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Taranto-2026: Francisca Martins foi a estrela de uma Missão em que reinou o atletismo

Francisca Martins em ação
Francisca Martins em açãoFederação Portuguesa de Natação

A nadadora Francisca Martins, a primeira portuguesa a conquistar quatro medalhas em Jogos do Mediterrâneo, foi a ‘estrela’ de uma Missão em que o atletismo foi o maior contribuidor para o medalheiro nacional.

Campeã nos 400 metros livres, Francisca Martins ganhou medalhas em todas as provas que disputou, sendo bronze nos 200 e 800 livres e ajudando a estafeta mista 4x100 estilos a ser terceira.

A única rival de Kika na disputa pelo estatuto de figura maior da Missão portuguesa em Taranto-2026 foi mesmo a sua grande amiga Camila Rebelo, novamente bicampeã dos 100 e 200 costas e também parte integrante da estafeta bronzeada.

Foi a natação que primeiramente impulsionou a melhor Missão portuguesa de sempre em Jogos do Mediterrâneo, à terceira participação, com as suas sete medalhas – Ana Pinho Rodrigues voltou a ser segunda nos 50 bruços – a serem superadas apenas pelas nove do atletismo.

No Estádio Giuseppe Valente, ouviu-se o hino nacional seis vezes, graças aos títulos de Auriol Dongmo (lançamento do peso), Omar Elkhatib (400 metros), José Carlos Pinto (5.000 m), Patrícia Silva (1.500 m), Irina Rodrigues (lançamento do disco) e da estafeta feminina de 4x100 metros, integrada por Beatriz Castelhano, Catarina Lourenço, Rosalina Santos e Arialis Martínez, bronze nos 100 metros.

Ao contrário de outras modalidades, o atletismo trouxe à cidade dos dois mares nomes fortes e regressa a Portugal com o equivalente em metais, além de inúmeros quartos lugares, pois também Jéssica Inchude e Mariana Machado foram prata, respetivamente, no peso e nos 10.000 metros.

Mas o primeiro ouro dos 16 de Portugal em Taranto2026 foi conquistado por Tiago Antunes no contrarrelógio, com o ciclista português a suceder no palmarés ao compatriota Rafael Reis - terceiro nesta edição -, antes de ser prata na prova de fundo.

Com os Mundiais de canoagem a decorrer praticamente ao mesmo tempo, a modalidade apresentou-se nestes Jogos sem os pesos pesados, mas igualmente vitoriosa: Bruno Brasileiro impôs-se no K1 1.000 metros e Ana Gabriela Brito no K1 500, com Iago Bebiano e André Moreira (K2 500) e Tiago Maciel (C1 1.000 metros) a levaram para casa medalhas de prata.

Igualmente sem as suas principais figuras, o judo teria tido uma passagem discreta pelo PalaWojtyla, em Martina Franca, não fosse o ouro de João Fernando na categoria de -81 kg, que surpreendeu o próprio, sobretudo pela rapidez com que aconteceu – precisou apenas de 38 segundos para derrotar o egípcio Abdelrahman Abdelghany por ippon.

Pela dinâmica de medalhas dos primeiros dias, pressentia-se que esta seria a melhor Missão portuguesa em Jogos do Mediterrâneo e, em 31 de agosto, os 25 pódios de Oran-2022 foram ultrapassados quando a seleção feminina de sub-18 goleou a Itália para chegar ao ouro no futebol.

Metade das medalhas conquistadas por Portugal foram mesmo douradas, com a karateca Ana Rita Oliveira a sagrar-se campeã nos +68 kg, de kumite, e os irmãos Pedro e Sofia Araújo nos pares mistos do padel.

Na estreia em Jogos do Mediterrâneo, a modalidade viu fugir-lhe ainda dois bronzes, nos pares femininos com Araújo e Ana Catarina Nogueira, e nos pares masculinos, com Miguel e Nuno Deus, o mesmo número de metais perdidos por Francisco Rocha no ténis – o jovem foi derrotado, primeiro, nos pares mistos ao lado de Madalena Matias e, depois, em singulares.

Na série de bronzes perdidos em jogos de atribuição do terceiro lugar incluem-se ainda o do andebol, com a seleção masculina batida apenas no prolongamento pela Argélia.

Pelo contrário, na esgrima, foram conquistados dois, pelos irmãos Filipe e Miguel Frazão, na espada, com este desporto a ter o mesmo número de medalhas da patinagem de velocidade, que festejou a prata de Francisca Henriques e o bronze de Miguel Bravo na maratona pelas ruas de Taranto.

Mais inesperado foi o bronze de uma emocionada Inês Oliveira, com a remadora lusa a subir ao pódio no single scull ligeiro.

Nos menos desta Missão incluem-se o ténis de mesa, medalhado nas edições anteriores e que nesta não fez melhor do que a presença nos quartos de singulares masculinos de Clément Campino, e o tiro com armas de caça, em que Maria Inês Barros, vice-campeã em Oran2022, foi apenas sexta classificada no trap.

Também aquém ficou a participação em equestre, como reconheceram os cavaleiros nacionais, que procuravam repetir o ouro de Tarragona-2018 na prova por equipas dos saltos de obstáculos e foram apenas quintos, e até do triatlo, em que o nono lugar de Matilde Santos na prova feminina, disputada com um calor para lá de sufocante, foi o melhor resultado.