Recorde as incidências da partida

A nova temporada do futebol feminino português arrancou este domingo, em Viseu, com Benfica e FC Porto frente a frente na Supertaça. Depois do duelo inédito na final da Taça de Portugal em maio, águias e portistas reencontraram-se agora no Fontelo, num jogo marcado pela diferença de experiência nestas andanças, mas com a ambição comum de começar 2026/27 a levantar um troféu.
O Benfica apresentou Carolina Tristão no onze e lançou também Tinkara Testen, com a central eslovena a estrear-se pela equipa principal das encarnadas. Do outro lado, o FC Porto entrou disposto a mostrar que queria discutir o jogo e até chegou a festejar cedo. Aos oito minutos, Maria Negrão bateu um livre e Morgan Stone cabeceou para o fundo das redes, num lance em que Lena Pauels ficou mal na fotografia. O golo, porém, foi anulado por fora de jogo da médio norte-americana, por poucos centímetros.
Golo anulado de um lado, golo a valer no outro
A resposta encarnada surgiu praticamente na jogada seguinte. Aos 13 minutos, Froya Dorsin aproveitou uma desconcentração defensiva das azuis e brancas, entre Alice Reto e Maria Inês Nogueira, e atirou para o fundo das redes. Foi um golpe duro para o FC Porto, que passava de um golo anulado para uma desvantagem quase imediata, num arranque intenso e com sinais de perigo nas duas áreas.
A equipa portista, ainda assim, reagiu e chegou ao empate aos 31 minutos. Depois de uma falta da capitã Pauleta sobre Maria Ferreira, na sequência de uma perda de bola, o livre portista terminou com Caroline Moller a cortar a bola com a mão dentro da área. Fátima Pinto assumiu a responsabilidade e converteu a grande penalidade, restabelecendo a igualdade no Fontelo e dando novo impulso à turma portuense.

Mas o Benfica voltou a castigar perto do intervalo. Aos 42 minutos, Diana Gomes lançou longo, a defesa do FC Porto voltou a revelar desacerto, Mariana Azevedo deixou a bola passar e a guarda-redes Cora Brendle foi completamente apanhada fora de posição. Nycole Raysla aproveitou o erro, apareceu no espaço certo e fez o 2-1. Ainda antes do descanso, Mariana Azevedo respondeu de cabeça e obrigou Lena Pauels a uma boa intervenção, mantendo a diferença mínima.

Só deu Benfica
Na segunda parte, a maturidade competitiva do Benfica começou a pesar cada vez mais. Diana Gomes ameaçou aos 50 minutos, após uma bola perdida, e, aos 55', novo erro portista voltou a sair caro. Alice Reto perdeu a bola em zona proibida para Catarina Amado e acabou por cometer grande penalidade. Marit Lund foi chamada à conversão e não falhou, fazendo o 3-1 e colocando as águias numa posição muito confortável.
Pouco depois, aos 60 minutos, houve um momento simbólico no lado encarnado, com Andreia Norton a entrar para o lugar de Pauleta. A internacional portuguesa não disputava um jogo oficial desde 17 de maio de 2025, devido a lesão, e regressou num contexto de domínio benfiquista. A partir da hora de jogo, o FC Porto teve cada vez mais dificuldades para entrar no meio-campo das águias e para ligar jogo em zonas adiantadas.
O quarto golo das águias surgiu com alguma naturalidade aos 66 minutos, numa transição ofensiva de grande nível. Catarina Amado conduziu a jogada e serviu Caroline Moller, que assinou um passe soberbo para Lúcia Alves. A lateral recebeu, cruzou para a área portista e Moller apareceu para anotar o quarto. De forma resumida, o Benfica acelerava quando queria, controlava quando precisava e ia transformando a final numa demonstração de superioridade.

O relógio avançava, mas ainda houve espaço para mais oportunidades. Aos 70 minutos, Lúcia Alves voltou a cruzar e Nycole Raysla desviou ligeiramente por cima. Aos 78', Andreia Norton rematou para defesa de Cora Brendle, num lance que teria sido a cereja no topo do bolo no regresso da média. Mas o quinto golo acabaria mesmo por aparecer três minutos depois, com Anna Csiki a ter uma estreia de sonho: a jogada começou na defesa, Andreia Norton serviu Chandra Davidson de cabeça e a canadiana assistiu a húngara para o 5-1.
No fim, o Benfica começou 2026/27 como terminou 2025/26: a vencer o FC Porto e a conquistar um troféu. As águias fizeram valer a maior experiência, castigaram os erros defensivos das azuis e brancas e cresceram muito na segunda parte, perante um adversário que foi perdendo capacidade de resposta. No Fontelo, o Benfica levantou a quarta Supertaça da sua história e chegou ao 19.º título do palmarés.
Melhor em campo Flashscore: Lúcia Alves (Benfica)
