Fórmula 1: Chefe da McLaren denuncia laços financeiros entre equipas rivais

Zak Brown no Grande Prémio do Japão a 29 de março.
Zak Brown no Grande Prémio do Japão a 29 de março.MARCEL VAN DORST/NURPHOTO VIA AFP

O responsável da equipa britânica de Fórmula 1 McLaren, o empresário norte-americano Zak Brown, denunciou os laços financeiros entre equipas concorrentes que, segundo ele, podem minar "a integridade do desporto automóvel".

Durante um encontro com a imprensa, incluindo a AFP, na sede da McLaren F1, a sul de Londres, Brown não apontou diretamente à equipa franco-britânica Alpine, que estará em negociações com a Mercedes F1 para a venda de um quarto do seu capital.

"As 11 equipas de F1 deveriam ser tão independentes quanto possível, pois acredito que existe um risco elevado de a integridade do nosso desporto ser comprometida, o que afastaria os nossos adeptos mais rapidamente do que qualquer outra coisa", alertou o multimilionário norte-americano de 54 anos, diretor executivo da McLaren há quase uma década.

"Isto aplica-se a qualquer um e a todos, às 'equipas A-B', a qualquer tipo de copropriedade", acrescentou Brown, numa referência ao facto de um único proprietário poder deter na F1 uma grande equipa "A" e uma mais pequena "B", como acontece com a austríaca Red Bull e as suas duas equipas, Red Bull Racing (onde competem o neerlandês Max Verstappen e o francês Isack Hadjar) e a Racing Bulls.

O dirigente norte-americano já tinha criticado em 2024 o facto de um piloto da Racing Bulls em prova ter permitido que a equipa principal Red Bull Racing arrecadasse pontos em prejuízo da McLaren.

"Se falarmos de desempenho, é possível maximizar esse desempenho quando duas equipas dependem do mesmo grupo. Isto representa um verdadeiro problema para a integridade do desporto (...) e é uma questão séria para a sua equidade", reforçou Zak Brown.

Questionado, não mencionou diretamente as negociações em curso, segundo a imprensa, entre a equipa germano-britânica Mercedes-AMG F1, do construtor Mercedes-Benz, e a Alpine F1, detida em 76% pela Renault e em 24% pelo fundo de investimento nova-iorquino Otro Capital.

O fabricante de motores Mercedes-AMG equipa não só a sua própria equipa de F1, sediada a noroeste de Londres, mas também as britânicas McLaren, Williams e, desde esta época, a franco-britânica Alpine, cuja sede se reparte entre Viry-Châtillon, perto de Paris, e Enstone, a noroeste de Londres.