“Foi com essa mentalidade que entrei nos dois combates, sempre a acreditar e confiante que tinha de andar para a frente. Depois, no terceiro combate, é um bocadinho agridoce, porque é uma atleta muito forte e muito experiente, e notei, claramente, a diferença no combate, mas por outro lado fico contente por ter conseguido lutar contra provavelmente a melhor atleta da categoria, e que chegará, se calhar, longe neste dia”, disse a judoca, em declarações à agência Lusa.
Ainda a tentar ganhar fôlego, após um combate muito duro, na Arena Nacional de Ginástica de Baku, a judoca lusa, de 24 anos, partia como outsider, mesmo frente às adversárias que encontrou na primeira ronda, a australiana Saya Middleton, e nos 16/avos, a bielorrussa Yana Makretskaya, mas com ambas foi implacável.
“Em relação aos dois primeiros combates, eu acho que o judo é um bocadinho isto, nós temos de analisar o sorteio e se há esta sorte de conseguir calhar com atletas, se calhar um bocadinho mais favoráveis, temos que aproveitar”, considerou.
A atleta da Universidade Lusófona conseguiu em ambos ser muito superior, com um judo de ataque, muito positivo, que lhe valeu vitórias claras, por ippon (a pontuação máxima).
“Gosto muito de fazer um judo um bocadinho mais aberto, ou seja, posso sempre ser contra-atacada, mas eu gosto muito de projetar, gosto de fazer um judo bonito e tento sempre procurar isso, então às vezes também perco por gostar tanto e de ser um judo mais aberto, mas acho que o facto de conseguir estar a projetar dá-me mais confiança”, explicou a portuguesa.
A entrada de Crisóstomo nos -63 kg pode abrir, finalmente, as portas do circuito internacional e a judoca não deixou de referir a oportunidade que teve de estar, já com a seleção, nos Grand Slam de Lausana e Budapeste.
“Ao ter vencido o Open em Praga (em junho), numa nova categoria, porque comecei do zero, deu-me portas para que a federação apostasse em mim e me levasse a dois Grand Slam, o da Suíça e o de Budapeste. Para já quero agradecer à federação, porque realmente eles viram ali uma brecha para eu conseguir entrar entre os 100 melhores (critério para estar nos Mundiais), e tentaram com que eu entrasse. Entrei mesmo à última, entre as 100 melhores, foi mesmo, por ter vencido um combate, no último Grande Slam de Budapeste”, explicou.
Nos Mundiais Baku2026, cuja competição individual decorre até sábado, vão competir mais quatro portugueses, com Taís Pina (-70 kg) na quinta-feira, os medalhados olímpicos Patrícia Sampaio (-78 kg) e Jorge Fonseca (-100 kg), na sexta-feira, e Rochele Nunes (+78 kg), no sábado.
