Mas a filha Belle nasceu mais cedo, Sam Burns apanhou o avião e, com uma vantagem de dois golpes à entrada da quarta ronda deste domingo, pode celebrar a sua primeira vitória num major.
Depois de uma ronda inaugural desapontante, com três acima do par (73), o jogador de 29 anos tem dominado o campo de Royal Birkdale, igualando o recorde de 62 num major masculino na sexta-feira e assinando 65 no sábado.
"Este torneio de golfe estava, honestamente, tão longe do meu radar e das minhas expectativas de jogar", disse Burns, que foi segundo classificado no US Open este ano, aos jornalistas.
"Quer dizer, a data prevista para a Caroline era terça-feira desta semana. Ela já tinha atrasado quatro dias com o nosso filho. Simplesmente não achava que fosse possível, mas a pequena Belle tinha outros planos para nós", acrescentou.
Mesmo quando a filha nasceu antes do previsto, Burns não tinha a certeza se devia deixar a família, mas a sua mulher interveio.
"Nem estava a pensar muito nisso. A Caroline perguntou-me: então, o que estás a pensar para a próxima semana? E eu disse: não sei. Falamos sobre isso? E ela: sim", contou.
"No fundo, foi ela quem realmente me incentivou a vir e a jogar. Disse basicamente que ficava com tudo em casa. Vai lá e dá o teu melhor, e cá estamos nós", acrescentou.
Burns terminou com bogey, bogey, bogey na quinta-feira e parecia que ia marcar um regresso antecipado à Luisiana. Mas mais alguns conselhos da sua mulher ajudaram-no a libertar a mente para lutar pelo Claret Jug.
"Fiquei bastante frustrado. Dizer isto é pouco", afirmou Burns, vencedor de cinco torneios no PGA Tour.
"Falei com a Caroline, troquei mensagens com ela, e basicamente disse-me: olha, tu estás aí, e eu estou bem em casa. Precisas de estar onde estão os teus pés. Acho que era mesmo isso que precisava de ouvir naquele momento. Provavelmente não era o que queria ouvir, mas era o que precisava. Acho mesmo que foi ela quem me deu aquele incentivo de que precisava e, de certa forma, um empurrão", assumiu.
Disse que agora está a contar os dias até regressar, mas primeiro há trabalho a fazer este domingo, quando terá de manter o pelotão perseguidor à distância.
"Não olhei para a tabela classificativa. Acho que, no fundo, tudo se resume ao facto de não poder controlar o que os outros fazem", afirmou.
"Alguém vai sair e fazer uma grande ronda de golfe amanhã, talvez mais do que uma pessoa. Isso acontece praticamente todas as semanas. Por isso, vou ter de fazer o mesmo. Vou ter de sair e executar. No fim, aconteça o que acontecer, sei que consigo aceitar o desfecho, e a vida vai continuar. Vou poder regressar a casa e ver a minha família. Espero levar algum troféu comigo, mas se não levar, também está tudo bem", concluiu.
