Num comunicado divulgado na segunda-feira, o ministério dos Desportos de Taiwan afirmou que integrar uma seleção nacional chinesa enquanto atleta “afeta a identidade nacional” e viola o artigo 33.º da Lei que Regula as Relações entre os Cidadãos da Área de Taiwan e da Área Continental, o quadro jurídico que rege os intercâmbios entre a ilha e a China.
O artigo estabelece que nenhum cidadão taiwanês pode ser membro de organismos da China continental de caráter partidário, militar, administrativo ou político proibidos pelo Governo da ilha, nem praticar, em qualquer entidade continental em que participe, atos que prejudiquem a “segurança” ou os “interesses nacionais”.
O ministério decidiu assim alterar as regras que regulam os intercâmbios desportivos entre os dois lados do estreito de Taiwan, em vigor desde 1998 e revistas cinco vezes, para estabelecer “explicitamente” que os cidadãos taiwaneses “não podem integrar a seleção nacional da China continental enquanto atletas para participar em competições internacionais”.
No mesmo comunicado, o ministério sublinhou que todas as entidades públicas e privadas, assim como os cidadãos de Taiwan, devem aplicar os princípios de “igualdade, dignidade e respeito mútuo” nos intercâmbios desportivos entre os dois lados do estreito, mantendo uma interação “positiva” e de “benefício mútuo”.
Os atletas taiwaneses participam habitualmente em competições internacionais sob outras designações – nos Jogos Olímpicos, por exemplo, competem sob o nome de “Taipé Chinês” – e raramente utilizam abertamente a designação “Taiwan”, devido à oposição de Pequim.
Um dos casos mais conhecidos de um atleta taiwanês que competiu pela República Popular da China foi o de Su Yu-cheng, que representou o país no Campeonato Mundial de Kendo de 2024, realizado em Milão.
Outro caso polémico envolveu o atleta de taekwondo Li Tung-hsien, que exibiu a bandeira chinesa no pódio dos Jogos Masters da Ásia-Pacífico de 2023 e perdeu a nacionalidade taiwanesa em 2025, depois de obter um documento de identidade chinês.
As novas regras surgem num contexto de crescente tensão entre Taiwan e a China, cujas autoridades consideram a ilha, governada autonomamente desde 1949, uma “parte inalienável” do território chinês e não excluem o uso da força para concretizar a reunificação.
