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Judoca Rochele Nunes elogia reação do Benfica ao anúncio da gravidez

Rochele Nunes em ação
Rochele Nunes em açãoFederação Portuguesa de Judo

Rochele Nunes foi incondicionalmente apoiada pelo Benfica na sua jornada como mãe, mas lamenta ser mais julgada pelas suas opções do que os colegas masculinos, garantindo que a maternidade a deixou mais leve até a praticar judo.

“Foi uma surpresa muito positiva, principalmente para mim, porque eu estava um pouco receosa, mesmo sendo uma gravidez planeada, de como ia ser o futuro, se iam confiar ainda que eu conseguiria chegar em mais um ciclo olímpico. Mas a primeira resposta que eu tive foi de parabéns”, relatou a judoca sobre a reação do Benfica quando anunciou que ia ser mãe.

Em declarações à agência Lusa desde Baku, onde participou pela quinta vez em Mundiais, Rochele Nunes só teve palavras de elogio para os ‘encarnados’, que a deixaram “extremamente segura e tranquila” durante a gravidez, na qual continuou a treinar no clube, e também no pós-parto, em que o seu timing para regressar à competição foi “muito bem respeitado”.

“Senti que nunca teve uma cobrança, principalmente de resultados. Me deixaram muito à vontade até para que eu tomasse a decisão conforme fosse o meu gosto. Nós não temos muitos exemplos de meninas que foram mães, mas eu acho que eles viram em mim uma tranquilidade nesse sentido, porque eu sempre fui uma atleta disciplinada”, acrescentou.

Quando a judoca de 37 anos decidiu que queria continuar a ser atleta, “o clube assinou em baixo” e, embora da parte do Benfica nunca tenha havido “nenhuma pressão”, os seus treinadores sentiram que tinham de alertá-la para a necessidade de se dedicar “um pouco mais aos treinos”.

“Para o que eu queria, eu tinha de fazer mais. Foi a única conversa que eu tive. Até me lembro que, no momento, eu fiquei um pouco chateada com os treinadores, porque eu pensei ‘estou fazendo tantas coisas’. Estava a treinar, estava sendo mãe e perdendo peso, porque eu tinha ganho muito peso durante a gravidez. Mas esse discurso foi o que me fez estar aqui hoje”, afirmou, admitindo que estava “a falhar como atleta” e que teve de organizar melhor a agenda de treinos.

Questionada sobre o caso de Cátia Azevedo, dispensada pelo Sporting meses depois de ser mãe, a olímpica lusa assumiu ter ficado surpresa e triste.

“Como mães, colocam-nos numa caixa, às vezes, diferente do ser atleta. E eu ainda sou atleta. Eu ter sido mãe é um acontecimento que veio para somar na minha vida. Eu tenho mais qualidade de vida, estou mais feliz, estou mais feliz também em fazer judo, tenho um motivo a mais, além das medalhas”, evidenciou.

Rochele Nunes denuncia que, “infelizmente”, as mães atletas ainda são muito julgadas, como aconteceu consigo por não levar sempre o filho nas viagens.

“Para mim, não faz muito sentido. Ele tem o pai dele, ele tem a creche, tem babás, os avós também vêm. Tenho amigos que também podem dar esse suporte, ele fica superbem. Mas nem todo o mundo entende e sempre me questionam isso, e é algo que me chateia um pouco, porque nunca questionam para os homens que são pais. Por que é que para mim essa cobrança é diferente?”, perguntou.

A judoca confessa que, “às vezes”, sente-se “mais culpada” de deixar o filho com o pai “pelo comentário dos outros”, reconhecendo que teve de programar a data da sua gravidez para que o bebé pudesse “nascer em maio, julho e julho” de 2025, para “também poder voltar a tempo das competições” e o seu corpo recuperar.

“Programei toda a minha vida para este momento, o que muitas vezes não acontece com a maioria dos homens, que simplesmente fazem o filho e, pronto, seguem a vida, fisicamente e também mentalmente, normal”, pontuou.

Agora, a desportista encarnada quer cumprir a promessa que fez a si própria de ter o filho nas bancadas em Los Angeles2028, no final daquele que define como o seu último ciclo olímpico.

“Acho que é importante eu também ser reconhecida nesse momento, para que ele também se lembre da mãe, desse percurso. Não acompanhou toda a minha vida desportiva, mas que possa ficar, pelo menos, na memória dele os Jogos Olímpicos”, destacou, assumindo que esse momento seria a sua ‘medalha’.

Essa perspetiva dá uma motivação extra para treinar à olímpica em Tóquio2020 e Paris2024, que sente que, depois da maternidade, ficou mais leve.

“É uma cobrança totalmente diferente. A medalha é claro que é muito importante, porque eu sou muito ambiciosa, sou destemida nesse sentido, mas eu sinto que tem peso diferente. Algumas derrotas que têm acontecido agora, eu me frustro, fico chateada, mas, ao mesmo tempo, eu não me deixo ir tão abaixo porque eu sei que tem uma pessoa em casa esperando por mim”, concluiu.

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