Fórmula 1 em foco: Magia do Mónaco coloca Antonelli entre os melhores

Kimi Antonelli celebra com champanhe após vencer o Grande Prémio do Mónaco
Kimi Antonelli celebra com champanhe após vencer o Grande Prémio do MónacoYves Herman / Reuters

Quais foram as principais histórias do mais recente fim de semana de corridas? E que desenvolvimentos fora da pista estão a causar agitação? Tudo isto e muito mais é analisado na Fórmula 1 em Foco, a coluna regular de F1 de Finley Crebolder, do Flashscore.

Tenho sempre sensações mistas quando chega o Grande Prémio do Mónaco.

A sua história ilustre e o cenário deslumbrante tornam o fim de semana imperdível e o enorme desafio e importância da qualificação fazem de sábado um dos dias mais emocionantes da época, mas o facto de as ultrapassagens serem praticamente impossíveis costuma tornar a corrida exatamente o oposto.

Esse problema manteve-se desta vez, mesmo com os carros de 2026 a serem mais pequenos e melhores a seguir uns aos outros de perto, mas algum drama no final proporcionou-nos bastante entretenimento.

Estas são as minhas principais conclusões da corrida.

Antonelli a caminho de se tornar um dos maiores de sempre

Apesar de a corrida se ter tornado algo processional na era moderna, o Grande Prémio do Mónaco continua a ser um dos melhores barómetros de excelência na Fórmula 1.

Dominar esta prova exige uma precisão, consistência e concentração notáveis, sendo que até o mais pequeno erro pode sair caro. Se um piloto é suficientemente bom para vencer ali, provavelmente também o será para conquistar um Campeonato do Mundo, como demonstra o facto de todos os títulos desde 1998 terem sido conquistados por alguém que já saboreou a vitória em Monte Carlo.

E se um piloto é suficientemente bom para o fazer aos 19 anos, provavelmente vai conquistar vários deles.

Seria preciso coragem para apostar contra Kimi Antonelli neste momento, depois de o italiano se ter tornado o mais jovem vencedor de sempre no Mónaco, naquela que foi a sua quinta vitória consecutiva, especialmente tendo em conta a forma como venceu.

Teve de superar vários dos melhores pilotos na qualificação, que tinham carros tão competitivos como o seu, como demonstra o facto de os Red Bull e Ferrari terem superado o outro Mercedes de George Russell. Depois, teve de realizar uma condução perfeita nas ruas do Mónaco, apenas na sua segunda vez a pilotar ali num carro de F1. E, depois de conseguir ambas, ainda teve de lidar com a enorme pressão de um recomeço tardio, em que o piloto mais bem-sucedido de sempre da F1 estava ao seu lado.

O facto de ter conseguido tudo isto e vencer a sua quinta corrida consecutiva não só o estabeleceu firmemente como o futuro campeão de 2026, mas também como o maior talento da F1 desde que Max Verstappen entrou na grelha ainda adolescente, há pouco mais de uma década.

Em Verstappen e Lewis Hamilton, dois pilotos do atual pelotão já garantiram o seu lugar no panteão dos grandes, e neste momento, tudo indica que Antonelli será o terceiro.

Situação inverteu-se por completo na Ferrari

Apesar de Hamilton poder ser o maior piloto de sempre a correr na F1, era difícil vê-lo superar Charles Leclerc como principal referência da Ferrari quando chegou no ano passado, mas seis corridas depois de iniciar a sua segunda época, está a consegui-lo.

Superar Leclerc na qualificação é sempre impressionante, mas ainda mais quando essa sessão decorre na casa do monegasco, onde já conquistou a pole position por três vezes. Hamilton conseguiu-o, tornando-se o primeiro colega de equipa a bater Leclerc na sessão mais importante do Mónaco desde 2019, e depois manteve confortavelmente o outro Ferrari à distância no domingo, antes deste bater nas barreiras e abandonar a corrida.

O heptacampeão mundial já bateu Leclerc nas últimas três corridas e em quatro das seis desta época. Tem mais pódios do que todos, exceto Antonelli, e mais pontos do que todos, exceto Antonelli. Está na posição mais alta da classificação desde que perdeu o título de 2021 por pouco, e não tinha apresentado um desempenho tão consistente desde essa temporada.

Isto pode colocar a Ferrari num território desconhecido. Como produto da sua academia, Leclerc é o menino dos olhos da equipa. Sempre teve o total apoio da equipa, sendo claramente o piloto principal desde que superou Sebastian Vettel na sua primeira época de vermelho. Mas o que acontece se for o homem do outro lado da garagem a lutar pelo título?

Isso pode acontecer se Hamilton continuar mais forte do que Leclerc e a Ferrari conseguir aproximar-se da Mercedes, e a Scuderia terá então de tomar uma decisão. Dão primeiro as evoluções a Hamilton? Dão-lhe as melhores estratégias? Ordenam a Leclerc que o deixe passar, se necessário? Ou mantêm-se fiéis ao seu menino de ouro?

É certo que dificilmente serão obrigados a tomar tais decisões, tendo em conta a vantagem e domínio de Antonelli na frente do pelotão, mas no fundo, o chefe da Ferrari, Fred Vasseur, deve começar a pensar no que faria nesse cenário, porque se Lewis Hamilton está a regressar ao seu melhor nível, seria insensato descartá-lo.

Hadjar obtém finalmente os resultados que merece

Juntando-se a Antonelli e Hamilton no pódio esteve Isack Hadjar, que conquistou o seu primeiro top-3 ao serviço da Red Bull, um resultado inteiramente merecido.

À primeira vista, o jovem francês não teve o melhor início de época como colega de equipa de Verstappen, somando apenas quatro pontos contra os 26 do neerlandês nas primeiras quatro rondas, mas mesmo assim, fiquei bastante impressionado com ele. Aqueles que ocuparam esse lugar antes dele foram completamente dominados por Verstappen, sem nunca se aproximarem, mas Hadjar conseguiu afirmar-se na qualificação e só não mostrou mais em dia de corrida devido a alguns azares.

Nas duas rondas seguintes, provou claramente ser o número dois mais promissor da equipa em muitos anos.

Depois de uma boa corrida para terminar em quinto no Canadá, partiu da mesma posição no Mónaco graças a uma qualificação forte, e subiu logo um lugar quando Verstappen abandonou logo no início. Manter-se tão acima seria um enorme desafio devido a problemas técnicos que o obrigaram a segurar carros mais rápidos, conduzidos por George Russell e Oscar Piastri, mas esteve à altura, sem cometer um único erro do início ao fim.

O prémio foi o segundo pódio da sua carreira e 15 pontos que o colocam a 14 de Verstappen e acima de todos os outros fora das quatro melhores equipas.

Com a presença em Q3 em todas as seis rondas e tendo conseguido superar o colega de equipa numa delas, tem sido um início de vida impressionante naquele que é, há muito, o lugar mais difícil da F1.

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AutorFlashscore