Recorde aqui as incidências do encontro
Existem culturas em que desistir, ainda mais nos piores momentos, não é opção. A uruguaia, país pequeno em população mas gigante no futebol e no coração, é uma delas. Espanha sabia-o. Que iam pressionar com tudo, que iam deixar a pele em cada lance. Por isso era importante para os de De la Fuente dar o primeiro aviso cedo. Lamine Yamal roubou a bola a Valverde, tocou rápido para Oyarzabal e o seu cruzamento, desviado por um defesa, quase entrou na baliza de Muslera. Primeiro minuto de jogo.

O cenário era promissor para La Roja. Mas rapidamente o plano de Bielsa começou a complicar as coisas, a bloquear os caminhos para a sua área. Valverde e Bentancur marcavam Rodri e Pedri homem a homem. Lamine Yamal, quando recebia, tinha Sanabria e outro adversário, ou até dois, em cima. E por muitos cantos que acumulassem, mal incomodavam os charrúas.
Perante a falta de ideias claras, só os erros permitiram ouvir 'huy' em solo mexicano. Unai Simón e Baena quase complicaram tudo, um por deixar escapar uma bola caída do céu de Guadalajara; o outro por quase oferecer a bola a Fede Valverde perto da área espanhola. Na baliza contrária, Muslera falhou num canto de Baena, mas Cubarsí não estava à espera e acabou por rematar mais ao colega do que à baliza.
Obrigado, Muslera
O passar dos minutos parecia favorecer os uruguaios, que exploravam o flanco de Cucurella, onde Baena pouco ajudava, e as imprecisões no último terço dos ibéricos para lançar contra-ataques. Também aumentaram a dose de agressividade nos lances divididos. Quando o adversário estava melhor, Lamine e Llorente lutaram por uma posse, o segundo cruzou para o coração da área e aí apareceu Baena para rodar e, com a inestimável ajuda de Muslera, abrir o marcador.
Os problemas para o Uruguai multiplicaram-se com a lesão no joelho do ex-Sporting Manuel Ugarte, que saiu de maca. Duro golpe duplo para os sul-americanos, que ainda assim redobraram esforços para tentar empatar e nem assim Rodrigo Zalazar se estreou no torneio. Quase conseguiram num cruzamento que Laporte e Unai Simón, com uma defesa em voo incluída, conseguiram neutralizar.

Que louco és, Bielsa
O jogo recomeçou com novo guarda-redes no Uruguai: entrou Rochet para o lugar de Muslera. Depois do erro no golo, mais o que provocou o empate de Cabo Verde, Bielsa teve suficiente. De qualquer forma, precisaria de muito mais para virar o resultado. E que os seus jogassem futebol em vez de se dedicarem a dar pontapés como fizeram Canobbio ou Sanabria. Além disso, o selecionador também tirou o seu capitão, Fede Valverde, com mais de meia hora por jogar, que saiu do campo a praguejar.
Tudo isto beneficiava uma Espanha onde Lamine, sem inspiração, tentava sem sucesso. Dani Olmo, numa das poucas vezes em que Lamine conseguiu libertar-se do adversário, desperdiçou um remate claríssimo. Foram momentos insípidos de jogo, com o árbitro, Ismail Elfaith, a criar inimizades com todos os jogadores, especialmente com os espanhóis, por ter engolido o apito.
A permissividade do nefasto árbitro norte-americano de origem marroquina foi até prejudicial para os charrúas. Porque estes viram campo aberto para as faltas e esqueceram-se de que para empatar precisavam de jogar com a bola. Quando perceberam que do outro lado não estava um adversário no seu melhor, já só restavam 10 minutos para tentar, pelo menos, o empate.
Olivera, com um cruzamento-remate, e De la Cruz, com um disparo desde Montevideu, colocaram Unai Simón em apuros. A resposta foi de Ferran, sempre motivado, que atirou à barra. A partir daí, praticamente nada mais a não ser que finalmente o árbitro teve coragem de expulsar Canobbio, que ainda chegou a empurrá-lo e a dar-lhe um estalo. Incrível o do uruguaio, pela falta de fair-play e desportivismo.
No fim, a Espanha acabou por vencer, sendo primeira do grupo e deixando de fora um Uruguai que não mereceu mais do que a eliminação do Mundial após o seu comportamento lamentável.
Melhor em campo Flashscore: Pau Cubarsí (Espanha).

