Recorde as incidências do encontro
“O jogo foi muito diferente dos anteriores, contra um adversário muito inteligente. Não joga tanto com a velocidade, mas com os ritmos de jogo. Parecia mais um jogo de xadrez do que um jogo de ténis”, analisou o lisboeta.
Convidado pela organização e disputar o seu primeiro torneio ATP, Tiago Torres (427.º do mundo) surpreendeu ao ultrapassar duas rondas, mas acabou por ser eliminado pelo gaulês (109.º), por 6-3 e 6-4, em uma hora e 42 minutos.
“Às vezes, ter um jogo rápido não quer dizer jogar bem e é o caso dele. Joga muito com as variações de ritmo, as alturas, as quebras de jogo. É muito difícil jogar contra ele. Não parece um jogador tão vistoso como outros, mas é muito inteligente e, mesmo assim, acho que fiz um bom jogo”, considerou.

Apesar de “não estar contente com o resultado”, Torres, de 24 anos, assegura estar muito contente com a sua participação no ATP 250 português e ter feito “um grande torneio".
Ao longo do encontro de acesso às meias-finais, o campeão nacional absoluto não se mostrou tão disponível fisicamente como no duelo com o chileno Alejandro Tabilo, tendo inclusivamente sido assistido ao braço esquerdo no 3-2 do primeiro set.
“Não vou negar. Mas isso não é desculpa. Nós estamos habituados a jogar com dores. Em dez jogos, há um ou dois em que não jogamos com qualquer dor. É um bom sinal. É sinal estamos a fazer muitos jogos e o corpo, às vezes, dá o berro. Mas o que fica é que eu dei o meu melhor e estou muito orgulhoso de mim”, confessou o atleta do Ace Team.
Encerrada a aventura no Estoril Open, Tiago Torres alimenta a esperança de conseguir “sair dos torneios ITFs rumo aos challengers e depois, se calhar, mais para este nível”, antes de tentar o “sonho de jogar a fase de qualificação do Grand Slam".
Na hora da despedida, o representante nacional, que já tem assegurada a subida ao 331.º lugar do ranking mundial, deixou uma palavra especial aos pais, irmãs, primos e amigos, entre os quais inclui João, falecido no final de 2025, e a quem envia sempre um beijo no final dos encontros.
“Fico sempre um bocado mais emocional, mas queria agradecer a todos, do fundo do coração, principalmente aos meus pais, que estiveram sempre comigo e sempre acreditaram em mim. Aos meus treinadores, primos, que são como se fossem irmãos, às minhas irmãs e todas as pessoas que me vieram apoiar”, nomeou, dizendo ser um apoio fundamental para continuar a “seguir o sonho, um sonho complicado, porque gasta-se muito dinheiro".
Já Hugo Gaston confessou não saber o que esperar de Tiago Torres, embora soubesse que o português “estava cheio de confiança por ter ganho a bons jogadores e estar a jogar tão bem durante esta semana".
“Temos de lhe dar os parabéns pela performance esta semana, mas do meu lado estou muito satisfeito. Acho que não joguei o meu melhor ténis, mas estou contente de estar nas meias-finais e porque é importante vencer este tipo de encontros”, defendeu o gaulês, que vai ter como próximo adversário o vencedor do encontro entre o russo Andrey Rublev (14.º), primeiro cabeça de série, e o compatriota Luca van Assche (78.º).
