Râguebi: António Aguilar frisa que Benfica quer equipa “o mais profissional possível”

Benfica sagrou-se campeão nacional
Benfica sagrou-se campeão nacionalSL Benfica

O Benfica tem o objetivo de criar uma equipa de râguebi “o mais profissional possível”, revelou o treinador dos novos campeões nacionais, António Aguilar, em entrevista à agência Lusa.

Nós não somos 100% profissionais. É um objetivo. Não para o ano, seguramente, mas daqui a três, quatro anos, crescer de forma sustentada até lá e criar uma equipa o mais profissional possível”, atirou o técnico dos encarnados, no Pavilhão da Luz.

O Benfica sagrou-se campeão nacional de râguebi no sábado, colocando um ponto final num jejum de 25 anos sem conquistar o principal escalão competitivo português, após algumas épocas de forte investimento a coincidir com o centenário da modalidade iniciada no clube em 1924.

Uma aposta que “num universo muito pequeno” como é do râguebi em Portugal leva a que, nas “conversas” de bastidores, “muito rapidamente se acrescente mais um zero e mais um zero” ao orçamento do clube da Luz, o que não corresponde à realidade, assegura o treinador.

As pessoas acham que o Benfica é um clube rico e que temos milhões, o que não é verdade. O dinheiro, aqui, foi bem gasto, foi contado, e esperamos que agora haja um reforço para conseguirmos dar melhores condições aos atletas. Eu diria que o profissionalismo é um objetivo, mas o primeiro objetivo é ser profissional na atitude, no compromisso, nos treinos”, vincou Aguilar.

Nesse sentido, “mais do ganhar 500, 1.000 ou 10 mil”, valor que "ninguém ganha" no clube, “o que interessa é a atitude”.

Nós falamos de profissionalização como uma atitude. A primeira coisa que fizemos foi mudar os horários dos treinos para, em vez de treinarmos à noite, a seguir ao trabalho, ou às 07:00, antes do trabalho, o que fizemos foi criar aqui condições para os atletas treinarem durante a manhã e à hora de almoço. E todos adoram isso”, revelou o técnico recém-sagrado campeão nacional.

No entanto, o antigo internacional português não tem “problemas” em afirmar que a profissionalização completa da estrutura “é o objetivo” e assegura que “o Benfica tem condições para isso”.

“Alguém tem de começar, alguém tem de puxar”, apontou Aguilar, lembrando que “os outros clubes” nacionais “têm cinco, seis, sete ou oito jogadores profissionais” e, “portanto, não estão assim tão longe de chegar a esse patamar” também.

O problema do râguebi é que são muitos jogadores. No basquetebol, no voleibol, com uma dúzia de jogadores tens um plantel profissional. No râguebi são precisos 30 ou 40 jogadores, portanto, o custo é muito maior”, condescendeu.

No entanto, o antigo jogador do Direito, que chegou a jogar como profissional da II Divisão francesa, lamenta que esse seja “quase um tema tabu em Portugal” e aponta que “devia ser um orgulho” para os clubes “dar uma oportunidade a um jogador de ser compensado pelo seu sacrifício”.

Se calhar têm de dar mais condições aos jogadores portugueses e não só aos estrangeiros. Nós, aqui (no Benfica), damos condições a todos. Eu percebo que é difícil, porque se se dá a um português, depois há mais 20 que querem. E se der a um estrangeiro há só mais cinco ou seis”, comentou.

Esse é, provavelmente, um dos motivos pelos quais o capitão de equipa, Tomás Picado, criticou, após sagrar-se campeão nacional, as “pessoas que dizem que o Benfica não traz nada de positivo ao râguebi português”.

A minha resposta a essas pessoas é que o Benfica está a tentar dar as melhores condições aos atletas para treinar e criar uma equipa o mais profissional possível. E há muita gente, do antigamente, que ainda acha que o râguebi em Portugal tem de ser amador. Eu não concordo com isso, nunca concordei”, ripostou António Aguilar.

Tomás Picado, o capitão do Benfica
Tomás Picado, o capitão do BenficaSL Benfica

Até porque “os valores que se praticam” em Portugal para um jogador de râguebi “não são os mesmos valores que se praticam nas outras modalidades” e, por isso, o técnico considera que “alguém tem de dar este passo”.

Pode ser um passo errado, não sabemos. O futuro dirá. Para já, está a correr bem. Fomos campeões, que era o principal objetivo para chamar a atenção, não só do Benfica, internamente, mas também do resto do râguebi português e mesmo internacional”, soltou.

O Benfica sagrou-se campeão nacional de râguebi, no sábado, após 25 anos sem vencer o principal escalão competitivo português, o maior jejum da história centenária do clube na modalidade, iniciada em 1924.

Apesar da 'crise' vivida no último quarto de século, o Benfica é, ainda, um dos clubes mais titulados no râguebi português, com 10 campeonatos nacionais (1960, 1961, 1962, 1970, 1976, 1986, 1988, 1991, 2001 e 2026) e nove Taças de Portugal (1961, 1965, 1966, 1970, 1972, 1975, 1983, 1984 e 1985).

Soma ainda quatro títulos na Taça Ibérica (1970/71, 1985/86, 1988/89 e 2001/02), competição que vai voltar a disputar, na próxima época, contra o campeão de Espanha.