Golfe: LIV Golf vai continuar apesar de relatos sobre retirada de financiamento da Arábia Saudita

Marca da LIV Golf visível no Centurion Club
Marca da LIV Golf visível no Centurion ClubAction Images via Reuters / Paul Childs / File Photo

A LIV Golf procurou tranquilizar jogadores e funcionários, garantindo que continua totalmente financiada, numa altura em que circulam notícias de que o circuito dissidente está à beira do colapso devido à possível retirada do financiamento saudita.

O circuito apoiado pela Arábia Saudita dividiu profundamente o mundo do golfe desde o seu lançamento em 2022, altura em que várias das maiores figuras do desporto foram aliciadas a abandonar os tradicionais circuitos PGA e DP World com contratos milionários.

Nos últimos dias, intensificaram-se os rumores de que os abastados financiadores da LIV Golf em Riade perderam o entusiasmo pelo projeto, que, segundo relatos, já lhes custou mais de 5 mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de euros).

Vários meios de comunicação, incluindo o Financial Times, o New York Times e o Wall Street Journal, noticiaram esta quarta-feira que a retirada do fundo soberano saudita, avaliado em quase um mil milhões de dólares, era iminente, citando todas fontes anónimas.

"Quero ser absolutamente claro: a nossa época prossegue exatamente como planeado, sem interrupções e a todo o gás", escreveu o CEO da LIV Golf, Scott O'Neil, num e-mail dirigido ao staff, incluindo jogadores, a que a AFP teve acesso.

A mensagem de O'Neil surgiu quando os jogadores se reuniam na Cidade do México antes do evento da LIV desta semana, onde os organizadores do circuito apresentavam um cenário de normalidade.

O circuito divulgou os horários de saída da primeira ronda como habitual e até fez troça dos rumores nas redes sociais.

"Notícias em dia calmo? Estamos ON", dizia uma publicação, acompanhada de uma imagem com as palavras "ÚLTIMA HORA. NÃO PERCAS AMANHÃ" e os horários de início do torneio na Cidade do México.

"O financiamento e as operações da LIV Golf continuam conforme planeado", garantiram fontes próximas do circuito à AFP, apontando para a duplicação das receitas do circuito de 2024 para 2025 e para as recentes assistências recorde na Austrália e na África do Sul.

No entanto, o jornal britânico The Telegraph noticiou que os executivos da LIV Golf tinham sido convocados para uma reunião em Nova Iorque para discutir as potenciais consequências de uma eventual retirada do financiamento saudita.

Esta especulação surge numa altura em que o fundo saudita apresentou esta quarta-feira uma nova estratégia para os próximos cinco anos, que irá reorganizar os seus investimentos, um anúncio feito num contexto de guerra no Médio Oriente.

A região do Golfo tem sido fortemente atingida por ataques iranianos a infraestruturas, incluindo aeroportos, instalações energéticas e portos, após o ataque dos EUA e de Israel ao Irão no final de fevereiro.

Mesmo antes do conflito, as reformas económicas da Arábia Saudita já estavam sob pressão, com os preços do petróleo persistentemente baixos nos últimos anos a reduzirem as receitas do governo.

Começaram a surgir fissuras no plantel de jogadores da LIV Golf, já que o vencedor de cinco majors Brooks Koepka e o antigo campeão do Masters Patrick Reed abandonaram recentemente a LIV para regressar ao PGA Tour.

"Somos pioneiros"

Se o circuito LIV Golf cessasse atividade, não é claro como isso afetaria os jogadores que permanecem.

A estrela da LIV Sergio Garcia afirmou numa conferência de imprensa na Cidade do México que os jogadores "não ouviram nada" desde o início do ano, altura em que o líder do fundo, Yasir al-Rumayyan, lhes disse "que está connosco, que têm um projeto a longo prazo".

Na sua carta, O'Neil não desmentiu diretamente os rumores sobre uma retirada saudita, mas afirmou que "a vida de um movimento em fase inicial é muitas vezes definida por estes momentos de pressão."

"Aderimos a isto porque acreditamos em desafiar o status quo", escreveu o executivo.

"Somos pioneiros e, embora o caminho nem sempre seja fácil, o destino vale cada quilómetro", acrescentou.


Menções