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Em comunicado, a RBFA diz ter enviado uma carta à FIFA a solicitar “uma cópia da decisão, uma explicação do processo adotado e expondo a sua posição em relação aos regulamentos aplicáveis”.
“Como única resposta, a FIFA enviou uma carta à RBFA afirmando que considerava a correspondência como um recurso, que tinha sido designado um juiz e que a RBFA tinha apenas algumas horas para apresentar o recurso. A FIFA não forneceu qualquer informação”, denuncia.
A federação lembra que, segundo os regulamentos, um recurso só é admissível se a decisão fundamentada tiver sido previamente comunicada ao recorrente.
“Enquanto a RBFA procurava apenas esclarecimentos legítimos, a própria FIFA criou um recurso e garantiu imediatamente que o mesmo fosse declarado inadmissível”, acusa.
A RBFA acrescenta que, na reunião de coordenação do jogo dos oitavos do Mundial-2026, a FIFA “retirou deliberadamente” da apresentação a secção relativa à suspensão automática de jogadores – tema que, sublinha, “tinha sido abordado em todas as reuniões nas quatro partidas anteriores”.
“A RBFA questionou a FIFA, oralmente e por escrito, sobre os motivos desta alteração, mas, mais uma vez, não obteve resposta”, indica.
Esta federação referiu que, até ao momento, “ainda não recebeu qualquer decisão ou explicação por parte da FIFA sobre o assunto” e que “não lhe resta outra alternativa senão contestar a elegibilidade do jogador para o próximo jogo”.
“Independentemente do resultado desportivo deste jogo, a RBFA está profundamente preocupada com o rumo dos acontecimentos e continuará a lutar nas próximas horas, dias e meses em defesa dos princípios fundamentais da ética, da concorrência leal e dos interesses do futebol no seu todo”, sustenta.
No domingo, a RBFA demonstrou a sua "perplexidade" com a decisão da FIFA, que suspendeu a punição de um jogo ao norte-americano Folarin Balogun, permitindo que defronte a Bélgica nos oitavos do Mundial-2026.
Balogun, melhor marcador da seleção norte-americana na prova com três golos, recebeu um cartão vermelho direto aos 64 minutos por pisar o pé de Tarik Muharemović, da Bósnia, na vitória por 2-0 da última quarta-feira, a contar para os 16 avos.
Para a decisão, a FIFA baseou-se no artigo 27 do seu código disciplinar, que estabelece que “o órgão competente pode decidir suspender total ou parcialmente, a execução de uma medida disciplinar”.
A posição da FIFA surgiu poucos dias depois, segundo informação do New York Times, da Associated Press e do The Guardian, de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter falado telefonicamente com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, a pedir que se retirasse a suspensão a Balogun.
A Casa Branca confirmou o telefonema, mas não revelou se foi feito um pedido específico por parte de Trump, que, entretanto, reagiu nas redes sociais: "Obrigado, FIFA, por fazer a coisa certa e reverter uma grande injustiça".
Hoje, a UEFA acusou a FIFA de “ultrapassar uma linha vermelha” ao retirar o cartão vermelho a Balogun.
“O futebol, como qualquer outro desporto, assenta em regras, que são a base de uma competição justa, honesta e transparente. Por vezes, as regras são passíveis de interpretação. Neste caso, não”, refere a UEFA em comunicado.
Leia mais: UEFA ataca FIFA por decisão "sem precedentes, incompreensível e injustificável"
Os Estados Unidos e a Bélgica defrontam-se na próxima madrugada (01:00 em Lisboa), em jogo dos oitavos de final do Mundial2026, agendado para o Lumen Field, em Seattle.
