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Ministério Público tem inquérito a decorrer a sobre alegadas interferências na arbitragem

Hélder Malheiro é um dos envolvidos num episódio apresentado
Hélder Malheiro é um dos envolvidos num episódio apresentado RODRIGO MOREIRA / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

O Ministério Público confirmou a existência de um inquérito a decorrer sobre alegadas interferências no setor da arbitragem do futebol, numa investigação em que é coadjuvado pela Polícia Judiciária.

“Confirma-se a existência de inquérito a correr termos no DCIAP, que teve origem em denúncia recebida. Na investigação, o Ministério Público é coadjuvado pela PJ-UNCC (Unidade Nacional de Combate à Corrupção)”, disse à agência Lusa fonte do Ministério Público.

O antigo árbitro Duarte Gomes apresentou a demissão do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) no final de junho, com o organismo federativo a remeter para o Ministério Público os factos relatados para esta decisão.

Duarte Gomes, que vai ser substituído no cargo por João Ferreira, garantiu que está disponível para prestar todos os esclarecimentos necessários de modo a explicar os motivos que estiveram na base da sua decisão.

“Se for esse o caso, estarei totalmente disponível para prestar todos os esclarecimentos adicionais que me forem solicitados pelas entidades competentes, relativamente aos factos de que tomei conhecimento e aos motivos que determinaram a minha renúncia”, informou o antigo árbitro através de uma publicação nas redes sociais, no dia em que a FPF remeteu o caso ao Ministério Público.

O Conselho de Justiça (CJ) da FPF instaurou também um processo de inquérito ao presidente do Conselho de Arbitragem (CA) federativo, Luciano Gonçalves, após a saída de Duarte Gomes, que, entretanto, já teve uma decisão.

Leia também - Duarte Gomes renuncia ao cargo de Diretor Técnico Nacional da Arbitragem

O CJ anunciou na sexta-feira o arquivamento, por falta de "indícios suficientes da prática de infração disciplinar", do processo de inquérito instaurado a Luciano Gonçalves, por alegadas interferências na arbitragem.

O inquérito incidiu, entre outras matérias, sobre alegações de que o presidente do CA teria transmitido informações sobre futuras nomeações de árbitros, bem como sobre uma mensagem enviada a um árbitro antes de um encontro da Liga de futebol da época 2025/26.

O processo a Luciano Gonçalves foi instaurado na sequência de uma denúncia de Duarte Gomes, que depois de se demitir do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem alegou que um árbitro tinha partilhado consigo "um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram preocupações institucionais muito relevantes”.

O relatório considerou provado que Luciano Gonçalves enviou uma mensagem a Hélder Malheiro, mas concluiu que “não foi possível determinar, com segurança, o contexto nem o significado da mensagem”, rejeitando que existam elementos suficientes para afirmar que a mesma estivesse relacionada com alegadas promessas de manutenção de Hélder Malheiro na primeira categoria.

O instrutor entendeu que não foi produzida prova suficiente que permitisse concluir que Luciano Gonçalves tenha facultado antecipadamente informação sobre a nomeação de árbitros ou que tenham existido nomeações efetuadas a pedido de qualquer clube.

Já esta segunda-feira, o jornal Público revelou que a Polícia Judiciária recebeu uma participação com várias informações sobre o caso, em relação às nomeações dos árbitros e à forma como eram conhecidas, dando exemplos de casos concretos.