O queniano Sabastian Sawe correu os 42,195 quilómetros na capital britânica em 01:59.30 horas, em menos um minuto e cinco segundos do que o anterior recorde mundial (02:00.35, em Chicago, nos Estados Unidos), que estava na posse do também queniano Kelvin Kiptum, desde 08 de outubro de 2023, menos de um ano antes da sua morte num acidente de viação.
Além de Sawe, que revalidou o título da corrida londrina, o também queniano Yomif Kejelcha (01:59.41), segundo classificado, e ugandês Jacob Kiplimo (02:00.28), terceiro, que, em 08 de março último, fixou em 57.20 minutos o recorde mundial da meia maratona, em Lisboa, bateram a anterior melhor marca mundial.
“Ontem (no domingo), havia a expectativa de que pudesse saber um recorde do mundo porque o lote de atletas que estava presente era extraordinário, a começar pelo Kiplimo, mas a maratona é a maratona, mas aconteceu mesmo e foi extraordinário”, começou por reconhecer à agência Lusa o maratonista do Benfica.
Aos 32 anos, o atleta natural de Cortes do Meio, na Covilhã, realçou o feito.
“Desde que me lembro, acho que nunca aconteceu três recordes do mundo numa só prova. Mas, além disso, dois atletas abaixo das duas horas é incrível, ambos passaram a barreira mítica que se considerava impossível há 10 anos e, agora, numa só prova, em Londres, que nem é das mais rápidas, foi um feito histórico”, destacou, aproveitando para apontar os percursos de Berlim, Chicago e Valência como os mais propícios às melhores marcas.
Com o melhor registo pessoal em 02:07.35 horas, conseguidos em Valência, em 2023, Samuel Barata aponta ao recorde nacional, na posse de António Pinto desde 2000, quando venceu a Maratona de Londres em 02:06.36 horas, mantendo-se como o europeu mais rápido até 2017.
“Andámos longe dos melhores resultados e estávamos a aproximar-nos, mas, com estas marcas, parece que estamos outra vez mais longe, porque o nível está mais alto. Fico muito satisfeito porque significa que o atletismo está a evoluir, com a ciência, o treino, os equipamentos…mas, sem dúvida, acho que isto era o sonho de toda a gente”, vincou.
E, para Barata, quase todos ficam a ganhar, os praticantes, os fabricantes de material desportivo, os organizadores de provas, apesar de lhe deixar um “sabor agridoce”.
“Vou dar o exemplo português: Eu quero correr a 02:06 horas, que é o recorde nacional, que foi recorde da Europa, mas que começa a ser uma marca banal, de segunda linha. Resta-me continuar a trabalhar e também acreditar que posso lá chegar e aproximar-me mais destas marcas”, explicou.
Samuel Barata viu ainda vantagens e inconvenientes com a criação de um campeonato do mundo autónomo para a maratona, a partir de 2030, alternando anualmente entre edições masculinas e femininas, determinando os Mundiais ao ar livre Pequim 2027 e de 2029 como as últimas a incluírem esta competição.
“Normalmente, esses campeonatos são em meses de verão, em locais em que o clima não é propício à maratona e muitos atletas acabam por abdicar de participar por ser quase impossível ter um bom resultado, um bom resultado cronométrico, que é o que lhe dá apoio das marcas e das federações. Agora, noutra perspetiva, tira a prova rainha dos Campeonatos do Mundo e, aí, tendo a concluir que se perde a essência e o simbolismo”, referiu.
Este ano, Samuel Barata tem planeado atacar o recorde nacional na Maratona de Valência, em 06 de dezembro, propondo-se disputar a Taça da Europa dos 10.000 metros, em La Spezia, em Itália, no próximo dia 23 de maio, com o objetivo de conseguir mínimos na distância para os Europeus Birmingham2026, em agosto.
