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Aston Martin, do desastre à esperança na Fórmula 1

Fernando Alonso, piloto espanhol da Aston Martin
Fernando Alonso, piloto espanhol da Aston MartinReuters

As expectativas estavam elevadíssimas, a desilusão foi profunda: a Aston Martin atravessou um início de temporada de pesadelo, um erro industrial pouco comum na Fórmula 1 e do qual a escuderia britânica espera finalmente recuperar-se com o primeiro pacote de melhorias previsto para o Grande Prémio da Hungria da próxima semana.

Há seis meses que Fernando Alonso e Lance Stroll têm sido obrigados a transformar a frustração em paciência ao volante de um monolugar mal concebido desde o início.

A oportunidade proporcionada pela alteração do regulamento, que voltou a colocar todas as equipas em pé de igualdade, e o design encomendado ao respeitado Adrian Newey, artífice de alguns dos melhores monolugares da história, faziam antever uma grande temporada.

Mas rapidamente tudo ruiu: resultados terríveis, uma fiabilidade desastrosa, peso excessivo... e os Aston Martin condenados ao fundo da grelha desde o início da temporada.

"Só começámos a trabalhar a sério no monolugar de 2026 em meados de março de 2025, e só tivemos um modelo no túnel de vento em meados de abril. Estivemos um mês atrasados em relação às outras equipas, com uma diferença enorme para recuperar", explicou Newey, que desde março deu um passo atrás, sobretudo devido a problemas de saúde.

"Cada vez menos rápidos" 

Quando começaram os testes de pré-temporada no Bahrain, o Aston Martin estava longe de estar pronto para ir para a pista, e os problemas aerodinâmicos e de integração do motor Honda foram evidentes durante os primeiros Grandes Prémios.

"Foi uma daquelas situações em que tudo o que podia correr mal, correu mesmo mal", acrescentou o emblemático engenheiro britânico.

Perante a situação, a escuderia tomou rapidamente uma decisão radical: em vez de tentar acrescentar pequenas melhorias em cada corrida, apostou em dedicar todos os seus recursos a uma grande evolução a meio da temporada.

"Temos o mesmo monolugar que no Barém, somos lentos e em cada corrida parece que estamos cada vez mais lentos porque, entretanto, os outros vão acrescentando melhorias aos seus carros", revelou na quinta-feira Fernando Alonso.

Mesmo tendo conseguido resgatar um ponto milagroso no Mónaco, ao terminar em 10.º beneficiado pelos incidentes da corrida, o espanhol e Lance Stroll esperam poder beneficiar em breve de um monolugar com melhor desempenho, para tentarem aproximar-se da luta pelos pontos e não apenas evitar ficar em último.

"Esperamos que este seja o último fim de semana de sofrimento para nós e que sejamos mais competitivos em Budapeste", declarou Stroll.

"Por agora o monolugar é terrível, por isso o lado positivo é que só pode melhorar", acrescentou.

"Prevemos introduzir o nosso pacote de melhorias em ambos os carros na Hungria", precisou Adrian Newey: "Será um grande conjunto de evoluções aerodinâmicas, aliado a uma redução significativa de peso".

 Otimismo moderado 

Mike Krack, chefe de operações de pista da Aston Martin, também se mostra satisfeito por "este período difícil estar a chegar ao fim".

"Parabéns a toda a equipa, atravessámos uma fase complicada mas, do ponto de vista humano, gerimo-la bem", destacou, mesmo que os pilotos não tenham escondido a sua frustração.

Além disso, o fabricante do motor Honda também prevê uma evolução do seu motor após a pausa de verão, estando disponível no GP de Zandvoort.

No entanto, os monolugares verdes estão tão afundados que ninguém se atreve a ser demasiado otimista. Embora Adrian Newey fale em "um grande passo em frente", Mike Krack insiste em "ter cuidado com demasiada esperança, estamos muito atrás e é difícil fazer previsões".

Poder oferecer aos seus pilotos um monolugar mais competitivo é essencial para a escuderia, especialmente tendo em vista manter Alonso na próxima temporada, já que o asturiano de 44 anos pondera seriamente a retirada ou a mudança para outra disciplina.

"É muito importante, o Fernando espera essas melhorias e, se funcionarem, esperamos que fique connosco mais uma temporada", destacou Adrian Newey, reconhecendo que o bicampeão mundial espanhol (2004, 2005) espera "progressos claros e tangíveis" depois de ter sido obrigado a abrandar durante seis meses.

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