“O Benfica teve muitos anos em que se esqueceu da formação. Uma saída, há 20 anos, para o lado de lá do rio Tejo quebrou muito essa ligação com a formação e agora, desde que voltámos (para Lisboa), o trabalho tem sido um bocadinho esquecido nesse aspeto”, reconheceu o técnico, em entrevista à agência Lusa.
Sem embargo de “continuar a investir no projeto semiprofissonal da equipa de elite”, Aguilar, que chegou há um ano à Luz, lembrou que os encarnados não podem esquecer “o resto” se quiserem “ser vencedores e campeões sustentadamente a médio e longo prazo”.
“Precisamos de uma identidade e, para isso, precisamos também de um campo próprio para jogar, para criar mais facilmente essa identidade, para dar condições de trabalho aos miúdos da formação, ao râguebi feminino, à equipa ‘challenge’ (sub-23), para melhorar o clube num todo e não olhar só para a elite”, apontou o antigo selecionador nacional de râguebi sevens.
Após a construção do novo Estádio da Luz, numa zona onde se situava o campo de râguebi, as águias mudaram-se, durante várias épocas, para o concelho de Almada e mantiveram os escalões de formação nos campos do Instituto dos Pupilos do Exército.
Desde a celebração do protocolo com a Universidade de Lisboa, a equipa sénior tem utilizado o Estádio Universitário de Lisboa como casa, mas partilha esse espaço com o CDUL e várias outras instituições.
Questionado pela agência Lusa sobre se o campo próprio poderia ser, novamente, junto ao Estádio da Luz ou se o râguebi encarnado poderia utilizar o Benfica Futebol Campus, o técnico descartou o regresso à margem sul.
“O Seixal não faz sentido, porque é uma casa do futebol, longe das zonas fortes do râguebi em Portugal. Seria complicado, especialmente para a formação. Diria que tem de ser aqui, em Lisboa, mas isso já não compete a mim, encontrar um espaço”, atirou.
De volta aos escalões jovens, Aguilar admitiu que a aposta na equipa sénior que tem sido feita nos últimos anos “era a maneira mais rápida de chamar a atenção e ganhar apoio para, depois, estruturar o resto do clube”, mas insistiu que, depois, “esquece-se um bocadinho da formação”.
“O Benfica, nos últimos 20 anos, deixou de ser um clube de tradição no râguebi de formação. Começou a ser o Direito, o Belenenses, a Agronomia, o CDUL, que baseiam muito o seu projeto na formação, e o Benfica esqueceu-se um bocadinho disso e perdeu essa ligação aos miúdos. É um dos pontos-chave para a próxima época, para crescer de forma sustentada”, apontou.
E por falar da próxima época, o técnico assumiu que o acordo para continuar a orientar o clube da Luz “ainda não está fechado”, mas tanto ele como Francisco Fernandes, treinador de avançados, já estão “a trabalhar” partindo do princípio que ficam.
Há “arestas a limar” e o treinador campeão nacional reconhece que “o Benfica tem ajudado muito” a secção de râguebi, mas admite, por outro lado, que “ser campeão dá um bocadinho mais de moral para pedir algumas coisas”.
“Espero que o Benfica nos ajude. Estamos à espera dessas indicações, do que é que teremos para o ano para construir. O objetivo é manter o máximo possível de pessoas que estiveram envolvidas neste campeonato”, revelou.
O Benfica sagrou-se campeão nacional de râguebi, no sábado, após 25 anos sem vencer o principal escalão competitivo português, o maior jejum da história centenária do clube na modalidade, iniciada em 1924.
Apesar da crise vivida no último quarto de século, o Benfica é, ainda, um dos clubes mais titulados no râguebi português, com 10 campeonatos nacionais (1960, 1961, 1962, 1970, 1976, 1986, 1988, 1991, 2001 e 2026) e nove Taças de Portugal (1961, 1965, 1966, 1970, 1972, 1975, 1983, 1984 e 1985).
Soma ainda quatro títulos na Taça Ibérica (1970/71, 1985/86, 1988/89 e 2001/02), competição que vai voltar a disputar, na próxima época, contra o campeão de Espanha.
