michał Karaś destaca Peter Federico, antiga promessa do Real Madrid, sem hesitar: "Do ponto de vista polaco, habituado à equipa do Górnik, tenho de dizer Peter Federico. A sua adaptação a Zabrze foi absolutamente impressionante, como se já fizesse parte da equipa há muito tempo. Tem qualidade com bola e os seus instintos superam largamente o que se esperava dele."

Para os observadores estrangeiros menos familiarizados com o clube, recomenda seguir outros três jogadores: "Erik Janza, Maksym Khlan e Kacper Urbański." Detalha cada um: "O esloveno é o primeiro centenário do Górnik, incansável e destemido, vê-se em todo o campo. Khlan sempre foi considerado promissor, mas no Górnik diverte-se em cada minuto que passa em campo. Tem vontade de atacar, velocidade para aproveitar e um pé bem calibrado para rematar de qualquer distância." Sobre Urbański, que passou pela Serie A, conclui: "Alguns talvez se lembrem de Urbański no Bolonha com o Thiago Motta. Depois teve uma fase menos boa da qual não recuperou no Legia, mas agora reencontra a confiança que mostrava na Serie A."
A segunda mão deste play-off será disputada a 27 de agosto no Estádio Louis-II, com a qualificação para a Liga Conferência em jogo para o vencedor deste confronto a duas mãos.
