“Pensa-se em tudo, aguentar mais um bocadinho, está a doer, mas temos que forçar mais…”, ilustrou Gustavo Gonçalves, na posição um do barco, quando questionado sobre o facto de quatro embarcações enfrentarem, perfeitamente igualadas, os derradeiros 50 metros na disputa por três vagas.
A tripulação campeã da Europa e do Mundo em 2025, e que nos Europeus deste ano ficou em quarto, terminou em segundo, em 1.24,61 minutos, a 10 centésimos da Lituânia, que passou em primeiro, enquanto a Espanha, bronze em Paris-2024, passou em terceiro, a 28 centésimos dos vencedores.
“Não olho para o lado, porque se o fizer vai afetar o barco, tenho perceção visão de túnel. Na visão periférica, sinto as proas dos outros caiaques, mas estamos habituados a lidar com essa pressão e é aí que temos que saber sofrer e manter a dinâmica do barco”, completou o canoísta, que é acompanhado por João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha.
Para sexta-feira, Gustavo Gonçalves não prometeu novo ouro, mas garantiu que é esse o “sonho e objetivo” que os move em Poznan, “respeitando o trabalho e valor das outras equipas”.
Pedro Casinha ocupa a posição quatro, a última do barco, mas nem por isso tem melhor visão sobre as regatas, pois, garante, só leva com a água levantada pelas pagaias dos companheiros.
“Na verdade eu ainda vejo a menos que o Gustavo. Estou só a levar com água… e o meu objetivo é segurar o barco e dar o máximo de apoio ao resto da equipa”, esclareceu.
O canoísta reforçou a ideia de que a final “vai ser decidida às milésimas” e destacou as dificuldades provocadas pelo “muito vento de frente”.
Esta época, o desempenho foi marcado por três quartos lugares – nos Europeus e em duas Taças do Mundo – e uma prata na Taça do Mundo do Canadá, porém a equipa espera que o seu melhor desempenho esteja guardado para sexta-feira.
“Na verdade, não temos nada a perder. É verdade que foi uma época longa e dura, com muitos, muitos quartos lugares e um segundo, mas estamos confiantes, fortes e achamos que vai correr tudo bem na mesma”, concluiu.
