“A Missão é composta por 168 atletas, mais outros tantos oficiais e treinadores. Alguns deles realmente trazem já um background competitivo muito interessante. Mas nós encaramos os Jogos do Mediterrâneo essencialmente como uma oportunidade para Portugal se apresentar no contexto Mediterrâneo, como mais um país que realmente tem um nível competitivo bastante interessante hoje em dia”, resumiu.
Em entrevista à agência Lusa, antes do início na sexta-feira da competição, que descreve como “uma antecâmara para os atletas para outros eventos, pensando sempre no horizonte de Jogos Olímpicos”, João Rodrigues garantiu que não é sobre os quatro campeões em título que integram a Missão – a nadadora Camila Rebelo, o ciclista Rafael Reis e os atletas João Coelho e Leandro Ramos – que recaem mais esperanças.
“Estes atletas que já obtiveram medalhas, ou mesmo os atletas olímpicos que vão estar presentes, eu acho que eles têm uma outra responsabilidade neste campo, que é a de inspirar, motivar, acompanhar aqueles que estão lá para a primeira vez e que vão olhar para estes atletas como referências. E esse para mim é o seu principal desafio. Tudo o resto virá por acréscimo”, defendeu.
Tal como em relação aos desportistas, o chefe de Missão a Taranto-2026 também prefere não elencar os desportos em que Portugal poderá ter mais sucesso, antecipando eventuais “surpresas de modalidades que não estão no radar como se (…) eventualmente pudessem ter bons resultados”.
“Não me compete a mim aqui estar a relevar mais uma modalidade do que a outra. Eu acho que todas elas são importantes, todas elas têm o seu papel. Esta é a equipa de Portugal, e isso está acima das modalidades até”, acrescentou.
Embora reconheça que há a expectativa de Portugal repetir o pecúlio das duas anteriores participações em Jogos do Mediterrâneo, em que ganhou, respetivamente, 24 (Tarragona-2018) e 25 medalhas (Oran-2022), o velejador de 54 anos nota que Taranto-2026 foi “muito difícil de encaixar no calendário internacional, já por si bastante carregado”, uma vez que o evento trocou as suas datas habituais em junho pelo pela segunda quinzena de agosto.
“E só foi confirmado agora no início deste ano. Portanto, as federações fizeram um esforço enorme também para conseguir conciliar os diferentes calendários, e resultou que em algumas modalidades não vamos ter, obviamente, os melhores atletas”, completou, enaltecendo a recetividade e colaboração das 28 federações que estarão representadas na cidade dos dois mares.
Rodrigues realça, contudo, que a ausência dos principais nomes de alguns desportos dá a oportunidade a atletas mais jovens de estarem presentes num evento “muito singular, que é diferente do Campeonato do Mundo ou da Europa”.
“Para eles, vai ser uma estreia completa, porque o formato é praticamente igual ao dos Jogos Olímpicos. Vamos ter uma Aldeia Olímpica, vamos ter uma Missão, vamos ter todo o protocolo e toda a logística inerente a uma participação destas. E, portanto, para estes jovens acho que vai ser um momento extremamente importante”, reforçou.
De acordo com o também antigo presidente da Comissão de Atletas Olímpicos é “expectável acreditar” que alguns desses jovens possam estar nos Jogos Olímpicos Los Angeles-2028.
“Para eles, será importante esta antecâmara de preparação para ganharem, no fundo, não só competências, mas também (...) mecanismos para lidar com toda a logística da viagem. É uma viagem mais curta, mas ainda assim é uma viagem que requer pelo menos metade do dia. (...) E o facto de estarem todos juntos numa Aldeia Olímpica é muito importante”, acrescentou.
O experiente olímpico confia que os Jogos do Mediterrâneo servirão para os atletas mais jovens se prepararem para o futuro, “registarem os seus pontos fracos” e trabalharem “nesse campo”.
“Vão ter uma equipa de médicos, de psicólogos e de fisioterapeutas que os pode ajudar em todas estas valências. Espero que eles aproveitem esta oportunidade”, concluiu.
Esta será a terceira participação de Portugal nos Jogos do Mediterrâneo, cuja 20.ª edição vai decorrer entre sexta-feira e 03 de setembro, reunindo em Taranto (Itália) cerca de 3.800 atletas de 26 países que são tocados pelo mar Mediterrâneo.
