Nova Associação Internacional de Futebolistas quer ser "sindicato de referência"

Conferência de imprensa de apresentação da AIF
Conferência de imprensa de apresentação da AIFREUTERS/Isabel Infantes

Sindicatos de futebolistas de quatro países, que representam mais de 30 mil jogadores, formaram a Associação Internacional de Futebolistas (AIF), que pretende ser "o sindicato de referência" do setor mundialmente, disseram esta quinta-feira os fundadores, em Madrid.

A AIF pretende ser um novo interlocutor de federações nacionais, regionais e internacionais de futebol, a par e para além da Federação Internacional de Jogadores de futebol (FIFPro).

"Se há outro sindicato é porque há espaço para outro sindicato. É o mundo democrático. Quando não estamos de acordo com algumas diretrizes, trabalhamos para novas diretrizes", afirmou o presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (SAPESP) e agora também vice-presidente da AIF, Rinaldo José Martorelli, na conferência de imprensa de apresentação da nova associação, em Madrid.

Além do SAPESP, integram a AIF a Associação de Futebolistas Espanhóis (AFE), a Associação Mexicana de Futebolistas (AMFPRO) e a Associação Suíça de Jogadores de Futebol (SAFP, na sigla em inglês).

O presidente da AFE, David Aganzo, é o presidente da AIF, que tem como vice-presidentes os dirigentes das outras três organizações.

"Há grandes sindicatos à espera de se juntar" à AIF, afirmou David Aganzo, que não quis dar mais detalhes sobre que outras organizações e de que países e continentes poderão aderir à nova associação.

A nova associação tem como prioridades os direitos e condições das jogadores de futebol feminino, as condições laborais dos futebolistas em todo o mundo e a saúde mental, com um foco dirigido à preparação do final das carreiras, disseram hoje os dirigentes da AIF.

"Há países que vão estar no Mundial-2026 que não têm futebol profissional. E se não sao profissionais, os jogadores não têm direitos. Esse é um ponto com que temos preocupaçao, levar a todos as garantias da regulação do trabalho", afirmou Rinaldo José Martorelli.

O dirigente da associação brasileira sublinhou que "muitos jogadores em todo o mundo não cobram ainda (um salário)", provavelmente, até a maioria, apesar da "perceção errada" que há globalmente do futebol.

Um dos objetivos concretos da AIF é a recuperação do fundo de garantia da FIFA, destinado a futebolistas que não recebem salários por dificuldades financeiras dos respetivos clubes e seleções.

Para já, a AIF vai estar presente no próximo congresso da FIFA, em 30 de abril, em Vancouver, no Canadá, onde vai reunir-se com o presidente da federação internacional de futebol, Gianni Infantino.

A AIF vai também "enviar cartas a todas as confederações e ligas" para se apresentar, assim como a outars entidades também de âmbito político, como a União Europeia, afirmou David Aganzo.

"Vamos procurar alianças e soluções para os problemas", afirmou o dirigente da associação espanhola, que recusou comentar um comunicado da FIFPro divulgado esta quinta-feira de manhã com críticas à criação da AIF.

A FIFPro, que integra 70 associações nacionais e que representam mais de 60 mil futebolistas, disse no comunicado que a AIF "carece de legitimidade fundamental" para representar os jogadores a nível mundial.

A AIF nasce por "motivos pessoais e não por um mandato dos jogadores de todo o mundo", defendeu a FIFIPro no mesmo comunicado, em que lembra que David Aganzo abandonou a federação internacional em fevereiro, depois de deixar de presidir à organização, em 2024.

"Não vamos entrar em confronto. Há muito trabalho a fazer e este sindicato nasce hoje com toda a força do mundo. Somos um sindicato que nasce com independência e que é independente", finalizou.


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