“Assumo isto, acima de tudo, como uma missão, um serviço que presto ao movimento olímpico. Acho que a balança vai estar sempre desequilibrada: eu ganhei muito mais com o olimpismo, ou com o Movimento Olímpico, do que alguma vez poderia retribuir. Isto talvez seja, eventualmente, um pequeno contributo. Uma devolução, no fundo, daquilo que tanto recebi ao longo de décadas”, descreveu, em entrevista à agência Lusa.
Depois de sete presenças em Jogos Olímpicos como desportista – é o recordista nacional - e de uma como Adido Olímpico, em Tóquio-2020, o velejador madeirense, de 54 anos, será agora o primeiro antigo atleta a chefiar a Missão de Portugal aos Jogos do Mediterrâneo.
“Como é que eu encarei isto? Primeiramente, com alguma surpresa, digamos. Eu estive ligado aqui, de uma forma muito íntima, ao Comité Olímpico, enquanto atleta olímpico. Não tanto nos primeiros ciclos, mas muito mais nos últimos ciclos olímpicos”, recordou.
Nessa aproximação desempenhou um papel fulcral José Manuel Constantino, que liderou o organismo de março de 2013 até à sua morte, em 11 de agosto de 2024, com João Rodrigues a considerar que o antigo presidente, “de facto”, abriu as portas do Comité Olímpico de Portugal (COP) aos atletas e criou o conceito de casa do olimpismo.
“E, portanto, nós começámos a nos sentir aqui como em casa. Eu fui-me gradualmente aproximando do COP. Depois, fui presidente da Comissão de Atletas (Olímpicos). Entrei nesta casa já com outras funções, pertenci à Comissão Executiva até Paris-2024. E, depois, a partir deste ciclo, não estava particularmente ligado ao COP, embora tivesse aqui relações de amizade”, pontuou, durante a entrevista que decorreu na sede do organismo olímpico, em Lisboa.
O velejador madeirense espera que a experiência que tem possa, “eventualmente”, dar algum contributo positivo para a Missão portuguesa que estará na 20.ª edição dos Jogos do Mediterrâneo, que decorrem entre sexta-feira e 03 de setembro em Taranto, em Itália.
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“Da minha parte, o que os atletas podem contar é com alguém que tem uma sensibilidade muito particular para tudo que são as questões que eles vão viver, que eu já vivi muitas vezes, em todas as situações possíveis e imaginárias, correndo muito bem, correndo muito mal, correndo mais ou menos”, destacou.
João Rodrigues participou em sete edições consecutivas dos Jogos Olímpicos, estreando-se em Barcelona-1992 e fechando o ciclo no Rio-2016.
“Obviamente que todos os elementos que compõem a Missão também são experientes, mas é verdade que não o viveram enquanto atletas. Portanto, isso pode ser uma mais-valia para a Missão. Eu gostava de transmitir, acima de tudo, a mesma tranquilidade com que eu assumi este desafio e com que o vivo dia-a-dia”, indicou.
No entanto, o chefe de Missão nota que vai existir sempre pressão sobre os 168 atletas que vão representar Portugal em Taranto-2026.
“E ainda bem que existe. Temos é que saber geri-la, lidar bem com ela. Se não houvesse pressão, os resultados não apareciam da maneira que aparecem. E é essa pressão e esse nervoso miudinho que nos faz muitas vezes transcender. Saibamos nós conseguir lidar com isso. (Os atletas) terão aqui, pelo menos, uma pessoa que lidou com isso muitas vezes. Mais não seja, dizem-me que sou um bom ouvinte”, disse, com um sorriso.
A título pessoal, Rodrigues admite que o processo de preparação da Missão a Taranto-2026 “tem sido, obviamente, muito trabalhoso, mas extremamente agradável de percorrer”.
“A comitiva toda são 307 pessoas e isto implica uma logística realmente bastante complicada. Mas, felizmente, aqui no COP temos uma equipa com muita experiência, com um elevado sentido de entrega à causa. (...) Foi algo que realmente deu algum trabalho, mas foi fluído. E continua a ser, e ainda vai ser até o último dia praticamente, porque há sempre alterações a acontecerem”, ressalvou.
O experiente olímpico elogiou ainda os funcionários do COP, pela sua entrega, profissionalismo e dedicação. “Foi isso que eu encontrei aqui, agora numa vertente que eu não conhecia até à data”, completou.
