Tão habituada a ganhar medalhas, olímpicas, mundiais, europeias, a judoca de Tomar queria mais na capital do Azerbaijão, onde hoje competiu em -78 kg, vencendo três combates, mas perdendo dois, decisivos, que a deixaram fora das medalhas.
“A partir daí (meias-finais), obviamente vamos avançando no quadro, o nível de dificuldade vai aumentando. Não sendo nenhum dos combates impossíveis de ganhar, elas (Yelyzaveta Lytvynenko e Kurena Ikeda) foram melhores do que eu”, disse à agência Lusa a judoca.
Sampaio, que não deixava de ser uma das favoritas ao pódio e que é a melhor judoca portuguesa da atualidade, entrou na Arena Nacional de Ginástica de Baku tímida, contida, talvez pelo peso de uma responsabilidade que colocava a ela própria.
Um sintoma que a deixou a sofrer no primeiro combate, com a desconhecida turca Tuana Gulenay e que só resolveu, por waza-ari, já no período de prolongamento, após os primeiros quatro minutos de combate (5.17 totais).
“Estava mais ansiosa nesse combate, por isso talvez algumas coisas não tenha feito de forma tão assertiva, mas pronto, foi a experiência, a determinação, a estratégia que me permitiram acabar por vencer”, justificou.
Depois libertou-se e voou, no seu estilo explosivo, sobre a belga Vicky Verschaere, que eliminou por ippon, em 37 segundos, e a brasileira Beatriz Freitas, com nova pontuação máxima, aos 1.57.
O caminho para as medalhas surgia já no horizonte, com as meias-finais à porta e foi aí que Sampaio sentiu as maiores dificuldades, primeiro a ficar fora da final, frente a uma oponente que nunca lhe tinha ganhado.
Lytvynenko, de origem ucraniana e a competir pelos Emirados Árabes Unidos, é uma judoca que gosta de manter as adversárias à distância, numa estratégia defensiva, mas oportunista, atacando pela certa, e teve êxito.
“O tipo de judo dela é assim, é mais parado, o meu é com mais ritmo e mais a atacar e ela joga mais pelo acerto, tem um judo mais de distância, muito mais à espera, mas eu acho que todas estão à espera do meu erro e do meu contra-ataque, porque sabem que quero começar o combate e projetar, e todas são mais pacientes que eu nesse sentido”, explicou.
Um combate, após um ataque não conseguido de Sampaio, que Lytvynenko aproveitou para trabalhar no chão (em ne waza) e puxar o braço da judoca portuguesa, no designado juji gatame (chave de braço), levando à desistência, sob risco de lesionar a articulação.
Já com enorme frustração em cima, e relegada para a luta pelo bronze, Sampaio defrontou a japonesa Kurena Ikeda, com quem tinha perdido duas vezes no Grand Slam de Tóquio, a última na final em dezembro, e voltou a cair diante da nipónica.
Um yuko (vantagem mínima), perto dos dois minutos, foi o suficiente para Ikeda repetir o bronze de Budapeste2025, onde Patrícia Sampaio também tinha sido bronze, mas desta vez a portuguesa teve de aceitar um quinto lugar.
“Senti-me muito mais cansada do que na fase inicial do dia, obviamente, mas isso também não é desculpa, porque também ela estava mais cansada e também fez combates longos. Eu comecei muito bem, comecei da maneira que era suposto, depois o meu rendimento foi caindo ao longo do combate, já não me consegui impor”, admitiu.
No balanço, num ano muito difícil, com nova lesão grave, uma rotura dos ligamentos do joelho esquerdo – com longa paragem na competição -, a judoca ainda disse que agora “só quero respirar fundo”, mas que amanhã haverá, certamente, um novo amanhecer.
“Não gosto de me agarrar a histórias tristes, sempre, como disse, superei tudo isso. Mas tem sido difícil e hoje só preciso de respirar fundo. Amanhã vou acordar, vou treinar outra vez, vou preparar os próximos objetivos, porque o meu maior objetivo é daqui a dois anos (Jogos Olímpicos de Los Angeles), mas hoje eu só preciso de não pensar em nada”, acrescentou.
O quinto lugar de Patrícia Sampaio é o melhor desempenho da seleção de judo nos Mundiais de Baku e quando ainda falta competir Rochele Nunes, que no sábado fecha a participação dos nove judocas, na categoria pesada feminina de +78 kg.
