Golfe: LIV Golf confia na sua sobrevivência após a retirada do financiamento saudita

Rahm, uma das figuras da LIV Golf
Rahm, uma das figuras da LIV GolfREUTERS / Eloisa Sanchez

O diretor executivo da LIV Golf, Scott O'Neil (56 anos), manifestou esta terça-feira o seu otimismo em encontrar novos patrocinadores que permitam a continuidade do circuito após o fim do financiamento saudita no final desta temporada.

Na antecâmara do torneio LIV Golf da Virgínia, O'Neil afirmou que tem mantido conversações com potenciais investidores enquanto trabalha num plano de negócios para apresentar aos jogadores e patrocinadores.

"Definitivamente não vou falar sobre os detalhes específicos do plano", disse O'Neil. "Mas é uma estratégia que não vai surpreender muita gente quando a virem", acrescentou.

"Recebi cerca de uma dúzia de chamadas este fim de semana de potenciais investidores", referiu. "Dividiram-se entre capital privado, escritórios familiares e depois os habituais indivíduos com elevado património que investem em desporto e equipas desportivas. Portanto, isso tem sido realmente positivo", comentou.

"É no próximo ano que vamos fazer algumas mudanças bastante significativas e estruturais", afirmou.

Esta foi a primeira intervenção do executivo desde que o fundo soberano da Arábia Saudita (PIF) anunciou, na semana passada, que vai retirar o seu financiamento no final da época, o que fez aumentar as dúvidas sobre um possível colapso da LIV Golf.

Com o apoio saudita, o circuito comprometeu-se com um investimento estimado em cerca de 5.000 milhões de dólares (aproximadamente 4.260 milhões de euros) desde o seu lançamento em 2022, com o qual conseguiu atrair muitas das principais figuras do circuito norte-americano PGA, como Jon Rahm, assim como jogadores latino-americanos como Joaquín Niemann e Abraham Ancer.

Mesmo com as mudanças que se avizinham, Scott acredita que os jogadores da LIV vão manter o seu compromisso com o circuito.

"Acredito que, quando tivermos um plano de negócios e angariarmos fundos, este será o local que os jogadores vão escolher? Sim, acredito", afirmou. "Tenho muita confiança de que este é um sítio onde os jogadores querem estar", sublinhou.

Rahm: "Não vejo muitas saídas"

O'Neil revelou ainda que alguns dos seus jogadores se ofereceram para visitar empresas de capital privado para facilitar acordos que possam sustentar a LIV.

O próprio Jon Rahm, que também falou esta terça-feira à imprensa, reconheceu que serão necessárias concessões por parte dos golfistas para salvar o circuito.

No seu caso, o antigo número um mundial garantiu que não está a pensar em formas de se libertar do seu contrato com a LIV, ao contrário do que fez recentemente o norte-americano Brooks Koepka, que regressou à PGA.

"Não vejo muitas vias de saída e, neste momento, não estou realmente a pensar nisso, já que ainda temos uma temporada para disputar e Majors por jogar", afirmou o espanhol no Trump National Golf Club de Washington DC.

"Ainda tenho vários anos de contrato e estou bastante seguro de que fizeram um excelente trabalho ao redigi-lo", disse o vencedor de dois títulos de Grand Slam.

Apesar de ter manifestado por diversas vezes a sua fidelidade à PGA, o jogador basco juntou-se à LIV Golf em 2024 com um contrato cujos detalhes não foram tornados públicos, mas que se estima poder render-lhe mais de 500 milhões de dólares (cerca de 426 milhões de euros).

O jogador natural de Guernica admitiu que para os jogadores foi um choque o fim do financiamento do PIF, já que lhes tinha sido garantido que o apoio se manteria durante os próximos anos.