No passado domingo, em Sepang (onde se disputou o GP do Bahrain, cancelado em abril devido ao conflito no Golfo), Verstappen mostrou-se imperial numa corrida que teve de ser atrasada uma hora e meia depois de uma caótica volta de formação, durante a qual vários carros, incluindo o Red Bull do neerlandês, ficaram parados devido a uma falha de software nas definições para rodar em condições de chuva.
"Foi uma loucura. Por momentos, íamos cinco em paralelo na reta porque não percebíamos o que estava a acontecer... Vi oito carros a andar a passo de caracol e o Lewis (Hamilton) parou... Não é isto que se quer para o desporto", disse Verstappen após a corrida.
A chuva poderá voltar a desempenhar um papel na cidade-Estado tropical, com trovoadas previstas que poderão afetar tanto a corrida sprint agendada para sábado como o Grande Prémio noturno de domingo, disputado sob os holofotes.
"A corrida mais dura do ano"
Mas o calor sufocante e a humidade extrema têm uma influência ainda maior.
Os pilotos podem perder até três quilos durante a prova mais longa do calendário, em que completar as 62 voltas costuma exigir as duas horas máximas de corrida permitidas.
Em termos físicos, "é a corrida mais dura do ano", admitiu à AFP o francês Pierre Gasly, colega de equipa do argentino Franco Colapinto na Alpine.
Hidratar-se durante a corrida "faz a diferença em termos de concentração", porque "é evidente que, no final da corrida, estamos menos lúcidos entre os muros de Singapura", explicou.
Os organizadores também estão atentos à qualidade do ar: se Singapura já é, por si só, uma das cidades mais poluídas do mundo, a situação piorou com os incêndios na vizinha Indonésia. Se a qualidade do ar piorasse, poderia haver restrições a algumas atividades de entretenimento ao ar livre, mas a corrida não seria afetada.
Nestas condições extremas, Verstappen nunca venceu no circuito urbano de Marina Bay, em que a estreiteza da pista faz com que as ultrapassagens sejam, tal como no Mónaco, quase uma missão impossível.
Uma melhoria no fundo do monolugar, juntamente com o facto de Verstappen finalmente ter percebido como tirar o máximo partido do carro da nova geração, conduziu-o à vitória em Sepang, que ele próprio classificou como "incrível".
O líder destacado do campeonato, Kimi Antonelli, foi segundo com o Mercedes e deverá voltar a lutar pela vitória, embora a vantagem que já tem sobre o seu principal rival na luta pelo título, o colega de equipa George Russell, possa levar o jovem italiano a ser mais conservador.
Antonelli muito perto do título
Antonelli tem uma vantagem de 84 pontos sobre Russell, depois de o britânico ter saído de Sepang sem pontuar devido a um problema no motor, quando rodava em terceiro a cinco voltas do final da corrida.
Quando faltam apenas sete corridas para o final, o piloto de 20 anos já está muito perto do seu primeiro título de pilotos, que seria o primeiro de um italiano desde Alberto Ascari, em 1953.
Russell (em 2025) é um dos seis pilotos da atual grelha que venceram em Singapura, juntamente com Lando Norris (2024), Carlos Sainz (2023), Sergio Pérez (2022), Lewis Hamilton (2009, 2014, 2017 e 2019) e Fernando Alonso (2008 e 2010).
Hamilton também chega em boa forma depois de ter protagonizado uma recuperação espetacular, passando do 19.º lugar, após ter arrancado com pneus para piso seco apesar de a pista estar molhada, e acabando no pódio, em terceiro.
"Terminar no pódio depois da forma como a corrida começou é realmente satisfatório", disse Hamilton, que, se vencer em Singapura, igualará o recorde de cinco vitórias neste GP, detido pelo alemão Sebastian Vettel.
