MotoGP: "O que mudou foi o olhar das crianças", afirma Johann Zarco

Johann Zarco à frente dos seus adversários em Le Mans
Johann Zarco à frente dos seus adversários em Le MansGold and Goose / Red Bull Content Pool

"O que mudou foi o olhar das crianças": vencedor sob chuva do Grande Prémio de França de MotoGP, em 2025, após um desfecho incrível, Johann Zarco (Honda-LCR) regressa a Le Mans, onde é agora o ídolo dos mais jovens.

O piloto de 35 anos, que se tornou o primeiro francês a vencer o GP de França desde 1954, vai tentar novamente "aproveitar a oportunidade se ela surgir, tal como no ano passado", numa altura em que a chuva está novamente prevista para domingo.

- O que representa para si a vitória em Le Mans em 2025?

- Foi simplesmente incrível. É como uma grande onda e continuamos a surfar nela. Os patrocinadores também aproveitam esta onda. Voltar ao local deste triunfo, claro que me faz recordar esses bons momentos. Considero-me extremamente sortudo por ter vivido isto. Por isso, valorizo muito este momento. Tudo o que tem acontecido ao longo deste ano, para mim, é só vantagens.

- Esta vitória mudou a forma como as pessoas o veem?

- A paixão dos adultos mantém-se igual. O que mudou foi o olhar das crianças. Graças a este sucesso, associam Zarco à vitória. Por isso, na cabeça deles, talvez sintam que ganho todos os Grandes Prémios, porque talvez os pais tenham visto a corrida vezes sem conta. Para mim, a diferença foi que as crianças apoiam-me muito mais. É esse instinto primário que faz com que apoiemos quem vence. E é gratificante ver isso, é enorme. Sobretudo ao crescer, ao ganhar mais maturidade e ao tirar tempo para observar, olhamos mais profundamente nos olhos deles e é muito comovente.

- A sua abordagem à corrida mudou este ano?

- Não, de todo. Quero apenas tentar manter as boas sensações com que terminei o meu último Grande Prémio em Espanha (7.º no final de abril, nota do editor) e melhorar essas sensações. Tive uma boa evolução na mota e continuo a acreditar que, tecnicamente, há aspetos a ganhar. Portanto, continuo nesta busca de performance na mota, dizendo para mim próprio que, se encontrar essas sensações que ainda me faltam, os resultados vão aparecer.

- Como avalia o seu início de temporada?

- Fiquei bastante aquém do que tinha previsto. Ao ver a mota evoluir, pensei que estaria no top 10 e que, por vezes, conseguiria aproximar-me do top 5 (14.º na classificação geral antes do GP de Le Mans). E acabei por começar o ano a ter dificuldades em entrar no top 10. Mas comecei a sentir-me melhor em Austin (Estados Unidos) e consegui repetir isso em Jerez, o que me permitiu lutar pelo Top 5. A chuva ajudou-me a arrancar em segundo, é verdade, mas o ritmo estava lá. Entre ter dificuldades em estar no Top 10 e ter o ritmo dos Top 5 em Espanha, mostra que o nível que achava possível de alcançar existe mesmo.

- O seu objetivo para este fim de semana é, então, dar continuidade a este momento?

- Sim, é totalmente esse o objetivo. Estar entre os cinco a sete primeiros, porque são lugares muito bons. Vai ser preciso encontrar, sem perder a calma, as melhores soluções em pista para que dê resultado. Não se pode dispersar e é mesmo importante conseguir fazer a volta certa no momento certo.

- Está prevista chuva no domingo para o Grande Prémio. Isso deixa-o satisfeito?

- Não desejo particularmente a chuva, não conto com isso, mas se vier, então mantenho-me tranquilo, pensando que pode haver uma melhor oportunidade para aproveitar. É preciso agarrar a oportunidade se ela surgir, tal como no ano passado.