O francês, então sexto classificado com pneus desgastados mas ainda obrigado a cumprir a sua paragem obrigatória nas boxes, o que o faria sair do Top 10, não deixou passar Colapinto, que era sétimo e estava sob ameaça do australiano Oscar Piastri (McLaren).
O argentino queixou-se na rádio de que Gasly não o deixava ultrapassar e, assim, comprometia as suas hipóteses de terminar em sétimo, mesmo que o novo circuito madrileno oferecesse praticamente nenhuma oportunidade de ultrapassagem.
Alguns adeptos argentinos atacaram o francês e insultaram-no e ameaçaram-no de forma intensa nas redes sociais.
"Acho isto um pouco preocupante para o nosso desporto. Sou um desportista de alto nível, por isso sei que estou exposto. (...) Mas a este nível de ameaças e ataques, considero isto um pouco, ou mesmo completamente, inapropriado, sobretudo quando envolve a família, a companheira, etc...", considerou Gasly antes do Grande Prémio do Azerbaijão.
"Não penso que isto devesse acontecer. Vou ficar por aqui, mas as coisas não eram assim antes. (...) Nós (os pilotos) estamos expostos, sabemos que vamos ser atacados, que podemos ser apreciados ou odiados. Mas há um certo limite que não devia ser ultrapassado só porque se está atrás de um ecrã, com um teclado, e esse limite é ultrapassado demasiadas vezes", lamentou.
Colapinto, que conta com um enorme apoio na Argentina, também condenou estes comportamentos: "Trabalhamos sempre em equipa e não é agradável ver isto, por isso espero que parem".
"O mesmo aconteceu com outros pilotos. O Yuki (Tsunoda, após um incidente na Áustria) também foi fortemente visado numa determinada altura do ano passado e falou sobre isso. E os comissários, creio que depois de Zandvoort, também foram abordados porque receberam ataques após a penalização que me aplicaram", reconheceu o argentino.
O francês Esteban Ocon (Haas) e o australiano Jack Doohan também foram vítimas deste tipo de comportamentos desde a chegada de Colapinto à Fórmula 1 no final de 2024.
"Isto acontece frequentemente com os adeptos na Fórmula 1, tal como em qualquer desporto atualmente. Infelizmente tornou-se algo muito comum, quando certamente não o deveria ser", sublinhou o argentino.
Ambos os pilotos referiram ainda que tiveram uma conversa interna com a sua equipa após este incidente em pista para esclarecer a situação.
