Fórmula 1: FIA aprova motores mais térmicos do que elétricos a partir de 2027

Mohammed Ben Sulayem é o presidente da FIA
Mohammed Ben Sulayem é o presidente da FIA REUTERS/Brian Snyder

A Federação Internacional do Automóvel, entidade que regula as regras da Fórmula 1, anunciou esta sexta-feira um acordo "de princípio" para que o controverso regulamento técnico dos motores dos monolugares devolva, já em 2027, a primazia à potência térmica em detrimento da elétrica.

Durante uma reunião realizada na sexta-feira pela organização internacional do desporto automóvel sediada em Paris, "foram encontradas medidas, em princípio para 2027, que preveem um aumento nominal de 50 quilowatts na potência do motor de combustão e uma redução nominal de 50 quilowatts na potência do sistema de propulsão elétrica", segundo um comunicado.

Esta decisão, que ainda terá de ser "discutida em detalhe" e votada pelo conselho mundial dos desportos motorizados, colocaria fim à paridade 50/50 dos motores híbridos, metade elétricos e metade térmicos, imposta esta época pela FIA.

Esta motorização inédita dos monolugares dividiu o universo da Fórmula 1 desde os testes de inverno no início do ano e ao longo dos quatro primeiros Grandes Prémios.

O tetracampeão mundial neerlandês Max Verstappen (Red Bull) tem-se mostrado especialmente crítico, comparando a situação a "uma Fórmula E (elétrica) sob esteroides", ou até ao videojogo "Mario Kart".

Em dificuldades, Verstappen, atualmente 7.º na classificação dos pilotos, chegou mesmo a ameaçar abandonar a F1.

Atenta às críticas, a FIA anunciou no final de abril e implementou já no GP de Miami (1 a 3 de maio) uma nova versão "ajustada" do regulamento, com o objetivo de reduzir, em qualificação e corrida, os efeitos mais perturbadores da bateria acoplada ao bloco térmico convencional.

Esta motorização de 2026 alterou profundamente a forma de conduzir, sobretudo devido à complexa gestão da bateria durante as ultrapassagens e à necessidade de recarregar a energia elétrica ao abrandar e travar.

"As propostas finais apresentadas hoje são fruto de uma série de consultas realizadas nas últimas semanas entre a FIA e todos os protagonistas (da F1), com o contributo inestimável dos pilotos", destacou o organismo internacional, que prevê ainda mais discussões e ajustes ao regulamento ao longo da época de 2026.

As equipas Mercedes e McLaren, ambas com o mesmo bloco do construtor alemão, consideraram no final de abril que as alterações ao regulamento representavam "um passo positivo na direção certa".