Krejcikova acabou de ultrapassar um período difícil. Uma série de lesões afastou-a durante vários meses, o que fez com que descesse para os oitenta do ranking mundial. Agora, passo a passo, está a regressar ao topo, e o antigo jogador checo da Taça Davis Jiri Novak está a ajudá-la nesse percurso.
"Essa descida no ranking não foi nenhuma crise, apenas uma consequência direta dessas lesões. A Barbora continua a ser uma jogadora incrível, que tem vontade de voltar a conquistar algo grande", afirma o antigo número cinco mundial.

- Tem acompanhado de perto o regresso da Barbora. Esperava que, depois desses meses difíceis, ela conseguisse voltar tão depressa e começar a vencer torneios novamente?
Não é algo que se possa responder numa frase, é uma história mais longa. A Bara ligou-me há um ano e um quarto, a dizer que não tinha treinador e queria experimentar trabalhar comigo. E quando nos encontrámos, percebi logo que queria aceitar.
- O que é que ela lhe disse nessa altura?
Estava motivada para voltar a conquistar algo grande. Não é preciso falar das suas capacidades técnicas e de jogo. Já provou a todos o tipo de jogadora que é, com tudo o que já ganhou.
- Mas havia incerteza quanto à sua saúde…
Sim, com a Bara, isso é sempre o alfa e ómega. Mas sabíamos que, se se mantivesse saudável, os resultados voltariam. E foi o que aconteceu. A evolução foi gradual, estava a regressar depois de uma hérnia discal, por isso demorou algumas semanas, ou melhor, meses, até voltar ao ritmo competitivo. Mas já no ano passado, nos EUA, as coisas começaram a melhorar. Chegou à 3.ª ronda em Cincinnati e aos quartos de final no US Open. Depois fomos para a Ásia, onde atingiu os quartos de final em Seul.
- Mas depois, em setembro, em Pequim, surgiu outra lesão…
Pois… Na 3.ª ronda, sofreu uma fratura no joelho. Esticou demasiado a perna e acabou por ser uma lesão grave. Portanto, basicamente, voltou a não poder jogar. Claro que foi difícil para ela. Primeiro, esteve meio ano sem competir e, depois, dos últimos 10 meses, falhou sete.
- Ainda assim, este ano está a mostrar novamente a qualidade. Em Wimbledon, eliminou Mirra Andreeva. Mais recentemente, triunfou em Atenas, mesmo antes do torneio de Praga.
Ela é uma jogadora brutal. Acredito que, se estiver saudável, em forma e confiante, será uma verdadeira ameaça para todas as adversárias e pode, sem dúvida, voltar a conquistar algo grande.
- Quão difícil foi a viagem da Grécia?
Claro que ficou um pouco preocupada com o impacto do calendário exigente no corpo. Esteve muito bem em Atenas, mas depois começou a correria. Terminou quase às onze da noite, depois veio a cerimónia de entrega de prémios, a conferência de imprensa e tudo o resto, e se dormiu uma hora, já foi muito.
Só conseguiu recuperar o sono em Praga. E já na terça-feira teve de jogar novamente. Naturalmente, depois de tudo o que passou recentemente, está preocupada com a sua saúde. Tem cautela. Mas também é uma profissional. O jogo com a Linda Fruhvirtova não foi fácil. Mas veio, jogou, virou o resultado. E venceu. Sinceramente, é simplesmente incrível.
- Dado o calendário exigente, muitos especularam se ela poderia abdicar de Praga…
Não, de todo. Praga já estava planeada há muito tempo. Este torneio estava no calendário porque ela não tinha feito jogos suficientes. Precisa de ganhar ritmo, encontrar confiança. E outro motivo é que é em Praga e ela adora jogar na República Checa. Por isso, nem sequer ponderou desistir de Praga depois do triunfo em Atenas, nem por um segundo.
- É verdade que, dos seus nove títulos, dois são de Grand Slam e outros dois são de Praga e Ostrava...
Exatamente. Quando falámos destas emoções, ela disse-me que, por exemplo, nem sequer desfrutou do seu primeiro Grand Slam em Paris, porque foi no ano da Covid e não estava lá ninguém. Levantou os braços e viu as bancadas vazias. As memórias muito mais fortes são de Ostrava, onde venceu a Iga Swiatek e estavam nove mil pessoas e um ambiente incrível. Sabe, a Chéquia é importante para ela. Sinto que adora mesmo jogar perante adeptos checos.
- Também viveu uma época em que os jogos da Taça Davis eram disputados muito mais vezes perante o público da casa.
Sem dúvida! As minhas melhores memórias são da Taça Davis. Jogámos em Ostrava, Brno ou aqui em Stvanice. E quando as bancadas gritam o teu nome? É isso que é o ténis...
- Para ela, este grande court de Stvanice também deve ter sido uma motivação, já que nunca tinha jogado aqui. Podia contar-lhe como era…
Adoro absolutamente esta arena! Conheço-a desde que jogava aqui como júnior. Depois joguei e venci um challenger aqui. Depois disputei um torneio ATP aqui e, no jogo com o Bruguera, estava completamente cheio. Vivi aqui uma Taça Davis contra a África do Sul. Para mim, é simplesmente um court icónico. É a arena de ténis mais bonita que temos na Chéquia. E fico mesmo contente que o torneio se dispute aqui, mesmo sendo organizado pelo Sparta. Mas aquelas bancadas temporárias em Stromovka nunca vão substituir este recinto maravilhoso. Gosto mesmo de estar aqui.
